ENTREVISTA PRES. MANAUSTRANS – Pedro Carvalho

Em: 4 de janeiro de 2013
Maior velocidade no trânsito é a meta
Maior velocidade no trânsito é a meta

Assumindo a secretaria que cuida de um dos setores mais criticados de Manaus, o secretário municipal de trânsito, Pedro Carvalho, conta quais são as prioridades para o transporte urbano da cidade em 2013. O secretário, que estará no controle do SMTU, Secretaria Municipal de trânsito, e da Manaustrans, fala sobre a operação tapa buraco, a falta de estrutura, a idéia de se diminuir as frotas de ônibus e como melhorar a fluidez do transporte na cidade.

Jornal do Commercio – Entre tantos problemas qual o senhor destacaria como o principal do trânsito de Manaus atualmente?
Pedro Carvalho – O grande problema do transporte hoje é a questão da infra-estrutura. Nós estamos a mais de 10 anos sem fazer nada para melhorar a fluidez do transporte. A questão do trânsito, em relação à operação, é tranquila de se fazer. Basta aumentar o número dos agentes e aperfeiçoar seu trabalho, realocando-os para os pontos críticos, isso é tranqüilo. Agora o transporte hoje está em uma situação muito mais crítica do que a questão do trânsito. A única pista exclusiva que a gente tinha na Epaminondas foi extinta. Com isso, o tempo de viagem das linhas de ônibus está cada vez maior. Qual a consequência disso? Custo operacional muito mais elevado, que resulta em uma tarifa maior.

JC – Como resolver esta situação?
PC – Não houve reajuste de acordo com o contrato que a gente tinha entre a prefeitura e as empresas em outubro. Temos que começar estudando as planilhas para depois as submeter ao prefeito, só então veremos o que pode ser feito. A melhoria do sistema viário a gente só vai conseguir com obras físicas, estudo de sinalização, implantação de sistema inteligente e rede semafórica. Temos que começar a trabalhar, é uma coisa que não é de uma hora para outra, mas tem que começar a ser feita. Devemos investir em um sistema criando pistas e faixas exclusivas.

JC – Já tem algum projeto em andamento?
PC – Nesses primeiros 100 dias de trabalho nós iremos propor alguns projetos para que os ônibus cheguem mais rápido ao centro e vice-versa. Com isso, começamos a aliviar a situação. Outro problema que já está sendo abordado são os itinerários dentro dos bairros, verdadeiras crateras e buracos, isso faz com que o ônibus faça o percurso mais devagar. É uma serie de medidas que não só a SMTU vai tomando, como a própria secretaria de infra-estrutura vai ajudar nisso. A mais urgente, que já está sendo feita, é a operação tapa buraco dentro dos bairros. Tem ruas em que os ônibus nem passam mais. Com isso, o veículo tem que desviar por outros caminhos. O itinerário se torna bastante longo e isso influi no tempo de viagem. Faz com que o passageiro fique dando voltas que normalmente não precisaria. Isso já está sendo discutido desde a transição. A prioridade é essa, recuperar os itinerários, tanto que a secretaria de infra-estrutura vai dar prioridade às linhas, as ruas de itinerário de ônibus já na operação tapa buraco.

JC – Além dessas medidas quais outras estão sendo vistas?
PC – Depois vem uma série de medidas. Para o passivo hoje, a falta de estrutura é muito grande. A partir daí se estendemos para outras questões.Os terminais de ônibus precisam ser recuperados, as paradas do antigo expresso estão ai por recuperar. Muitos acham que o expresso acabou, mas ele não acabou, está funcionando. Só que com uma performance muito baixa, que esta relacionada com a falta de velocidade. Não foram feitas pistas exclusivas, que deveriam ter sido feitas, além de uma série de coisas para ele se tornar viável e útil. Temos também agora a lei da mobilidade urbana que exige um plano de mobilidade urbana para cidade. Será criada uma comissão para estudar isso. O que está envolvido na mobilidade não é só ônibus, são todos os meios de transporte, calçadas, abrigos, terminais de integração. Tudo que influi no deslocamento do cidadão na cidade.

JC – Algum projeto emergencial para a copa? Acredita que os problemas de mobilidade e engarrafamento estarão resolvidos até lá?
PC – Até a copa nós temos que resolver. O monotrilho e o BRT não serão possíveis e já foram descartados em função do tempo para serem implantados. Nós vamos transferir isso para o corredor da avenida Constantino Nery. Nós vamos ter que recuperar a avenida e melhorar a fluidez do transito para atender a copa. Com a ausência do monotrilho e do BRT, teremos que resolver não só a questão ao redor da arena. Teremos que fazer um projeto operacional para quando acontecerem os jogos melhorarmos a acessibilidade. Veja bem a questão dos estacionamentos, eu não sei aonde irão estacionar tantos carros. De repente terá que ser isolada uma área nos dias dos jogos para poderem estacionar todos os carros.

JC – Muito se falou nos últimos dias sobre o possível aumento da tarifa de ônibus para 2013, para quando está previsto esse aumento?
PC – Sobre o aumento da tarifa eu não posso te adiantar uma data, eu não posso te afirmar nada. Nós vamos reavaliar tudo, mostrar isso para a população. Principalmente para os segmentos que sempre questionam isso. A partir daí nós vamos levar ao prefeito para se definir o que fazer. Isso significa que não tenho data.

JC – E de quanto seria esse reajuste?
PC – A previsão agora é somente de fazer os estudos, não temos ainda nenhuma definição.

JC – O senhor tem falado que, com a melhoria do transporte e do trânsito daria para diminuir a frota de ônibus em Manaus, existe essa previsão?
PC – Hoje eu tenho praticamente o dobro de ônibus que eu precisaria para um sistema estruturado, com faixas e corredores exclusivos. Nós não fazemos isso de uma hora para outra, é um processo demorado, mas alguém tem que começar. Dentro de três meses veremos isso começando. Fora o que eu sempre falo, o tapa buraco é importante para isso. Não tem muito segredo, temos que começar a trabalhar e tudo chega ao foco: maior velocidade. A maior velocidade de transporte vai nos propiciar um melhor nível de serviço, com um custo mais barato. Muita coisa será informada nos próximos dias, não posso falar ainda por que tem que submeter ao prefeito, conversar com as secretarias que estão envolvidas para ver como iremos fazer.

JC – Com esse período de chuvas esses prazos e previsões não devem ser alterados?
PC – Hoje (3) estamos com problemas na frente do Mcdonald, de um buraco que está reaberto. Temos um problema na avenida Constantino Nery e temos um na rua dos Barés. Isso tudo em função daquela chuva de ontem (2). Isso tudo resultante de drenagens com problemas. Acontece o acionamento de terra em baixo, cai dentro da tubulação e vai embora. Com isso o asfalto baixa. Isso é natural nesse período e a gente tem que ter paciência e ir resolvendo um por um.

JC – Não tem uma forma de fazer com que isso não seja natural do período, para que o problema não se repita em outros anos, tentar resolver o problema em definitivo?
PC – Não, por que chove demasiadamente. Esse período chove muito. Eu trabalho no governo há muito tempo, sou engenheiro do quadro efetivo da prefeitura e já vi acontecer tempos chuvosos de interromper a Djalma Batista, nas proximidades do Eldorado e interromper a Darcy Vargas, ali perto da Universidade. Rompeu tudo aquilo de uma vez só. Graças a Deus ainda não chegou nisso e eu espero que não chegue. Isso provoca muitos problemas e tem que se atacar rapidamente para devolver as vias ao trânsito.

JC – Ontem no seu primeiro dia do serviço já ocorreu um problema com o sindicato que deixou 15 veículos parados em torno de 2h pela manhã, como fazer para que isso não se repita?
PC – Eu já comecei trabalhando às 5h da manha. O que aconteceu foi que o sindicato, em função de um descontentamento, fechou a garagem por algum tempo, mas isso já foi resolvido. Agradeço a compreensão do sindicato que nos atendeu. As duas partes vão conversar ainda. Conversei ontem com a empresa e a empresa vai conversar com eles. Eles têm reivindicações que podem ser resolvidas. É que às vezes falta diálogo para resolver as coisas, as pessoas tendem a partir para um extremo. Ficar parado na garagem é uma medida extrema que prejudica principalmente o usuário. Basta sentar e conversar para chegarmos à melhor solução para todos.

JC – O que o senhor tem a dizer sobre a junção da Manaustrans e do SMTU?
PC – Nós ainda estamos estudando isso. Por que hoje não está definido? Por que hoje o Manaustrans o SMTU tratam de transito e transporte respectivamente, são duas coisas que tem que ser tratadas juntas. Principalmente por causa do planejamento viário. O Manaustrans está muito bem, tem uma boa estrutura, foi bem tocado. O Coronel Walter Cruz fez um bom trabalho aqui. Já o SMTU teve vários superintendentes, em função dessas mudanças teve problemas de continuidade. Essa questão do planejamento viário acabou ficando para um órgão que culpa o outro e vice-versa. Estamos buscando uma solução que ainda não foi definida para podermos planejar melhor a cidade. O importante é saber que não dá para fazer as coisas sem um planejamento maior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar