Empreendedorismo – Biocombustíveis no Amazonas

Em: 29 de abril de 2008
Neste mês, a Amazônia voltou a ser pauta da revista Time praticamente pelo mesmo motivo das reportagens anteriores.
Neste mês, a Amazônia voltou a ser pauta da revista Time praticamente pelo mesmo motivo das reportagens anteriores.

Neste mês, a Amazônia voltou a ser pauta da revista Time praticamente pelo mesmo motivo das reportagens anteriores: sua destruição inexorável pelos irresponsáveis brasileiros, sendo que agora adicionou-se um fator agravante à preocupação ambiental, a produção de biocombustíveis para a satisfação de um público consumidor planetário. A edição européia da revista trouxe em sua capa uma espiga de milho rodeada por notas de dólares e o instigante título: O mito da energia limpa. O avanço da agricultura mecanizada sobre vastas áreas aos sul da Floresta Amazônica, considerado na matéria, é preocupante não somente do ponto de vista ambiental, mas, sobretudo, geopolítico, dada a atenção que revistas do porte da Time têm dado ao assunto, tanto pelo seu poder de informar como de formar a opinião pública de países de peso no cenário econômico e político mundial.
Mas a nós nos interessa o que efetivamente vamos consolidar como política pública voltada para a proteção das florestas tropicais amazonenses, especialmente aquelas inseridas no Arco do Desmatamento, ao sul do Estado, e para o desenvolvimento econômico e social da região em meio à polêmica da produção brasileira de biocombustíveis. Com a provável consolidação de um modelo brasileiro exportador de biocombustíveis, a pressão para a ocupação desordenada do nosso território aumentará exponencialmente, o que, em parte, vem acontecendo atualmente, à revelia das autoridades governamentais, com a expansão da pecuária de corte, que segue os passos da exploração ilegal de madeiras tropicais para o abastecimento dos grandes centros urbanos brasileiros, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo.
A oportunidade que se apresenta ao Amazonas neste momento é participar do esforço nacional para a produção de combustíveis a partir da biomassa, seja ela soja, cana-de-açúcar ou mesmo dendê sem, no entanto, deixar de lado os cuidados ambientais e sociais. Concorrem para este fim as terras já degradadas pela ação predatória de pecuaristas e as campinas naturais do sul do Estado, além de áreas florestadas que poderiam ser desmatadas exclusivamente para a plantação de culturas como o dendê (que oferece menos impacto ambiental).
Mas o ponto realmente em questão é se vale a pena o Brasil entrar em mais um ciclo econômico para satisfazer a interesses exógenos. O passivo social e ambiental de uma produção em larga escala de biocombustíveis deve pesar na balança na hora de se decidir por este modelo exportador de commodities e pela resistência às pressões externas. Não devemos esquecer que o cerrado brasileiro, o patinho feio dos biomas nacionais, paga um preço exorbitante pelo título de maior exportador de grãos do país, mas isso é encarado por todos como um dos percalços do desenvolvimento.
O que propomos efetivamente é o planejamento da produção integrada de alimentos e biocombustíveis para a satisfação das necessidades internas, o que daria uma nova dimensão à questão do desenvolvimento regional, evitando-se a escala gigantesca do modelo exportador, mas permitindo-se a construção de uma infra-estrutura industrial capaz de contribuir para dinamização da economia local. Esta proposta deixaria de lado o esforço do Brasil em se tornar o maior exportador de recursos energéticos provenientes da biomassa, que é, a nosso ver, a maneira mais fácil de reiterarmos a nossa subordinação aos países de capitalismo avançado.

Lançamento Edua
A Edua (Editora da Universidade Federal do Amazonas) realizou na semana passada o maior lançamento editorial da história amazonense: 18 obras, em sua maioria de autores locais, tendo como temática principal a Amazônia em seus múltiplos aspectos: econômico, social, ambiental, educacional, histórico e de produção industrial. O evento, prestigiado pela comunidade acadêmica amazonense, aconteceu na quinta-feira (24), no Auditório Eulálio Chaves, da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Presentes ao lançamento editorial coletivo o reitor da Ufam, Hidembergue Ordozgoith d

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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