Empresários souberam antes da “Estocolmo”

Em: 27 de novembro de 2012
Não foram apenas os empresários Waldery Areosa Ferreira e Vitório Nyenhuis que souberam antecipadamente da “Operação Estocolmo”, comandada pela delegada Linda Gláucia, na última sexta-feira (23), para desbaratar uma rede de exploração de adolescentes
Não foram apenas os empresários Waldery Areosa Ferreira e Vitório Nyenhuis que souberam antecipadamente da "Operação Estocolmo", comandada pela delegada Linda Gláucia, na última sexta-feira (23), para desbaratar uma rede de exploração de adolescentes

Não foram apenas os empresários Waldery Areosa Ferreira e Vitório Nyenhuis que souberam antecipadamente da “Operação Estocolmo”, comandada pela delegada Linda Gláucia, na última sexta-feira (23), para desbaratar uma rede de exploração de adolescentes, que eram agenciadas por “cafetões” e contratadas por eles para encontros amorosos. Pelo menos outros oito contratantes saíram de Manaus antes da ação, no início da semana passada. Todos estão arrolados no processo número 0225904-33.2012.0001, que corre em segredo de Justiça no Tribunal de Justiça do Amazonas.

Enrolado

Waldery Areosa é, sim, arrolado no processo, assim como o filho Waldery Junior. Conversas telefônicas mantidas por eles com dois dos maiores cefetões de Manaus foram interceptadas pela Polícia, com autorização judicial. E ao contrário do que disse na nota oficial que divulgou no último domingo (25), ele sabe exatamente do que está sendo acusado, assim como todos os outros empresários citados.

Problema

O nome da operação já indica o principal problema que as autoridades enfrentarão para conseguir a condenação destes empresários: a síndrome de Estocolmo faz com que as meninas, que seriam exploradas para a prostituição infantil e recebiam altas somas pelos programas, tenham a tendência de inocentá-los, por causa do envolvimento emocional que acabaram cultivando com os exploradores.

Disputa

Tudo indica que será grande a disputa pelas contas de publicidade da Prefeitura de Manaus, a partir da posse do prefeito eleito Artur Neto (PSDB). As atuais detentoras dos contratos, Mene&Money, Tape e Kintaw, já indicam que vão lutar para se manter, mas outras empresas que se envolveram na campanha do tucano vão defender a realização de nova licitação.
Expectativa

A possível ida da deputada Rebecca Garcia (PP) para o secretariado estadual e os convites que teriam sido feitos pelo prefeito eleito Artur Neto aos deputados Pauderney Avelino (DEM) e Henrique Oliveira (PR), para que compusessem seu secretariado, estão atiçando os suplentes. Até o vereador Marcel Alexandre (PMDB), quarto suplente da coligação que elegeu os dois primeiros, falava ontem da possibilidade de assumir o mandato.

Compensação

O mandato de deputado federal seria uma forma que Artur teria encontrado para compensar seu correligionário Plínio Valério, que contava com o apoio do prefeito para ser presidente da Câmara, mas tem visto suas chances se esvaírem com o crescimento de Bosco Saraiva. Com Rebecca no Estado e Pauderney na prefeitura, ele, que é terceiro suplente, assumiria, já que Eron Bezerra (PCdoB), disse que não troca a Secretaria de Produção Rural pela Câmara Federal.

Mais dois

E por falar em possíveis secretários, fontes ligadas ao prefeito eleito Artur Neto (PSDB) garantem que mais dois nomes devem formar a equipe da nova administração: Sandro Breval e Paulo Farias. O detalhe é que os dois foram auxiliares de Serafim Corrêa do PSB. Pelo jeito falta aparecer agora os indicados do DEM e do PR, partidos que apoiaram o PSDB no segundo turno.

Arredio

O presidente do TRE, Flávio Pascarelli, vai evitar comparecer à diplomação de todos os prefeitos eleitos que ainda têm pendências com a Justiça. Ele entende que, se fazendo presente nestas solenidades, pode dar munição à defesa dos réus em processos que tramitam em várias esferas judiciais. Por isso, por exemplo, ele não esteve em Coari, onde se elegeu o polêmico Adail Pinheiro (PRP).

Pôster

Manaus, assim como as outras 11 cidades-sede, já tem o seu pôster da Copa de 2014. O lançamento ocorreu, domingo (25), na parte externa do Teatro Amazonas. Além da peça que traz duas araras namorando ou dormindo em cima de um travessão, a festa contou com a alegria de Garantido e Caprichoso. Festa simples e importante, mas que não teve a presença daqueles que deveriam ser os mais entusiastas da Copa em Manaus: o prefeito Amazonino Mendes e o governador Omar Aziz.

Sem entusiasmo

Aliás, está faltando entusiasmo pela Copa em Manaus. Até parece que as autoridades gastaram toda a empolgação quando a cidade foi escolhida. A obras da Arena e do aeroporto vão de “vento em popa” e a grande parte da população não sabe disso. O pôster oficial é lançado e o povão não estava presente. Não seria hora de se lançar a marca também na periferia, nas escolas, nos centros de convivência e nos municípios da região metropolitana? E as campanhas na TV e nos outdoors? Fica a ideia.

Mobilização 1

E por falar em mobilização, o Rio de Janeiro deu ontem mais um exemplo de como se deve lutar pelos interesses do Estado. Juntou cerca de 100 mil pessoas, que foram para as ruas protestar contra o novo texto da lei que distribui os royalties do petróleo. As autoridades cariocas dizem que vão perder mais de R$ 70 milhões se o texto for aprovado, por isso, pedem que a presidente Dilma vete essa parte do projeto. O protesto envolveu além do governador Sérgio Cabral, o prefeito Eduardo Paes e vários artistas globais.

Mobilização 2

Enquanto isso, a Zona Franca de Manaus (ZFM) pode sofrer uma punhalada mortal dentro de três meses, na questão da nova lei sobre o ICMS, e ninguém está fazendo nada. Será que ninguém vai liderar algum movimento em prol da ZFM? E olha, só para lembrar, o modelo é responsável pela nossa atual sobrevivência econômica. Só isso. Está passando da hora de uma grande mobilização em Manaus e Brasília. União das bancadas estadual, municipal e federal. Depois, não adianta reclamar.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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