Representantes do comércio e moradores da área do Centro Histórico de Manaus reivindicam mais celeridade nas ações de requalificação do local que estão sendo articuladas pela Prefeitura de Manaus.
De acordo com o juiz Adalberto Carim Antonio, morador do centro histórico de Manaus, apesar da tentativa de moralização do centro com o início da Operação Centro Seguro, áreas vermelhas foram identificadas e estão sendo recuperadas. Mas é um processo lento que precisa de continuidade. “Alguns espaços históricos foram dominados por marginais, e operações extremamente complexas têm que ser desenvolvidas para retomar esses espaços públicos para uso da coletividade”, afirmou Carim.
O magistrado lembra que durante muitos anos a cidade foi negligenciada pelo poder público, com falta de segurança que levou a população a crer que Manaus é uma terra sem lei e o Centro é sinônimo de marginalidade.
“Manaus é uma cidade que estava abandonada. A visão que a maioria dos manauaras tem é de que não existe lei no Centro. É um reduto de bandidos, prostitutas e viciados. Esse problema da segurança, eu entendo, é a primeira questão a ser resolvida”, alertou o magistrado.
Operação Centro Seguro
O magistrado mencionou o entorno da rua Quintino Bocaiúva por seu uma área vermelha, onde a prostituição, o comércio e o consumo de drogas (substâncias entorpecentes proibidas) aconteciam a qualquer hora do dia e da noite. “Então isso agride muito o cidadão que paga seus impostos, isso agride a comunidade que tem o direito de ir e vir em segurança”, lamentou Carim.
O Conselho de Segurança do Centro, o Centro Seguro, criado pelo secretário do Centro, Rafael Assayag, realiza reunião a cada 15 dias, em média, para discutir as ações do Centro da cidade, que envolve policiamento e reorganização geral.
“Nós, comerciantes, estamos muito próximos da prefeitura. E é exatamente isso, como entidade, que nós precisávamos: do poder público que nos ouvisse. Porque somos nós que estamos nas ruas. E, ele está nos ouvindo e agregando valor ao que nós estamos vendo e falando”, reconhece o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho.
O presidente da CDLM, (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, citou o caso da requalificação dos hotéis no Centro que hoje são considerados de alta rotatividade. Onde os turistas e possíveis hóspedes, acabam recusando por perceberem a movimentação intensa que ocorre nesses estabelecimentos. “A sugestão é de que os hotéis do centro recebam uma classificação, como por exemplo, os hotéis renomados são reconhecidos por obterem as cinco estrelas, mais uma garantia de segurança e qualidade no atendimento ao cliente”, observou Assayag.
Fachadas, lixos e camelôs
De acordo com o presidente da ACA, são três ações prioritárias que, neste momento, estão sendo feitas e que surtirão efeito no processo de requalificação do centro histórico: Recuperação de fachadas, coleta de lixo e reorganização dos camelôs. “Esse é um trabalho lento que está sendo feito. Mas, que a associação vem apoiando”, garantiu Bicharra.
Um dos problemas apontados pelo presidente da associação, está na poluição visual das fachadas que precisam ser recuperadas de acordo com o padrão arquitetônico de cada imóvel. Na sede da associação toda a sexta-feira tem um arquiteto da prefeitura a disposição dos comerciantes para criar alternativas para cada fachada da área do centro da cidade.
“Este foi o primeiro problema que conseguimos resolver em conjunto com a Secretaria do Centro. Agora o problema imediato está no lixo. Nós comerciantes acompanhamos os estudos dos órgãos competentes e estamos esperando entender como vai funcionar, mas, também apoiamos”, relatou Bicharra.
Outro problema citado pelo titular da entidade, são as bancas de camelôs que precisam ser equalizadas. “Os camelôs, na verdade, só vão sair do centro quando tiver um local para ir. Mas, enquanto isso, não quer dizer que não possamos organizá-los”, frisou o presidente da ACA.
Gestão Estratégica
Acaba de ser criado o Conselho Municipal de Gestão Estratégia, através do decreto nº 2.542, de 2 de setembro de 2013, assinado pelo prefeito Arthur Neto. O conselho é composto por membros natos, dirigentes de órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, e por membros convidados, representantes de entidades de classe ou de segmentos da sociedade local. Será presidido pelo advogado Félix Valois.
“Esse conselho foi criado para que possamos discutir sobre os problemas gerais do nosso município, que são muitos. Manaus está crescendo cada vez mais de forma desordenada”, alertou Ismael Bicharra.
Para o magistrado a possibilidade de participar da requalificação do Centro, local onde escolheu para morar, veio de encontro aos interesses da sociedade. “O que eu percebo é que o senhor prefeito, o alcaide, ele está reunindo uma comissão de notáveis, de pessoas que tem uma visão mais diáfana, mais clara sobre os problemas do centro da cidade e ao fazer isso ele pretende que a sociedade civil interessada na solução do problema possa somar, na resolução de cada um dos problemas que afligem o Centro de Manaus”, esclareceu Adalberto Carim.
Centro Histórico ganha novos aliados
O centro de Manaus ganha mais um aliado para desenvolver atividades de preservação do patrimônio histórico, cultural, social, arquitetônico e ambiental. A Ascult-SVF (Associação Cultural São Vicente de Fora), fundada em 7 de abril de 2013, acaba de receber o RCPJ (Registro Civil das Pessoas Jurídicas), que através da presidente Regina Lúcia Azevedo de Melo, pretende firmar parcerias com os órgãos públicos, entidades de classe, empresas e quem tenha interesse em promover o centro histórico de forma organizada e proficiente.
Regina acredita que o centro histórico está na memória afetiva de todos nós, e os artistas – cuja sensibilidade é extravasada com a criatividade de seus talentos – constituem um dos grupos sociais mais interessados na preservação do patrimônio histórico de Manaus. “Nossa organização visa lutar por direitos culturais e proteger o patrimônio histórico da cidade de Manaus”, disse Regina ao Jornal do Commercio.
Para que os objetivos sejam alcançados com celeridade a Ascult-SVF vem desenvolvendo ações sociais e coletivas em conformidade com as convenções mundiais, como forma de erradicar a pobreza, promover a paz e a diversidade cultural, contribuindo para o fortalecimento e o desenvolvimento sustentável da comunidade, sinônimo da valorização humana. Além de ser uma associação civil sem fins lucrativos. “Nossa organização visa lutar por direitos culturais e proteger o patrimônio histórico da cidade de Manaus”, afirma Regina.







