Empregos formais avançam no Amazonas com volta ao nível pré-crise

Em: 26 de março de 2019
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A geração de empregos formais no Amazonas acelerou em fevereiro e fez o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) registrar seu primeiro levantamento com dados positivos gerais para o Estado em todas as frentes, conforme divulgação desta segunda-feira (25).

Em relação a janeiro, o saldo avançou 0,32%, em virtude da geração de 1.425 empregos. Esta foi a diferença entre as admissões (10.973) e desligamentos (9.548) no período. Em 12 meses, as contratações (138.061) também superaram as demissões (130.468), levando o Estado a abrir 7.593 vagas no período e crescer 1,73% sobre o estoque anterior.

O aquecimento de fevereiro foi suficiente para tirar o acumulado do vermelho. Um total de 23.026 trabalhadores amazonenses ingressaram no mercado formal de trabalho e 22.155 deram baixa na carteira, no primeiro bimestre. O incremento foi de 871 postos de trabalho, gerando alta de 0,20% em relação ao estoque anterior.

A indústria de transformação (+866) foi o setor econômico do Amazonas que gerou mais vagas formais entre janeiro e fevereiro, seguido por serviços (+724). Na outra ponta, o comércio (-343) foi o que mais enxugou empregos. Já a construção civil (+1,38%) foi a atividade a apresentar a melhor alta percentual, ao passo que a agropecuária (-3,78%) obteve a pior.

Em 12 meses, a maior variação percentual foi registrada pela atividade de construção civil (+3,02%), seguida por serviços (+2,80%) e comércio (+2,39%). A menor veio dos serviços industriais de utilidade pública (-3,23%). Coube ao setor de serviços o maior saldo de empregos (+5.769) nesse tipo de comparação e à indústria de transformação (-880), o menor.

No ano, o maior crescimento também veio da construção civil (+2,91%), em contraste com o setor de agropecuária (-11,10%), que registrou o menor. A indústria de transformação obteve desempenho superior neste cenário e registrou o segundo melhor saldo de postos de trabalho (+1.145), perdendo apenas para serviços (+1.522). O comércio, em contrapartida, perdeu 1.842 vagas no primeiro bimestre de 2019.

Retomada e medidas

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, avalia que os números do Caged refletem um certo otimismo dos agentes econômicos em face das perspectivas de mudanças, apesar dos desafios que ainda permanecem no caminho do país. O dirigente ressalva, contudo, que a retomada das atividades, contratações só virá de fato após o encaminhamento das medidas do governo federal no Congresso.

“Poderíamos estar em situação melhor, se houvesse mais celeridade nesse encaminhamento. Já vemos um crescimento no polo de duas rodas e uma boa sinalização nos segmentos de áudio e vídeo. Mas, nossa atividade está muito ligada ao consumo que, por sua vez, depende do retorno dos investimentos e empregos. E estes só virão mesmo com a aprovação das reformas”, afiançou.

Reforma Trabalhista

No entendimento do presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o bom desempenho do setor de serviços se deve principalmente às mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista – em especial o trabalho intermitente – e a Lei de Terceirização.

“O setor de serviços demorou a reagir, mas já está respondendo à melhora do cenário para as empresas, graças à redução dos custos trabalhistas. Um destaque vem do setor de alimentos, que está aumentando muito as contratações de profissionais”, destacou.

O dirigente salientou, no entanto, que, embora o comércio também tenha se beneficiado, a mudança não foi tão forte para o setor, que trabalha em dinâmica diferente. “O varejo e a indústria ainda não refluíram o suficiente para sair em definitivo do campo negativo. Enquanto não houver uma sinalização melhor no terreno macroeconômico, os números vão continuar oscilando”, asseverou.

Retomada da confiança

O presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas), Frank Souza, concorda que as mudanças nas regras da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) e a maior abrangência da terceirização dos serviços alavancou a atividade, assim como outros fatores.

“Juros e inflação continuam estáveis, o que facilita o financiamento. O déficit habitacional da região ainda é alto e o setor está crescendo, graças à retomada da confiança do consumidor e do empresário. Tivemos, inclusive, o lançamento de um empreendimento do Minha Casa, Minha Vida por estes dias. E o segmento de obras públicas voltou a aquecer”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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