Engazupador Jair Bolsonaro, você é o cara

Em: 4 de abril de 2018
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O artigo conceitua a palavra MITO e apresenta os feitos de Jair Bolsonaro ao longo de sua trajetória militar e política.

Para o dicionário Aurélio de Português Online, MITO significa coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real. Olhando por este prisma, a alcunha de MITO ao presidenciável Jair Bolsonaro procede, pois ele tem sido um engazupador hábil em vender uma imagem que não condiz com a realidade, conforme explicado abaixo:

1º) tem excessiva ambição financeira e econômica
Segundo a “ficha de informações” elaborada em 1983 pela Diretoria de Cadastro e Avaliação do Ministério do Exército, Bolsonaro, quando tenente, aos 28 anos, deu mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de “garimpo de ouro, necessitando ser colocado em funções que exijam esforço e dedicação, a fim de reorientar sua carreira. Deu demonstração de excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente”. O fato aconteceu na cidade de Saúde, próximo a Jacobina (BA), durante as férias, em companhia de 3 tenentes e 2 sargentos paraquedistas. Ser ambicioso e almejar realizar-se financeiramente não são características ruins, no entanto, ter um perfil de excessiva ambição financeira e econômica torna-se muito perigoso porque correremos sério risco de ter mais um presidente defendendo interesses de empresas para enriquecer ilicitamente como os casos de Lula e Temer.

2º) é indisciplinado, desleal e violento
Um documento produzido pelo exército em 1987, protocolado no gabinete do então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, aponta processo contra Bolsonaro, onde ele reconheceu ato de indisciplina e deslealdade por ter divulgado um texto, sem autorização de seus superiores, com pedido de aumento salarial. Na época ele foi condenado por 3 coronéis que faziam parte de um conselho, no entanto conseguiu polemicamente a absolvição no Superior Tribunal Militar e a reserva com apenas 33 anos. O caso chama a atenção pelos motivos: a) primeiro: porque a condenação dele em 25/1/1988 foi unânime pelos membros do Conselho de Justificação: Coronel Marcos Bechara Couto (presidente), Tenentes-Coronéis Nilton Correa Lampert (interrogante e relator) e Carlos José do Couto (escrivão);
b) segundo: por conta da maneira sorrateira com que tentou “resolver” o problema de salário dos militares, por meio de envolvimento com a equipe da Veja para divulgar uma matéria no dia 3/9/1986, com o título “O salário está baixo”. Por conta disso, foi preso por 15 dias, o comandante da Brigada de Paraquedistas, coronel Ary Schitti Mesquita, justificou a prisão desta forma: “a de ter elaborado e feito publicar em revista semanal de tiragem nacional, sem conhecimento e autorização de seus superiores, artigo em que tece comentários sobre a política de remuneração do pessoal civil e militar da união”; e “a de ter ferido a ética gerando clima de inquietação no âmbito da Organização Militar”;
c) terceiro: por conta das outras matérias da Veja, na edição de 25/10/87, foi publicado artigo “Pôr bomba nos quartéis, um plano na ESAO” o qual afirmava que Bolsonaro e seu colega Fábio Passos, prepararam o plano “Beco sem saída” para explodir bombas em unidades militares do RJ. Bolsonaro na época afirmou que isso era uma fantasia. Para tentar comprovar, a equipe da Veja publicou em 4/11/87, a matéria “De próprio punho” reafirmando o conteúdo da reportagem anterior e apresentando o que parecia ser um fac-simile de 2 croquis, supostamente desenhado pelo Bolsonaro, indicando os locais de detonação das bombas. Bolsonaro mais uma vez negou e o caso gerou confusão dentro do Exército e do Governo Sarney.
d) quarta: que quatro exames grafotécnicos foram feitos sobre os manuscritos do plano, mas o resultado, pasmem, foi inconclusivo, pois dois apontaram a culpabilidade e dois apontaram a não culpabilidade dos envolvidos;
e) quinto: que o caso foi levado ao Superior Tribunal Militar, composto por 13 ministros, os quais na data de 16/6/88 se reuniram secretamente para julgar e por conta do princípio in dúbio pro réu, o resultado foi a não condenação do acusado por 9 a 4;
f) sexto: que o Exército encontrou uma maneira menos traumática de se livrar de vez de Jair Bolsonaro, seis meses depois, em dez/88, ele foi para a reserva remunerada com a patente de capitão, isso com apenas 33 anos de idade.

3º) é oportunista, sem coerência e usurpador
No mundo político além da deslealdade também percebemos alto grau de oportunismo de Bolsonaro. Já foi filiado do antigo Partido Democrata Cristão (88-92), depois saltou de paraquedas (coisa que é especialista) no PPR (93-95), no PPB (95-03), no PTB (03-05), no PFL (atual DEM-05), no PP (05-16), no PSC (16-17). Iniciou conversa e passou a perna no Patriotas e no Partido Ecológico Nacional (PEN), sendo que agora está no Partido Social Liberal (PSL).

4º) é um parlamentar caro mas aprova poucos projetos
Um deputado federal custa anualmente perto de R$ 2.148.074,83 (salário+ajuda de custo+cotão+auxílio moradia+verba de gabinete para funcionários). Jair Bolsonaro é deputado federal desde 1990, ou seja, 27 anos representando o falido povo carioca ao custo atualizado de R$ 57.998.020,41. E qual a produtividade dele diante do alto custo? Apenas dois projetos de lei aprovados até o momento.

5º) tem crescimento suspeito da evolução patrimonial
Equipe da Folha de SP realizou um estudo sobre a evolução do patrimônio de Jair Bolsonaro e seus filhos políticos, enviou uma lista com 32 perguntas a eles e até hoje a sociedade não recebeu respostas convincentes sobre o assunto. Se são honestos, não seria interessante fazer uma coletiva de imprensa para prestar contas dos mandatos e responderem às perguntas sobre o assunto?

6º) contrata familiares e funcionária fantasma
Apesar de dizer que age dentro da lei, várias matérias jornalísticas apontam que Jair tem revezado parentes no gabinete e seus filhos também seguem a prática, a saber: José Cândido Procópio: pai de sua 1ª esposa; Andrea Valle, a cunhada; Ana Cristina, a 1ª esposa. Outro caso interessante flagrado por reportagens foi o da servidora Walderice S. da Conceição que desde 2003 é funcionária de Bolsonaro, mas que trabalha em uma loja de açaí na mesma rua em que há uma casa de veraneio do deputado.

7º) no congresso é o 24º deputado mais gazeteiro de 2017
Outra pesquisa da Folha de SP sobre a assiduidade dos parlamentares presidenciáveis aponta que Jair fica em 1º lugar entre os presidenciáveis mais faltosos às sessões do parlamento, bem como o 24º deputado mais gazeteiro dentre todos os deputados da Câmara no ano de 2017;

8º) usa nome de Deus em vão
Diante da multidão usa nome de Deus, se afirma cristão, mas prega a violência, o fuzilamento, a ditadura, indo totalmente de encontro aos princípios do evangelho.
Finalmente, poderia discorrer sobre as 3 condenações na Justiça e sobre a farra das passagens aéreas para afirmar que Jair Bolsonaro você é o cara, mas de pau! Precisamos deixar de lado a paixão ideológica, o falso moralismo, conhecer o artigo 84 da constituição, acompanhar e usar a razão para escolher melhor os candidatos, pois somente pessoas infantis acreditam em mitos, em estorinhas de seres imaginários que não existem na realidade.

Jonas Gomes

Prof. Dr. Jonas Gomes da Silva - Professor Associado do Dep. de Engenharia de Produção com Pós Doutorado iniciado no ano de 2020 em Inovação pela Escola de Negócios da Universidade de Manchester. E-mail: [email protected].
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