Luciane Farias Ribas*
O mercado imobiliário cresceu muito nos últimos anos em Manaus, só na zona centro-sul da cidade, no segundo semestre de 2007, o número de empreendimentos praticamente dobrou. O crescimento no setor da construção civil em qualquer região sempre significa geração de renda e empregos. É um setor que utiliza vários insumos para a produção de uma edificação, e o aumento da demanda de materiais para a construção intensifica as atividades de extração de matéria-prima.
A construção civil necessita ainda de muito material de origem mineral, devido aos processos tradicionais de construção. Para se ter uma idéia, 60% do volume de concreto é material natural de origem rochosa, chamado agregado. O agregado mais usado na cidade de Manaus é o seixo rolado. É utilizado em substituição ao arenito, material rochoso de pouca profundidade, que há alguns anos, devido à extração indiscriminada, tornou-se escasso. Hoje, além das limitações impostas pelas leis ambientais, a extração de material pétreo é economicamente inviável devido à ocorrência desses materiais a elevadas profundidades.
O processo de extração do seixo também causa danos ambientais por alterar o leito dos rios e desmatar as margens. A intensidade de extração não respeita o tempo de reposição desse material, que em breve pode ter sua extração restringida. A areia também tem um processo de extração degradador, é extraída dos rios e do solo superficial, e sua aparente abundância ainda não causa preocupações. Porém não se pode esperar que se estabeleça um cenário ameaçador de escassez dessas reservas para se tomar uma atitude –quando isso ocorrer, o desequilíbrio no meio ambiente já atingiu proporções maiores.
Esses materiais são muito importantes para viabilidade de um empreendimento, os custos com seu transporte são também uns dos fatores limitantes. O seixo, por exemplo, é extraído das regiões do “Boca do Uatumã”, “Japurá”, “Novo Aripuanã” e ‘Madeira”, que ficam a mais de 500km de Manaus.
Em busca de uma solução sustentável
Não se pode desenvolver sem modificar o meio ambiente, mas é possível estabelecer uma relação de dependência que respeite o seu tempo reposição e sua capacidade de absorver os resíduos das atividades humanas. Essa nova forma de se relacionar com o meio ambiente chama-se sustentabilidade, essa é a única maneira de desfrutar dos benefícios naturais para o desenvolvimento da região.
A relação de sustentabilidade com o meio ambiente nada mais é que o homem estabelecer um ciclo de utilização dos recursos naturais que garanta a sua reposição. Na construção civil esta relação é possível com adoção de algumas práticas como: aplicação de processos executivos racionalizados, utilização de materiais duráveis, redução de perdas e reciclagem. Em Manaus, as construtoras já estão adotando alguma dessas práticas devido à concorrência, pois além de minimizarem o impacto ambiental, também reduzem os gastos com retrabalhos e remoção de resíduos.
A maioria das construtoras de Manaus possui algum nível de certificação de qualidade, mais ainda é pouco para garantir a redução dos impactos de suas atividades. Algumas encontram obstáculos como a qualificação da mão-de-obra, a qualidade dos materiais da região, e a mudança de cultura, que é um problema inerente ao setor. Porém a prática que vem se demonstrando mais aplicável é a reciclagem.
As empresas separam os resíduos como papel, metal, plástico e madeira e os destinam às empresas de reciclagem desses materiais. Essas empresas vêm ganhando espaço em Manaus e geram muitos empregos diretos e indiretos. Porém as construtoras amazonenses ainda descartam para o aterro sanitário da cidade o resíduo considerado mineral, por não se acreditar no potencial de reutilização dessa fração.
O material considerado mineral é constituído de fragmentos de tijolos, blocos cerâmicos, blocos de concreto, restos de argamassa e concreto. Algumas construtoras ainda tentam reutilizar essa fração mineral do resíduo de suas obras







