Empreender é saída no Estado

Em: 6 de julho de 2016

Com o fechamento de vagas em setores fundamentais da economia do Amazonas, como indústria e comércio, trabalhadores estão bem busca de boas alternativas para driblar o momento difícil que o país vive. Para muitos, a profissão do momento são os “bicos”, que somados a oportunidade e empreendedorismo se tornam a principal renda financeira. De acordo com o economista Marcus Evangelista, essa é a grande tendência do atual momento econômico.
“O que vem acontecendo é que muitos desses trabalhos artesanais se transformam em uma empresa. Como eletricistas, que buscam os anúncios para mostrar serviços de reparos elétricos ou mulheres que desenvolvem atividades de doces e vendem para amigas e familiares. Assim, acabam obtendo renda adicional e quando perdem o emprego fixo, utilizam esses conhecimentos para transformar o bico em renda principal”, explica Evangelista.
Foi o caso do trabalhador autônomo Walter Neto. De operador de máquina para o mercado da alimentação, ele encontrou no food truck -veículo estilizado e adaptado para vender refeições nas ruas -seu principal instrumento de trabalho. Depois de um ano na área industrial de Manaus, agora faz e vende sanduiches artesanais. A nova ocupação foi um “bico” que surgiu no início do ano e há três meses se tornou emprego fixo.
“Trabalhava no Distrito e em paralelo já atuava na área de vendas para complementar a renda familiar. Sempre planejei ser empreendedor e quando fiquei desempregado, resolvi investir no food truck que vem ganhando espaço na cidade. Mesmo com pouco tempo de mercado, a nossa média de lucro fica entre R$ 2 mil a R$ 8 mil por mês”, conta Neto. Ele foi mais um dos 14 mil trabalhadores que o Polo Industrial demitiu no primeiro quadrimestre de 2016, segundo a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
A frente do Moto Food Burguer (@moto_food_burguer), no Parque 10, Neto destaca que não basta só vender carne, mas qualidade para os clientes. Com ajuda do sócio e da esposa, o novo negócio vem crescendo e ajudou a criar a primeira edição do Amazon Food Truck. “A ideia é reunir de 30 a 40 empreendedores para promover esse tipo de segmento da alimentação de rua, como sanduiches, kikão, tortas e doces”, explica Neto. O evento terá atração nacional e deve acontecer de 12 a 14 de agosto, das 19h às 23h, na Ponta Negra.
Outro exemplo de quem aproveitou o tempo livre para correr atrás de uma renda extra, é a publicitária Sigrid Epifanio. Ela trabalhava no setor público do Estado e começou com o serviço de decoração e personalizados por fora. “Depois que engravidei resolvi adicionar uma segunda renda e foi fácil escolher, porque sempre gostei do ramo da decoração. Minha irmã montou a empresa, mas depois fiquei sozinha e fui tocando em paralelo com o outro trabalho, enquanto isso a demanda só aumentava”, conta. Desde maio de 2015, Sigrid assumiu a empresa de decoração Guida Ateliê de Sonhos (@guida_atelie) como emprego fixo.
Do escritório para os salões de festas, a flexibilidade no horário de trabalho foi uma das vantagens conseguidas pela publicitária. Para Sigrid, no entanto, o novo negócio exige maior responsabilidade. “O serviço deve ser sério, com amor e dedicação, porque você está lidando com os sonhos das pessoas”, ressalta. Segundo ela, com a crise as pessoas estão buscando por algo mais simples, mas sem deixar de comemorar. Quando precisa, contrata uma pequena equipe para ajudá-la com a produção dos materiais decorativos e na hora do transporte. Mesmo com atividades extras que deram certo, o economista Evangelista alerta quem quer investir em um novo negócio. “Além de desenvolver uma atividade criativa no mercado, procure algo com retorno substancial. Leve em consideração o cálculo de venda, ele tem que remunerar o custo da atividade que você está fazendo. O ideal é procurar órgãos, como o Sebrae que poderão dar direcionamento sobre o assunto”, finaliza.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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