Empresas defendem modal rodoviário

Em: 9 de setembro de 2014
Fetramaz cobra conclusão das obras na BR-319 e na BR-163 para integração do Amazonas
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Fetramaz cobra conclusão das obras na BR-319 e na BR-163 para integração do Amazonas

A conclusão das rodovias BR-163 e BR-319 foi eleita pela Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transportes e Agenciamento de Cargas da Amazônia) como o projeto prioritário para integrar o Amazonas ao resto do país. Livre das questões ambientais, as obras estão pendentes apenas de boa vontade política, segundo especialistas.
De acordo com o representante da Fetramaz, Raimundo Augusto, a conclusão das duas rodovias, BR-163 (Cuiabá-Santarém) e BR-319 (Manaus-Porto Velho), poderá tirar o Amazonas do isolamento geográfico e integrá-lo aos demais Estados brasileiros por via rodoviária, sem onerar o orçamento da União. “Dentre tantos outros projetos, elegemos as conclusões das BRs-163 e 319 que estão pendentes apenas de boa vontade política para as suas conclusões, visto que aqui não há que se falar em preservação ambiental e seus decantados impactos”, defendeu.
Faz oito anos que o governo do PT decidiu asfaltar os quase mil quilômetros da BR-163 no Pará. A estrada ainda está incompleta, mesmo recebendo dotação orçamentária de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos. Segue com previsão para ficar pronta em dezembro de 2015. A rodovia, também conhecida como Cuiabá-Santarém, tem por principal função escoar a safra de grãos de Mato Grosso pelo Norte, via rio Amazonas, em vez de seguir para os portos de Santos e Paranaguá, ao Sul do país.
Representantes do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) saíram na sexta-feira passada (5) de Matupá, sentido a Santarém (PA), fiscalizando as obras de pavimentação da BR-163. Dos 900 quilômetros do lado paraense, cerca de 340 ainda não foram asfaltados, sendo necessárias 5 pontes de concreto, foram construídas 49 pontes neste trecho.
A BR-163 vem sendo asfaltada nos últimos três anos. As obras foram divididas em lotes entre as empreiteiras e o Exército fazendo a pavimentação. Os cronogramas de conclusão feitos pelo Dnit não se cumpriram. O último divulgado pelo órgão foi de que o asfaltamento será entregue em 2015.
A conclusão também está sendo cobrada pelo setor produtivo para agilizar escoamento da produção e reduzir custos com frete. Com o frete reduzido em 30% a rodovia é apontada, pelo setor produtivo, como vital para fortalecer o agronegócio nas regiões Norte e Médio Norte de Mato Grosso porque, via porto de Santarém, soja, milho, algodão, carne, madeira e demais produtos serão escoados via BR-163.
O vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan, explicou que a vistoria acontece, depois de um relatório apresentado ao DNIT, sobre as condições das obras e também supostas irregularidades. “Tem trecho que as obras estão paradas. Tem empresa que foi trocada e os trabalhos não andam. Há alguns trechos intransitáveis e em outros, os veículos precisam serem guinchados”, relatou.
O senador Alfredo Nascimento (PR) afirmou que a Rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, estará trafegável em até dois anos. “Recebi esta garantia da presidente Dilma Rousseff, após uma reunião em Brasília”, afirmou. O anúncio foi feito, na Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas), durante lançamento de campanha para liberação das obras da BR-319, liderada pelo deputado estadual Sidney Leite (PROS), no dia 22 de maio, deste ano.
Nascimento disse, ainda, que nos últimos seis anos a obra na rodovia não foi concluída por falta de liberação de licenciamento ambiental pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Minerais Renováveis). “Sempre que se apresentava o pedido de licenciamento, o Ibama encontrava algum defeito e disse que tínhamos que fazer novos estudos”, lembrou. O senador ocupou o cargo de ministro dos Transportes entre 2006 e 2011. Neste período, se licenciou do cargo em 2010 para concorrer ao governo do Amazonas.

Plano CNT
Para a Fetramaz o Projeto de Integração Nacional, contemplado pelo Plano CNT de Transporte e Logística, reflete os anseios daqueles que pensaram num Brasil igualitário, onde as oportunidades dentro dessa nação continental fossem ao menos contempladas com as condições de ligações rodoviárias dentre as suas diversas regiões. “Contudo, as ações exercitadas e até aqui alavancadas foram infelizmente, incipientes”.
Segundo Augusto, a maioria das obras foram apenas iniciadas e não atenderam nem a demanda, nem a expectativa do empresariado, principalmente do TRC (Transporte Rodoviário de Cargas). “Não considerarei os valores ali apontados por considerá-los audaciosos para a nossa atual economia, ainda que estejam tecnicamente corretos”, observou.
Ainda, segundo Augusto, um dos principais desafios nos próximos anos, é de que o Amazonas e a Amazônia tenham uma infraestrutura de transporte suficientemente competitiva, capaz de se igualar aos moldes encontrados, hoje, na Suíça, Dinamarca, Coreia, Turquia e Chile, em se confirmando as expectativas de que em 2020 o Brasil será o 5º maior mercado consumidor do mundo. “Com a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais cinquenta anos, urge que deixemos para trás os descasos governamentais para com a infraestrutura de todos os setores do transporte, principalmente com o TRC”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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