Empresários e investidores do ramo de bionegócios, gestores de ciência, tecnologia e inovação de instituições do Amazonas e da França, além de pesquisadores e estudantes de biotecnologia estiveram frente a frente nesta quinta-feira (12), no Encontro de Bionegócios Amazonas-França. Além de discutir inovações praticadas nos dois mercados, a mostra serviu para que empresários apresentassem seus produtos, muitos deles, inovadores.
“O Encontro de Bionegócios Amazonas-França é uma excelente oportunidade para empreendedores locais mostrarem seus produtos e discutirem inovações que podem melhorar os processos fabris e ampliar mercados”. A opinião é do empresário Jorge Alberto da Silva, da Bombons Finos da Amazônia.
Segundo Jorge Alberto, o grande diferencial dos produtos fabricados na região é a utilização de insumos da Amazônia. “Utilizamos produtos regionais não só na produção, mas também nas embalagens artesanais”, justifica, lembrando que sua empresa usa material de artesãos de Manaus, área ribeirinha e de 11 etnias indígenas.
O evento busca contribuir para o crescimento do setor de bionegócios no Estado e promover a interação entre empreendedores, investidores e pesquisadores na área de biotecnologia aplicada à produção de fármacos, cosméticos e alimentos.
Novidade
Pela manhã foi assinado entre o titular da Secti-Am, Odenildo Sena e o secretário da Sect-Ac (Secretaria de Ciência e Tecnologia do Acre), Marcelo Minghelli um acordo que irá implantar no Estado vizinho a plataforma SiON (Sistema de Indicadores Online de Ciência, Tecnologia e Inovação) que até então era exclusividade do Amazonas.
Painéis
Odenildo Sena estava otimista quanto aos resultados do encontro “As coisas não acontecem em eventos como esse. Aqui temos a chance de interação entre empresários, pesquisadores e gestores da área de inovação. A tônica do encontro é fazer com que essa gente consiga dizer o que faz e encontrar afinidades. Tivemos boas conversas girando em torno de temas comuns a todos.” Sena continua: “Sugeri em bate-papo com o diretor de CT&I da Natura que trabalhasse com microempresas presentes que tratassem de inovação, daqui podem surgir novos horizontes de pesquisa e é grande a expectativa de bons negócios.”
Pharmakos
Um dos participantes do painel “Inovação tecnológica na Pequena empresa da área de Fitoterápico e Fitocosméticos” foi o sócio proprietário da Pharmakos d’Amazônia, empresa que produz cosméticos e fitoterápicos totalmente produzidos na Amazônia, feitos a partir de extratos e essências naturais da região, Schubert Pinto, que iniciou o debate falando das dificuldades de se implantar inovação em pequenas empresas “nós nos intitulamos como o maior laboratório verde do planeta, mas só agora damos os primeiros passos. Falar em inovação é normal quando se trata de empresas do porte da Natura e outras, mas como investir em pequenas empresas? Nós tentamos isso e o nosso diferencial é que, por sete vezes fomos premiados pela Finep, no ano passado levamos por Inovação Sustentável.” conta Schubert.
O empresário ainda comentou sobre entraves que dificultam a inovação para os pequenos “as dificuldades burocráticas são colocadas de antemão, tenho um trabalho de pesquisa emperrado por falta de autorização, queriam saber qual seria nossa colaboração social. Ora, quem deve colaborar com o social são as grandes empresas e instituições, como as universidades e as secretarias de governo.”
O sócio da Pharmakos d’ Amazônia ainda traçou o caminho árduo das pequenas empresas, explicando de maneira direta para os presentes as dificuldades de se colocar um produto inovador no mercado “começamos com a observação que nos dá o ‘start’, depois precisamos provar que a idéia é economicamente viável para então partirmos para PD&I, depois há ainda o departamento regulatório, o ‘scale up’(etapa crucial do processo de inovação. É a fase em que os experimentos que foram realizados em laboratórios são avaliados para produção em escala industrial e que costuma ser um dos maiores gargalos) e só então chegamos a comercialização. É um longo caminho.” disse Schubert.
No caso do segmento brasileiro de biotecnologia –em que mais de 70% das empresas são pequenas e médias –a fase de escalonamento acaba sendo um gargalo para que os avanços do conhecimento acumulados pelos pesquisadores brasileiros possam sair do papel e do laboratório e chegar aos mercados nacional e internacional, ou seja, para que o conhecimento tecnológico se torne efetivamente uma inovação tecnológica.
Bombons Finos da Amazônia
A empresa está no mercado há mais de 10 anos. Sua especialidade são bombons e trufas com recheio de frutas regionais, dentre essas cupuaçu, castanha-da-amazônia, açaí etc.
Seus produtos são embalados com material orgânico que tem como base casca frutos, sementes e resíduos de madeira.
O evento foi promovido pelo governo do Amazonas, por meio da Secti-AM (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação), Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado Amazonas) e Embaixada da França no Brasil.







