De acordo com o titular da Semdel (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Local), o economista e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Jefferson Praia, a capital amazonense precisa desenvolver alternativas econômicas para o seu desenvolvimento, uma vez que os incentivos fiscais têm data programada para acabar. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio, o secretário falou da necessidade de incentivar e consolidar o empreendedorismo local, os projetos de treinamento e capacitação, além de políticas para o desenvolvimento econômico manauense.
Jornal do Commercio: O papel da secretaria é estabelecer a política pública de desenvolvimento econômico do município. Nesse sentido, quais são as alternativas para a cidade daqui pra frente, uma vez que em 2023 se encerrarão os incentivos fiscais para o modelo ZFM?
Jefferson Praia: No fim do ano passado, a Semdel realizou o primeiro seminário de desenvolvimento econômico, tomando como referência exatamente essa data. Foi a primeira vez que o município discutiu a sua economia, e serviu para que tivéssemos uma percepção por parte das instituições sobre o olhar que têm sobre a nossa economia e uma visão para o futuro, a fim de viabilizar outras alternativas à nossa galinha dos ovos de outro, que é o PIM. No final, acabamos constituindo a conclusão de que é necessário fortalecer o pólo industrial, o empreendedorismo e a agricultura familiar.
JC: Mas há como manter um pólo industrial aqui sem os incentivos fiscais?
Praia: Acredito que, por mais que tenhamos avançado e estejamos percebendo outras alternativas econômicas, certamente teremos que lutar pela prorrogação dos incentivos para manter um número elevado de empresas na cidade. O que não podemos fazer é chegar lá sem avançar em outros pontos.
JC: E como deverá ser o processo de fortalecimento?
Praia: Precisamos fazer com que empresas venham para o PIM produzir componentes, consolidando as cadeias produtivas. Quanto mais as fortalecermos, como as do pólo de duas rodas, dificilmente as de bem final sairão daqui.
JC: Mas há outras regiões do país também lutando para atrair empresas e questionando o modelo local. Além disso, temos um grande problema que é a questão da logística. Como atraí-las?
Praia: Temos vários argumentos. Temos um Estado, que é o maior do Brasil, dentro da Amazônia, com o menor índice de desmatamento dos Estados da Amazônia brasileira. E isso tudo, certamente, graças ao PIM, que tem feito nossa economia funcionar. Se não tivéssemos esse pólo, nossa realidade seria, talvez, parecida com a realidade do Pará, que precisou buscar outras alternativas. Temos que colocar isso para o Brasil e para o mundo, para que possamos manter o pólo daqui funcionando com os incentivos. Precisamos dizer a todos que precisamos que comprem nossos produtos para segurarmos essa floresta. Precisamos alimentar nossa gente.
JC: A aposta então é mesmo nas empresas de componentes. O distrito de micro e pequenas indústrias do Pólo Industrial de Manaus é parte dessa aposta?
Praia: É um exemplo, sim. Trata-se de uma parceria com diversas instituições, entre as quais destacamos a Suframa [Superintendência da Zona Franca de Manaus], que nos doou o terreno de 16 hectares que vai acomodar 37 galpões medindo 15x40m, que poderão acomodar dezenas de empresas. Certamente, será fundamental para o fortalecimento da nossa economia. Hoje, as empresas que mais estão discutindo conosco o projeto são as que produzem peças e partes para a Moto Honda. Assim, vamos fortalecer ainda mais essa cadeia de duas rodas, onde já somos muito bons. E isso é só um exemplo.
JC: A idéia é aglomerar essas pequenas indústrias em um único lugar?
Praia: Exatamente. Essas empresas estão nos bairros, em lugares inadequados, e já vendem para o distrito industrial. O que queremos é que fiquem nesse distrito, onde terão vantagens como redução de custos e em







