O novo prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante) está intensificando o diálogo com o setor produtivo. Nesta terça (12), ele participou de sua segunda reunião com lideranças da classe empresarial de Manaus, na sede da ACA (Associação Comercial do Amazonas). Na oportunidade, falou das políticas e ações empreendidas em sua administração, além de ouvir demandas e sugestões das lideranças do comércio, indústria, agricultura e serviços e representantes do comércio informal presentes. O evento ocorreu duas semanas depois de outro encontro do prefeito com empresários, ocorrido na sede da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus).
O prefeito falou de mobilidade urbana, limpeza urbana, cultura, saúde e educação. Os pleitos do empresariado focaram na segurança pública do Centro, medidas para garantir espaço físico para a expansão do PIM e desburocratização de serviços municipais. Renato Júnior anunciou que deve enviar à Câmara Municipal uma mensagem comunicando a criação de uma secretaria ou subsecretaria com foco em indústria e comércio – a exemplo do Mdic, no plano federal. A ideia é que anova pasta atue na interlocução para expansão fabril e simplificação de processos para acelerar a abertura de empresas, além de ampliar o volume de negócios, empregos e arrecadação.
O presidente da ACA, Bruno Loureiro Pinheiro, abriu a reunião lembrando que a Associação Comercial do Amazonas é pioneira na representação do setor produtivo estadual, tendo começado a atuar em 1871, tempos de Brasil Império e Ciclo da Borracha. “Nossa entidade é a oitava mais antiga do Brasil. Aqui, foram fundadas mais de 20 instituições, federações, associações, conselhos e a própria Junta Comercial do Amazonas. E aqui também nasceu o projeto da Zona Franca de Manaus. E os dez primeiros anos de ZFM foram intensamente de comércio, que ajudou a trazer a indústria para cá”, frisou.
“Tarefa difícil”
O prefeito Renato Junior abriu sua apresentação fazendo elogios às reformas do prédio da histórico da ACA e ressaltando que veio disposto a aprender e trocar ideias com os empreendedores da cidade. Ao falar de sua gestão, disse que está intensificando o diálogo também com os camelôs, para “melhorar a situação do comércio” dentro do ordenamento urbano, e procura melhorar o ambiente de negócios na cidade. “Não vou dizer a vocês que é uma tarefa difícil, tendo a carga tributária que temos e a burocracia. Digo isso porque também sou empresário, fora do cargo de prefeito”, destacou.
Ele observou que o fato de Manaus abrigar o PIM traz ganhos e dificuldades para o poder público municipal. “Quem cuida do transporte coletivo e da UBS do trabalhador, e da creche e escola para seus filhos, é a prefeitura de Manaus, que só fica com 2% da arrecadação. No Distrito Industrial há oito invasões, mas quem deveria cuidar da área da Suframa é o governo federal. E a administração municipal não pode fazer reintegração de posse”, lamentou, acrescentando que pretende criar uma subsecretaria ou uma secretaria para cuidar desse tema, com a meta de garantir que a ZFM não fique sem terreno para crescer, sem que haja necessidade de ampliar a área urbana da cidade.
Renato Junior enfatizou que, antes de viver em um país ou Estado, as pessoas vivem nos municípios, geridos por administradores públicos que têm de cuidar da cidade e do cidadão. A questão, segundo o prefeito, é que a capital é “uma ilha” com 2.300.000 habitantes e 1.030.000 veículos, sendo que até 6.000 veículos novos são colocados mensalmente em circulação “nas mesmas ruas de 50 anos atrás”. Como resultado, a mobilidade urbana sofre, em paralelo com a expansão dos transportes por aplicativos, a perda de usuários no transporte público e o consequente aumento do peso dos subsídios municipais para o sistema (R$ 42 milhões por mês) – que poderiam ser canalizados para investimentos.
O prefeito lembrou que Manaus continua atraindo muitos migrantes, não apenas do interior, mas também de muitas partes do mundo, em busca de oportunidades. Focam na pujança e no faturamento bilionário da ZFM. Mas, conforme Renato Júnior, essa população demanda também serviços públicos – e, no limite, subsídios – bancados pelo orçamento do poder municipal. Em paralelo, em um ambiente econômico de orçamentos familiares corroídos por dívidas, parte desse público acaba alimentando a indústria de invasões atuante na cidade. “O valor arrecadado de IPTU chega a R$ 450 milhões por ano e a gente paga R$ 500 milhões, só com coleta de lixo e aterro sanitário”, pontuou.
Renato Júnior disse que está investindo na educação, na escola, na primeira infância, na creche, na conscientização. Mas enfatizou que, antes de tudo, está buscando focar nas soluções. “Me ajudem, me deem conselhos. Vou chamar equipes e, inclusive, criar um núcleo de desburocratização para atender as empresas que geram emprego e renda na cidade. Isso já vou lançar ainda esse ano. Acabei de falar isso, duas semanas atrás em outra reunião. Porque eu sei que não é fácil ser empreendedor com esses desafios que tem. Fizemos algumas coisas no Centro e ainda faltam ser feitas muito mais. Mas, se todo mundo der as mãos, a gente consegue fazer uma cidade melhor”, afiançou.
“Ponto de partida”
Indagado pela reportagem a respeito de suas considerações sobre a reunião com o prefeito, o presidente da Fieam, Antonio Silva, ressaltou à reportagem a importância do estreitamento do diálogo entre poder público e iniciativa privada. “O prefeito Renato Júnior fez uma pequena prestação de contas de sua gestão, assim como detalhou os desafios enfrentados pela prefeitura, por conta do crescimento de Manaus. Mas, e prontificou a escutar as demandas, em conjunto com as entidades de classe”, comentou.
O presidente da ACA foi mais além. “Destaco como principais pontos de vista do prefeito apresentados nesta reunião a atenção que ele está dando ao setor produtivo, incluindo comércio, indústria, serviços, profissionais liberais e ambulantes. Ele pôde falar um pouco dos seus projetos e também ouvir a demanda de todos os setores. Acho que isso é importante para ele iniciar a sua gestão na prefeitura de Manaus, já conversando com quem gera emprego, renda, impostos. E também tentando destravar e melhorar o ambiente de negócios em Manaus”, salientou.
O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, disse à reportagem que o encontro foi positivo. “É importante esse relacionamento com o prefeito, porque existem vários assuntos que mexem com a categoria e a economia, sendo importante estabelecer um diálogo. O comércio precisa de um pouco de atenção dos órgãos governamentais, principalmente no fator de segurança. O Centro vive um momento difícil. A reunião foi um ponto de partida e a Fecomercio-AM vai fazer uma agenda para conversar vários assuntos com o prefeito. Inclusive os acidentes envolvendo motocicletas, que respondem por 37% do total. Manaus precisa de vias exclusivas e bem disciplinadas para esses veículos”, concluiu.







