A época agora é de chuvas e tempestades, mas a empreendedora Keila Toyoda sabe que depois dessas adversidades do tempo, o sol nasce, por isso não hesitou, em pleno período de raios e trovoadas, inaugurar um flutuante no rio Tarumã onde serve almoço e bebidas durante o dia todo, nos finais de semana e segundas-feiras.
Keila passou de funcionária a proprietária do flutuante. “Eu preparava os petiscos para os clientes, mas notava que o que eles queriam era almoçar. Quando o antigo proprietário desistiu do negócio, eu resolvi continuar. Mantive os petiscos, mas inclui peixes no cardápio, então vi a clientela voltar”, comemorou.
Sob a direção de Keila o flutuante, reinaugurado no dia 21 passado, ganhou outro nome, Ubá. “Eu nem sabia o significado da palavra, mas sabia que era indígena e bonita. Por isso a escolhi”, riu. Ubá é vocábulo da língua tupi-guarani. É o nome dado às canoas indígenas feitas numa peça só, do tronco de uma árvore. O flutuante de Keila é construído quase todo em madeira assentado sobre grossas toras de assacu.
A área onde fica o Ubá restobar é repleta de outros flutuantes, ao menos uns seis, mas nenhum explora o comércio de refeições como o de Keila. Eles são alugados, principalmente para quem quer passar um final de semana, ou qualquer outro dia, balançando ao sabor dos banzeiros do rio, ainda praticamente sem poluição naquela região com a mata pouco tocada
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“Os pratos servidos aqui são todos à base de peixes: tambaqui, pirarucu, jaraqui, pacu, sardinha e tucunaré, fritos ou assados, só costelas ou lombos e filés, com acompanhamento de baião, arroz, vinagrete e farofa, e ainda temos iscas, sobremesas e vários tipos de bebida”, listou.
“Ainda que o flutuante seja um local para receber os clientes nos finais de semana, quando as pessoas preferem o sol, chuvas não são um problema porque elas vão e vem. Depois quando chove também fica gostoso estar aqui, tomando um banho de rio, porque as águas se tornam mornas. Acho até que isso é um atrativo a mais. Eu sou suspeita pra falar, mas até agora não vi ninguém reclamar por isso, ao contrário”, falou.
Chegar ao Ubá Restobar já faz parte da diversão. A partida é da marina do Davi, em voadeiras que ficam no local. A passagem custa R$ 5, por pessoa, mas pode ser negociada se for uma família ou um grupo de amigos. A viagem da marina até o flutuante dura uns dez minutos. O Ubá está localizado na foz do Tarumã, onde ele desemboca no Negro. Funciona de sexta a segunda-feira, das 10h às 18h e tem capacidade para 50 pessoas sentadas.
Contatos: Keila (92) 9 9448-1086 e Salim (lancha) (92) 9 9444-8675
Café, restaurante e bar em um só ambiente
Outra empreendedora, também proprietária de um flutuante, é a parintinense Soraya Cohen, dona do famoso flutuante da Soraya, localizado no lago Macurani, na ilha Tupinambarana. Mas Soraya abriu um novo empreendimento, e em Manaus, há apenas uma semana, o Beer Sheva, mistura de café, restaurante e bar. “Para cada horário, um cardápio diferente”, adiantou.
Soraya é acostumada a servir em seu flutuante, cerca de 600 refeições/dia durante o Festival Folclórico de Parintins, “mas esse boom de movimento é só naquele momento, diferente daqui que não terá essa quantidade toda de clientes/dia, mas será o ano inteiro”, esclareceu.
Beer Sheva é uma alusão ao Be’er Sheva, o poço do juramento judaico, o qual, acredita-se, tenha sido cavado na época de Abraão e do rei Abimeleque, e eles tenham se servido de sua água. “Fiz uma consulta ao rabino para saber se podia usar as palavras sagradas no meu estabelecimento, até porque o Be’er foi transformado em Beer (cerveja em inglês), e ele disse que não tinha problema”, contou.
O Beer Sheva abre às 7h servindo café da manhã. “É mais que um café regional. Tem um pouco do café de hotel, pois trabalhei muitos anos na rede hoteleira. Tem pãezinhos variados, bolos, iogurte, grãos e os famosos X. O X Beer Sheva é o que tem mais saída. Leva tucumã, queijo coalho, banana pacovã, carne de sol defumada, ovo”, listou.
No horário do almoço, além do prato executivo, que custa R$ 10, “temos como carros-chefes os escondidinhos de macaxeira e de piracuí e vários pratos com tucupi: tambaqui no tucupi, pato no tucupi. Tucupi é uma ‘coisa’ bem paraense e nós, de Parintins, mantemos uma ligação culinária muito forte com o Pará. E temos torta de piracuí, entre outros”.
Das 15h às 17h começa o happy hour do Beer Sheva. “Aí servimos os petiscos, com destaque para os bolinhos de piracuí”, riu. “Isso também é herança de Parintins. O tacacá que servimos aqui é o tacacá servido em Parintins. É diferente dos daqui porque leva mais tempo fermentando. Por isso é mais saboroso”, ensinou.
“Atualmente estamos abrindo até as 17h, mas à medida que os clientes forem nos conhecendo, e houver demanda, vamos ampliando esse horário. Os artistas dos bois, por exemplo, estão interessados em fazer confrarias aqui. Eles trariam seus amigos e fãs para noites regadas a muita toada”, adiantou.
O Beer Sheva funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, na rua Ferreira Pena, 535, esquina com rua Silva Ramos, em frente ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e possui três ambientes. O espaço da entrada e, no andar superior, um reservado e um longe, onde os clientes podem desfrutar de várias bebidas disponibilizadas no cardápio. “Como estamos localizados ao lado do TRT, recebemos muitos clientes de paletó e gravata, advogados e até juízes, mas não somos e nem queremos ser um espaço de elite. Todos os clientes são bem-vindos”, garantiu. Os três ambientes reúnem 60 lugares sentados. “Ainda não temos o serviço de delivery, mas fazemos ‘festas prontas’ para até 20 pessoas, em escritórios aqui das redondezas. Disponibilizamos vários combos e o cliente escolhe o que desejar”, disse.
Contatos: Soraya (92) 9 9335-1842







