Atualmente o Amazonas é um Estado que recebe muita mão-de-obra vinda de outros Estados. Desde a migração da borracha, passando pela construção da transamazônica, até a criação do Polo Industrial o Estado sempre foi visto como um lugar com oportunidades de trabalho. Situação que, segundo o economista Francisco Mourão Jr. pode se inverter com o passar dos anos, devido ao maior nível de fecundidade e menor de envelhecimento do Estado, conforme pesquisa revelada recentemente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).
Os dados do IBGE dão conta que o Amazonas conta hoje com 1.894 milhões de pessoas entre 18 e 60 anos, idade ativa para o trabalho. A previsão é que esse número alcance a marca de 2.760 milhões em 2030, um aumento de 45% na capacidade de mão de obra na cidade. No Brasil esse crescimento será de apenas 12,7%. Enquanto a população mais idosa tende a praticamente dobrar no país. “O Amazonas por estar distante não acompanha o nível de envelhecimento do Sul e Sudeste no cenário nacional. Fator positivo por que teremos uma mão de obra mais jovem que deverá até migrar para outras cidades do país”, comenta Mourão Jr.
O economista destaca que durante o período histórico de migração para o Amazonas a maioria dos imigrantes eram nordestinos, situação que se tornou um pouco diferente com a criação do PIM. “A migração do polo foi diferente de em outros períodos históricos, pois visava trazer pessoas com maior capacitação, com isso foi uma migração encabeçada, principalmente, por Estados do Sul e Sudeste”, explica.
O aumento da população com idade ativa, junto a instabilidade do polo podem ser fatores que também reduziram a migração dos habitantes de outros Estados para o Amazonas. “É uma demanda que temos que suprir. Por isso mesmo é necessário maiores investimentos na educação básica e tecnológica, é algo que se arrasta a anos e já não temos para onde correr se não vamos ter um apagão”, comenta. Segundo dados da pesquisa do IBGE a taxa migratória para o Estado tende a diminuir até 2030 para pouco mais de um habitante para cada mil.
Envelhecimento pode barrar desenvolvimento
O número da população acima dos 60 anos irá crescer 88,16% no país. Serão 14,4 milhões de idosos a mais em 2030. A diminuição da força de trabalho, aliada ao crescimento da população dependente, acabará por aumentar os gastos com previdência, saúde e aposentadoria. “Temos que nos preparar para isso. Vai haver uma elevação dos custos e o setor previdenciário não vai aguentar”. Uma das saídas sugeridas é o crescimento da idade para aposentados e mais condição para que a terceira idade se mantenha ativa. “As pessoas terão que passar mais tempo trabalhando para depois se aposentar. Elevar a idade ativa das pessoas, até por que se aumenta a expectativa de vida é por que há um crescimento na qualidade de vida da pessoa idosa”, comenta.
A necessidade de se reforçar as políticas públicas voltadas para fazer com que essas pessoas tenham condição de trabalhar ativamente, as mudanças no perfil do lazer da população são alguns dos desafios que os governos terão segundo Mourão Jr. “Nossos governantes e deputados estaduais já têm que começar a rever as leis e investimentos para manter essa mão de obra. Hoje tem gente com 65, com 75, trabalhando e recolhe previdência na folha de pagamento. Isso é errado. Tem que mudar a política para essa faixa etária para que o mercado de trabalho possa absorver as pessoa dessa faixa etária” conclui.







