Energia & Tecnologia – Paixão por petróleo

Em: 7 de maio de 2008
Há várias semanas, temos acompanhado com relativa curiosidade o preço das ações da Petrobras na Bovespa.
Há várias semanas, temos acompanhado com relativa curiosidade o preço das ações da Petrobras na Bovespa.

Há várias semanas, temos acompanhado com relativa curiosidade o preço das ações da Petrobras na Bovespa, pois desde o fatídico pronunciamento do Diretor da ANP (Agência Nacional de Petróleo), não paramos de responder perguntas que são feitas a todo instante pelas pessoas que têm a sua vida guiada pelo petróleo. Paramos para refletir o que leva a humanidade a sacrificar: a população, a religião, a liberdade. Como no caso do Iraque, para ter o poder de explorar, vender, exportar o Ouro Negro. Só podemos imaginar que isso se compare a febre do ouro já vivida nos Estados Unidos ou aqui mesmo no Brasil com a Serra de Carajás. Tantas vidas perdidas e modificadas em relação a um meio de energia ou somente um combustível fóssil.
Esta paixão da civilização pelo petróleo não é de hoje, remonta há milênios. Mas no Brasil é coisa mais recente. O primeiro visionário foi Monteiro Lobato que sempre afirmou que existia o ouro negro no país. Monteiro Lobato mobilizou a consciência nacional e Ignácio Bastos fez jorrar petróleo em 21 de Janeiro de 1939 em Lobato, na Bahia. Com esta descoberta foi criado o Conselho Nacional do Petróleo e mais tarde a Petrobras.
A história do petróleo no Brasil não seria a mesma sem o Recôncavo Baiano. O primeiro campo comercial começou a produzir na cidade vizinha de Candeias, em atividade até hoje, com 1.800 barris diários. Durante 22 anos a produção de petróleo no Brasil localizou-se exclusivamente naquela região. A produção atualmente na região soma 51 mil barris/dia de petróleo e 5.300 metros cúbicos/dia de gás natural.
Em função do desenvolvimento industrial e da construção de rodovias que interligavam as principais cidades brasileiras, o consumo de combustíveis fósseis aumentou grandemente na década de 50. Então em 1968, a área de exploração atingiu Guaricema em Sergipe, o primeiro poço offshore (no mar) e começa a exploração de petróleo em águas profundas.

Águas profundas

A Bacia de Campos tem sido ao longo dos anos o alvo de intensas pesquisas com o principal intuito de exploração de petróleo e gás natural. Sua exploração tem se desenvolvido, ao longo dos anos, tanto em campos próximos da costa quanto em regiões do talude continental, considerado de águas profundas (entre 400 m e 1000 m) e ultra-profundas (superior a 1000 m). Alguns dos campos de exploração de maior potencial da Bacia localizam-se em águas ultra-profundas, como os campos de Albacora e Marlim.
A Bacia de Campos tornou-se a principal área de produção e extração de petróleo e seus derivados no Brasil, com trinta plataformas responsáveis por toda a produção da região, sendo 14 fixas e 16 flutuantes. Tais plataformas englobam 628 poços exploratórios e 537 poços de desenvolvimento que estão ligados a uma verdadeira teia de 1300 km de dutos submarinos e 2500 km de linhas flexíveis.
O grande desafio da Petrobras agora é extrair o óleo a 6.000 metros de profundidade. A estatal encontrou óleo leve – de excelente qualidade – a 6.000 metros de profundidade, na Bacia de Santos que é a Bacia que apresenta o maior potencial atualmente.
A Bacia de Santos deverá se transformar na principal opção ao esgotamento da Bacia de Campos. Confirmadas as expectativas de reservas gigantes de petróleo leve em águas ultraprofundas, Santos passará a ser a principal opção da estatal. Pois, encontra-se mais perto do mercado consumidor, com óleo de excelente qualidade e gás.

Camada pré-sal

Na Bacia de Santos, uma camada de sal com metros e metros de espessura separa os reservatórios de petróleo e gás das rochas e do material orgânico que geram os hidrocarbonetos. A crosta de sal, situada a cerca de seis mil metros, “prendeu” o óleo e o impediu de subir, ao contrário do que aconteceu na área da Bacia de Campos. Na Bacia de Campos, essa crosta de sal se rompeu durante a formação de montanhas como a Serra do Mar. A abertura da camada de sal em buracos chamados de janelas permitiu a constituição de importantes campos de petróleo como Marlim, Roncador, Marli

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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