O país vive um novo momento de boom nos negócios de tecnologia e internet, com centenas de empresas inovadoras surgindo e disputando o capital de investidores ávidos por oportunidades com potencial de alta lucratividade. No Amazonas, um dos empreendedores que tem se destacado é o André Roberto Tapajós, proprietário da TAP4, que desenvolve aplicativos para smartphone e tablet. “Ao final de 2010 percebemos a enorme onda que estava se formando em torno do iPhone. O mundo inteiro de tecnologia estava voltando suas atenções para este produto revolucionário e encantador, que já estava direcionando os rumos do mercado e causando enorme agitação nos concorrentes. Analisando mais a fundo, percebemos que aquilo não era mero “fogo de palha”. Era algo realmente inovador que estava ganhando mercado de forma assustadora e que iria influenciar muitos negócios”, disse o empreendedor, que estará nesse domingo, dia 21, no programa Ponto de Equilíbrio, do Amazon Sat.
Ele lembra que nessa época possuía condições de montar uma empresa para trabalhar neste mercado. “E assim reunimos Mirel Pina, Luciano Nunes e André Tapajós para formar a Tap4 Mobile em 2011. Já em 2012, tivemos a entrada de mais um sócio: Olimpio Neto. Começamos a empresa numa mesa de reuniões, em uma sala de 9m2, no escritório jurídico do meu irmão Bruno. Ali começou o que hoje possui 35 funcionários, ocupa 200m2 e já tem clientes em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Manaus”, afirma Tapajós.
Em menos de 2 anos a TAP4 se tornou uma das principais empresas de desenvolvimento móbile do país, inclusive com prêmios e destaques pelos trabalhos desenvolvidos, entre eles, o prêmio de Microindustria do ano, da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas). “Até a Google dos EUA elogiou nosso trabalho”, comentou André.
Além dele, estará também no programa o empreendedor Gabriel Benarrós, criador da Ingresse, plataforma que atua na venda de ingressos com recurso de rede social. “A ideia surgiu de um problema que tive quando fui organizador de eventos na Califórnia, onde aluguei uma casa noturna para hospedar um baile que envolvia 7 dormitórios de Stanford. Na véspera do evento, uma das casas furou com a gente. Fizeram as contas errado e não poderiam mais participar do evento. Ficamos preocupados, pois de repente as contas não fechavam. Lembro que era uma diferença de $300, o que na época parecia uma quantia irrecuperável”, comentou.
Ele revela que foi quando teve então a ideia de vender ingressos para o evento. “Era um evento fechado, mas que tinha despertado interesse de muitos alunos. Colocamos então uma página simples no ar e os alunos começaram a comprar. Lembro que me senti conectado com as pessoas através do site do evento. Gostei da experiência e comecei a pensar se isso poderia ser feito em escala”, destaca o empresário.
Mercado e planos
André conta que a cidade possui profissionais talentosos e que, com certeza, várias empresas tecnológicas nascerão aqui. “Precisa reunir esse pessoal com o apoio correto e melhorar o nível de conhecimento em negócios para que tudo dê certo. No Brasil de hoje, com regras complexas tributárias e jurídicas, não basta ter talento na área técnica. É preciso conhecimento de Marketing, Contabilidade, Direito, Administração, etc. Uma empresa de sucesso é formada por pessoas com competências variadas. Onde um sócio é fraco, o outro é forte e por aí vai. Talvez por isso, no Brasil, os negócios morrem antes de 2 anos, na maioria dos casos”, apontou o empreendedor, que em janeiro se muda para Recife (PE), onde irá abrir uma filial da Tap4, no Porto Digital, o maior parque tecnológico do país, que congrega mais de 200 empresas de tecnologia e faturou, em 2011, mais de R$1 Bilhão. “Após isso, no segundo semestre, devemos abrir um escritório no Rio de Janeiro ou São Paulo. Os planos para aportar nos EUA ficam para 2014. Em Manaus estamos crescendo a equipe para 50 pessoas até dezembro. A empresa está crescendo muito rápido”, comemora.
Já Gabriel acredita que o mercado em Manaus ainda é muito restrito. “Um grupo pequeno de pessoas que proporciona 90% do nosso entretenimento, mas essas pessoas também são inovadoras e amam novidades. Por isso nos damos muito bem. O mercado é extremamente imprevisível, pois um organizador de eventos não sabe exatamente o retorno dele, até o último minuto. Organizar eventos não é para quem tem estômago fraco”, analisa o empreendedor.
Ele revela que os planos para a Ingresse é de crescer muito e mostrar o trabalho desenvolvido pela empresa aos organizadores de eventos no Brasil. “Estamos expandindo da nossa cidade piloto (Manaus) para o Sudeste. O plano é se tornar o lugar onde as pessoas encontram os melhores eventos da sua cidade”, adianta Benarrós, que espera que o mercado alcance um crescimento de 200% nos próximos 4 anos, em parte, devido as Olimpíadas e Copa do Mundo.






