Empresas especializadas na coleta e beneficiamento de materiais recicláveis em Manaus faturam até R$ 500 mil por mês, apesar das perdas sentidas com a crise financeira mundial. O segmento, contudo, enfrenta redução no preço do material adquirido pelas indústrias que transformam a matéria-prima, seja plástico, papel, papelão ou alumínio em produtos finalizados e prontos para consumo.
O coordenador técnico e de logística da NAF Resinas, Edson Ferreira, comemora o bom desempenho da empresa. “Atualmente estamos faturando em torno de R$ 500 mil por mês e empregando 20 pessoas”, disse. A empresa compra resíduos plásticos de coletores independentes e recebe scraps (sobras) da produção de fábricas que trabalham com injeção plástica e, após beneficiar o material, vende o plástico para diversos fins industriais.
Ferreira explicou como algumas fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus) enviam os restos do processo industrial para a NAF Resinas reciclar o material. “Nós pegamos os resíduos na fábrica e modificamos sua estrutura física de acordo com a demanda da empresa que nos encomendou. Depois de modificada, a matéria-prima é revendida para a mesma fábrica que nos enviou. Dessa forma, mantemos o produto em circulação e diminuímos o acúmulo desses materiais em lixões, por exemplo”, informou.
Mas, o segmento também enfrenta problemas. Na firma Reciclagem Dois Irmãos, empresa de pequeno porte especializada na coleta de papéis, 12 empregados fazem o trabalho de captação e separação daquilo que poderá ser reaproveitado pela indústria gráfica. De acordo com o gerente Denyson Pontes, as empresas que trabalham somente com papel apresentam sérios problemas de lucratividade, como ele classificou. “Desde o início deste ano, quando a crise nos abateu, as empresas que compram o papel para fabricar produtos finalizados para o consumidor final baixaram o preço do quilo do papel drasticamente, impossibilitando o crescimento do segmento”, desabafou.
O quilo do papel era comercializado a partir de R$ 0,15 chegando a R$ 0,80 em dezembro de 2008. Neste ano, o valor caiu para uma faixa de R$ 0,05 a R$ 0,40, segundo Pontes. Ele informou que a empresa fatura em torno de R$ 90 mil por mês. “Com o atual preço do papel, está sendo inviável fazer novos investimentos da empresa, como adquirir maquinário para trabalhar a matéria-prima e fabricar um produtor acabado, ao invés de somente vender o material bruto”, declarou Pontes.
As empresas do setor consultadas pelo Jornal do Commercio informaram que o Amazonas não compra garrafas PET (politereftalato de etileno) recicladas e que tudo é vendido para as fábricas da região Sudeste do país. Por outro lado, empresas que trabalham com papelão e metais em geral disseram que encontram comprados locais, apesar de ter encomendas da Bahia, São Paulo e Minas Gerais.
A NAF Resinas informou que 25% da sua produção é vendida para São Paulo porque as empresas do PIM ainda não compraram a ideia de que produtos plásticos oriundos de fontes recicladas têm tanta qualidade quanto aqueles feitos da maneira tradicional. A empresa produz 230 toneladas de composto plásticos mensalmente. “Enquanto aqui sobra material, em São Paulo falta. Apesar do custo do transporte, conseguimos um bom retorno financeiro vendido lá”, finalizou Ferreira.
Brasil é líder mundial no segmento de alumínio
O Brasil é líder mundial na reciclagem de latas de alumínio há oito anos consecutivos, informaram a Abal (Associação Brasileira do Alumínio) e a Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade). Somente no ano passado, o país reciclou 91,5% do total de latas de alumínio para bebidas vendidas no território nacional. As duas associações confirmaram que 165,8 mil toneladas de sucata de latas são equivalentes a 12,3 bilhões de unidades, contabilizando 3,6 milhões por dia ou 1,4 milhão por hora. O volume coletado em 2008 foi 3,2% maior que o registrado no ano anterior, enquanto as vendas de latas de alumínio para bebidas cresceram 8,8% no mesmo período.
Material recebido
O setor da reciclagem de latas movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão, dos quais R$ 492 milhões foram para as mãos dos catadores, que lucram com a venda do material. A rede de reciclagem envolve 2.100 empresas, que se encarregam de transformar o material recebido e colocá-lo de volta no mercado de bebidas em um prazo inferior a 30 dias.







