Para Que servem as Teorias Administrativas? Normalmente passa despercebido, mas tudo o que é atualmente utilizado ou comentado por organizações bem sucedidas nasceu ou foi aprimorado a partir de modelos teóricos. Alguns se tornaram referência, outros ficaram obsoletos, assim como poucos se consideram revolucionários ou até mesmo catastróficos. Qualquer que seja a imagem que o modelo teórico possua, continuará sendo uma ferramenta para a gestão.
Modelos existem muitos, alguns com foco mais amplo, com a finalidade de contribuir com o planejamento estratégico organizacional partindo da alta cúpula sendo desdobrado até os níveis de execução, assim como os mais específicos focados na melhoria da gestão de áreas como produção, finanças, marketing, vendas ou pessoas. Na verdade, todos têm um ancestral comum, a Teoria Clássica, formada pelo pensamento de dois engenheiros de produção, afinal, no século XIX não havia a profissão de administrador, nem sequer existia a administração científica ou cursos superiores como nos dias atuais.
O americano Frederick Taylor foi o pioneiro ao analisar o processo produtivo, dividindo-o em fases ou tarefas (no futuro seria a base dos sistemas produtivos) a partir do estudo de tempos e movimentos, ou seja, observar a melhor maneira de executar estas tarefas no menor tempo. Com isso, conseguiu que as tarefas fossem executadas da mesma maneira em um espaço de tempo similar, independente de quem a executasse.
O trabalho de Taylor foi o precursor e a base, principalmente para a administração de produção, estimulando outros autores como Henry Fayol, a desenvolverem outras áreas organizacionais, ampliando a visão para a empresa como um todo e sua estratégia empresarial.
Fayol consolidou a Teoria Clássica com o modelo POC3 (Previsão, Organização, Comando Coordenação e Controle), simplificado pelos autores Neoclássicos para PODC (Planejamento, Organização, Direção e Controle), base para Modelos de Gestão em todas as áreas organizacionais. Os precursores embasaram-se em modelos práticos, criados pelos religiosos e militares registrados ao longo de séculos.
O exemplo de Henry Ford
Os autores clássicos são muito menos famosos que alguns dos seus sucessores, como Henry Ford, que popularizou os automóveis ao fabricá-los aos milhares. Ford tinha um bom produto? Hoje temos certeza que sim, mas, para os padrões da época, nem tanto. O automóvel deve ter sido algo que ao mesmo tempo em que encantava as pessoas, as assustava em igual ou maior intensidade. Se fosse realizada uma pesquisa em qualquer local civilizado do mundo em que Ford vivia, certamente se constataria que a primeira coisa que alguém pensaria caso precisasse se deslocar seria, provavelmente, carruagens ou cavalos.
O que tornou Ford um gênio em sua época? Conhecimento das teorias clássicas e do mercado consumidor. Ford é reconhecido por ter sido o inventor da linha de produção em massa e a Ford Motor Company é uma das empresas de maior longevidade no mundo. A invenção de Ford foi baseada na Teoria Clássica de Taylor e Fayol, não foi concebida para solucionar um problema de produção, e sim de marketing. Ao descobrir que os futuros clientes poderiam pagar por um carro, cerca de 500 dólares antigos, a maneira foi obrigada a reinventar o processo produtivo. A linha só existiu pela necessidade de aumentar geometricamente a escala de produção de automóveis e diminuir radicalmente o tempo de fabricação.
Ford foi um gênio sem duvida, mas, Taylor e Fayol foram mais do que isso. Acho que nem os próprios imaginariam que suas inquietudes e a busca pela produtividade pudessem semear progresso e desenvolvimento. As empresas devem muito aos precursores da administração. O que praticarmos hoje estará baseado no pioneirismo de cada um deles Boa semana, sucesso a todos.
Afrânio Soares é professor da
Universidade Federal do Amazonas
e presidente da Action Pesquisas de Mercado
Esta coluna é publicada todas as terças-feiras e elaborada
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