As obras do monotrilho ainda nem foram licitadas, o que deve acontecer neste mês, mas já se fala numa especulação comercial ao longo dos 20,2 km do traçado. A expectativa do governo, baseado em estudo, é que sejam incrementados todos os negócios e atividades econômicas existentes e que surjam novas atividades e negócios no trajeto onde vão ser construídas as nove estações.
Dirigentes do comércio e da construção civil ainda têm dúvidas quanto à viabilidade do projeto, admitindo desconhecimento sobre o novo sistema integrado, solução de consenso definida entre o governo do Estado e a Prefeitura Municipal de Manaus para a melhoria do transporte coletivo da cidade. O desembolso para o projeto é da ordem de R$ 1,3 bilhão, dos quais dois terços devem ser de recursos públicos.
O assessor de Infraestrutura da Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico), Manoel Paiva, que inclusive faz parte da equipe do governo do Amazonas envolvida no projeto de Mobilidade Urbana de Manaus para a Copa de 2014, explicou que o Projeto Básico de Engenharia já foi concluído e está disponível para licitação na CGL (Comissão Geral de Licitação), enquanto o EAS (Estudo Ambiental Simplificado), o EIV (Estudo de Impacto de Vizinhança) e o EPT (Estudo Prévio de Tráfego) se encontram em processo de finalização, análise e aprovação.
O trajeto do monotrilho liga a Cidade Nova (Terminal Jorge Teixeira), passando pelo Hospital Francisca Mendes, Terminal da Cidade Nova (T3), Terminal Manôa, Rodovia Torquato Tapajós (Terminal Santos Dumont), Av. Constantino Nery (Terminal da Arena da Amazônia), Terminal São Jorge, Terminal Constantino Nery e Centro Histórico de Manaus, com nove estações de integração propostas ao longo do itinerário.
Setor imobiliário
Ao avaliar o traçado por onde vai passar o monotrilho o superintendente do Sinduscon/AM (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas), Claúdio Guenka, não descarta a possibilidade de que surja uma grande demanda de negócios para o setor imobiliário futuramente. “No primeiro momento, em função de serem áreas já consolidadas e de difícil expansão, o que pode ocorrer é a valorização. Se for o caso, dos imóveis já existentes. A não ser que ocorram oportunidades que permitam que investimentos se localizem a margem deste trajeto, com áreas apropriadas que permitam a consolidação de um empreendimento residencial ou até mesmo comercial”, ponderou.
Quanto aos tipos de negócios, Guenka, aponta que, caso venha a ser vislumbrada tal situação, podem ocorrer a implantação tanto de imóveis com características residenciais como comerciais. Por outro lado, o dirigente não descarta que poderá haver uma maior valorização imobiliária nas imediações do traçado dos imóveis já existentes. “Acreditamos que sim, visto que as condições de infraestrutura, principalmente no que tange ao transporte, contribui e muito para a valorização da localidade em razão, especificamente, das condições de acesso seja à residência, ao comércio e até mesmo às atividades ligadas a serviços, uma vez que fica mais “fácil” chegar ao local”, enfatizou.
Dirigentes da ACA (Associação Comercial do Amazonas) ainda não estão tão otimistas com relação ao projeto. O presidente da entidade, Gaitano Antonnacio, acredita que deverão surgir pontos positivos e negativos, levando em conta que alguns estabelecimentos comerciais situados ao longo do traçado poderão ser prejudicados em sua estrutura física ou até desativados quando iniciar o processo de construção das estações. Por outro lado, o dirigente não descarta que o projeto traga um retorno positivo para a cidade de Manaus (melhoria do tráfego). “Por enquanto não dá para ter uma ideia clara do que realmente vai acontecer”, disse.
Obra surgiu no rastro dos projetos para a Copa
Manoel Paiva explicou que a motivação desta escolha para o trajeto pode ser traduzido pelo altíssimo fluxo de transportes públicos no eixo norte-sul, por onde trafegam cerca de 60% dos ônibus da cidade, com picos de mais de 15 mil passageiros por hora entre 6h e 8h. Segundo o assessor o uso e ocupação urbana no entorno das nove estações provocará uma valorização comercial, patrimonial, urbanística e ambiental no seu entorno, como em todos os lugares do Brasil e do mundo que implantam estações nesse padrão urbanístico e funcional.
Quanto às vantagens operacionais do sistema, Paiva disse que também contribuirão diretamente para a valorização das estações, pois a frequência programada para os horários de pico, preveem intervalos de trens a cada cinco minutos no máximo, evitando aglomerações nas estações. “Os escritórios de serviços, comércios em geral, hotéis, hospitais, bancos, escolas e núcleos de lazer no entorno das estações apresentam-se como sucesso e fortalecimento natural”, explicou.
Novos empregos
Com recursos iniciais de R$ 600 milhões para o monotrilho e R$ 230 milhões para o BRT (Prefeitura), que estão sendo analisados pela Caixa Econômica Federal, as obras e devem gerar 11.000 postos de trabalho diretos e indiretos na construção, enquanto a operação do sistema deve gerar 300 empregos especializados.
Paiva avaliou que o monotrilho é uma alternativa viável diante do trânsito caótico de Manaus, fato que tem gerado uma série de iniciativas públicas favorecendo o transporte individual, como as vias do Prosamim (Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus) e a Avenida das Torres e a duplicação da Rodovia Torquato Tapajós. Entretanto, a este ritmo, é apenas uma questão de tempo para que os sempre mais de 3.000 emplacamentos mensais saturarem as novas vias.
Foi neste espírito que se iniciou em 2008, no âmbito do planejamento para a candidatura de Manaus à Copa de 2014, a série de estudos que levaram o governo do Estado à sugestão de implantação de um novo sistema de transporte público de passageiros. Esta foi uma das três grandes obras e/ou melhorias apresentadas à Fifa (além do estádio e do aeroporto) para a seleção de Manaus.







