Energia solar (2)

Em: 29 de fevereiro de 2008
Uma viagem de férias impediu a publicação deste artigo na edição de domingo passado e por isso ele sai com um intervalo de uma semana, dando continuidade às minhas reflexões sobre o tema.
Uma viagem de férias impediu a publicação deste artigo na edição de domingo passado e por isso ele sai com um intervalo de uma semana, dando continuidade às minhas reflexões sobre o tema.

Uma viagem de férias impediu a publicação deste artigo na edição de domingo passado e por isso ele sai com um intervalo de uma semana, dando continuidade às minhas reflexões sobre o tema. Na realidade a questão da energia solar é usada muito mais como exemplo emblemático da importância do uso dos recursos naturais para geração de riqueza e bem estar em uma base de sustentabilidade que passa, obrigatoriamente, pelo uso de fontes alternativas para geração de energia térmica, elétrica e motriz.
Aqui no Amazonas a Embrapa, o Inpa e a Universidade Federal abrigam grupos de pesquisa e tecnologia em energia solar e de biomassa, inclusive com projetos demonstrativos que sequer são visitados pela “elite” que repudia a inteligência e o conhecimento científico. Essa repulsa se manifesta até subliminarmente como no caso em que o governo do Estado copiou o excelente “slogan” do Inpa 40 anos – “o conhecimento faz a diferença” – e fez um arremedo medíocre anunciando que “o trabalho faz a diferença”, uma afirmativa evidentemente inverídica, pois o que separa as pessoas e as nações é o saber e não o suor, tenha ele o cheiro que tiver.

A velha ojeriza

No período da borracha, muitos foram os alertas da intelectualidade baré para a necessidade de se cultivar racionalmente a nossa Hevea, mas os governantes da época deram pouca ou nenhuma importância para as advertências, e o resultado foi que a ciência e a tecnologia inglesa destruíram a mediocridade da crença em seringais nativos.
Um outro exemplo emblemático da ojeriza foi a destruição do Museu Botânico de Manaus (1883-1889), cuja sede era no Caxangá, um local que perdeu até o nome indígena para ser batizado com o péssimo apelido de Manaus Moderna, um local sem qualquer modernidade já que é sujo, fedido, sem lei e sem ordem, isto é, o oposto de uma cidade moderna.
No caso da energia alternativa (solar, eólica, cinética dos rios e de biomassa) a velha repulsa se perpetua, mas nesse caso a verdadeira razão tilinta em termos de lucros sonantes.

O caso do museu botânico

O Museu Botânico foi criado pela Princesa Isabel e entregue ao naturalista João Barbosa Rodrigues que, apesar de não ser monarquista, foi nomeado para a direção num exemplo típico de atitude nobre que sabe reconhecer o valor das pessoas, independente de suas convicções político-ideológicas.

O repúdio pelo conhecimento

Em 1889 o governador do Amazonas, Capitão Augusto Ximeno Villeroy, demitiu o diretor e extinguiu o Museu, que tinha uma coleção de mais de 10.000 peças botânicas e cerca de 1.200 objetos indígenas. O acervo científico foi jogado em algum lixão, só se salvando o acervo bibliográfico, transferido para o Gymnasio Amazonense, onde também teria se deteriorado se não tivesse sido repassado, em 1957, para o Inpa que mantém essas preciosidades em um setor especial de sua biblioteca.
Do acervo cientifico do Museu sobrou exatamente nada a não ser o ilustre nome de seu diretor que teve o reconhecimento da inteligência local sendo patrono de uma cadeira na Academia Amazonense de Letras ocupada, hoje, pelo botânico William Antonio Rodrigues. Já o tal governador não é sequer nome de beco.
Dos experimentos com a borracha também não sobrou nada. Um seringal na Vila Amazônia (Parintins) foi encampado pelo governo amazonense e abandonado sob o argumento de que não dava lucro, deixando para nós uma pergunta que não tem resposta: Se não dava lucro, porque foi encampado?
O outro exemplo foi o seringal plantado ali na estrada do Aleixo por Cosme Ferreira Filho que chegou a produzir 3 toneladas de látex (peso seco) por hectare, mas acabou abandonado por falta de incentivos oficiais.
Hoje, de novo, existem inúmeros trabalhos mostrando como usar nossos recursos naturais autóctones, mas o poder público insiste em usar organismos exóticos sem dar qualquer atenção para as espécies de nossa biodiversidade que, de tão desprezada, pode até ser chamada de bioadversidade.
A solução inteligent

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar