Setor em franca expansão, a construção civil vem demandando cada vez mais uma mão-de-obra qualificada e especializada em áreas como, por exemplo, acabamento, hidráulica, revestimento, assentamento e soldagem.
O número de empregos desse setor deve crescer 15% no Amazonas até o fim do ano e atingir a marca de 20 mil vagas, informou o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria de Construção Civil do Amazonas), Joaquim Auzier. De acordo com diretor do Sintracomec (Sindicato dos Trabalhadores na Montagem e Construção Civil do Amazonas), Márcio Rocha, a construção civil é um setor que vem obtendo destaque crescente e tem empregado cada vez mais, mas a mão-de-obra qualificada ainda é insuficiente para atender ao mercado local. “Para solucionarmos esta escassez, firmamos parcerias com órgãos como o Senai, para que cursos profissionalizantes fossem oferecidos para a categoria”, disse Rocha.
Estratégia de qualificação
Segundo a direção do sindicato da categoria, investir na mão-de-obra é uma estratégia que as construtoras adotaram para evitar o risco de ficar com a obra parada por falta de profissionais. Nesse contexto, as construtoras adotaram ações para buscar ou manter os melhores profissionais dentro do seu quadro, como treinamentos e melhor remuneração.
Rocha destacou também que muitas construtoras são obrigadas a trazer profissionais de outros Estados para atuarem nas centenas de construções que estão sendo edificadas na cidade. “Isso tem aumentado expressivamente os gastos das empresas do ramo, porque, além de salários, elas também têm de arcar com as despesas de seus colaboradores, como moradia.
Operários têm aulas no canteiro de obras
“Cerca de 10% das vagas ocupadas no setor são ocupadas por profissionais de outras localidades”, pontuou Márcio Rocha.
No entendimento deste dirigente, a procura por profissionais se tornou um dos grandes gargalos para as construtoras na região. Sobre o número de contratações de técnicos e especialistas, é comum as obras divulgarem placas mostrando que estão à procura de trabalhadores para atuarem nas diversas áreas da construção.
Na busca de solucionar esse entrave, o Ciet (Centro Integrado de Educação do Trabalhador Professor Demóstenes Travessa), em parceria com o Sinduscom-Amazonas e Sintracomec, tem oferecido cursos para atender o mercado de construção civil, que deve crescer 15% até o fim do ano.
“Estamos buscando qualificar os profissionais desta área para atender à alta demanda da mão-de-obra nas empresas de construção civil do Estado”, informou o diretor em exercício do Ciet, Eduardo Matos.
Entre os cursos promovidos pelo Ciet, estão Informática, Revit (AutoCad 3D), Leitura e Interpretação de Desenho na Construção Civil, Metrologia, Pintor de Obras, Eletricista, Pedreiro, Telhadista, Instalador Hidráulico, Assentador Cerâmico, Montador de Estrutura Básica (perfis e forro pvc), Tecnologia da Construção a Seco (Gesso acartonado), entre outros.
Como as edificações têm prazo para serem concluídas, Eduardo Matos também informou que alguns cursos são ministrados nos canteiros de obras aos trabalhadores que ficam impossibilitados de comparecerem às aulas naquele centro. O Ciet é uma escola do Sesi (Serviço Social da Indústria) e Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional) voltada à construção civil. Sua área de atuação abrange também madeira/mobília, minerais não metálicos e Gestão. “A principal proposta do Ciet é capacitar à mão-de-obra para o setor da construção civil e desenvolver ações vinculadas ao PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat)”, destacou Matos.
O diretor do Ciet informou que a instituição pretende formar até o fim do ano 3.000 profissionais da construção, número 87,5% maior que no ano anterior quando apenas 1.600 profissionais passaram por treinamentos. O diretor do Sitracomec prevê que, se o número de cursos continuar elevado, somente a partir de 2010, o número de trabalhadores atenderá ao avanço do mercado de construção civil no Amazonas.
Portanto, mesmo investindo em cursos e treinamentos, a área de construção pode ter ainda mais dois anos de déficit em recursos humanos.







