Erosão genética prejudica espécies da Amazônia

Em: 8 de setembro de 2015
Plantas, animais e peixes da Amazônia podem estar correndo risco de extinção sem que a causa do problema esteja diretamente ligada à destruição do seu ecossistema
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Plantas, animais e peixes da Amazônia podem estar correndo risco de extinção sem que a causa do problema esteja diretamente ligada à destruição do seu ecossistema

Plantas, animais e peixes da Amazônia podem estar correndo risco de extinção sem que a causa do problema esteja diretamente ligada à destruição do seu ecossistema. “Muitas espécies estão ameaçadas pela diminuição de sua variabilidade genética, por viverem isoladas em bolsões”, alertou a bióloga Vera Maria Almeida Val, pesquisadora do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
“É a chamada erosão genética, tão perigosa quanto a destruição de um ecossistema, mas mais lenta”, disse a pesquisadora que falará sobre esse assunto durante a Reunião Regional da SBPC em Tabatinga – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência promove de 17 a 20 de março em Tabatinga (Amazonas).
Segunda a pesquisadora, uma estrada que corta uma floresta ou um lago que se forma separado do fluxo de um rio podem parecer inofensivos para a sobrevivência das espécies desses ecossistemas, mas não são. “Quando se criam ‘bolsões’ em ecossistemas há um aumento de consanguinidade entre as espécies, o que diminuí sua capacidade de adaptação e eleva o risco de extinção”, explicou. “Qualquer fator que bloqueie o fluxo gênico de uma espécie pode levar à erosão genética”.
Especialista em ecofisiologia de peixes, a pesquisadora contou que o Inpa e outras instituições de ensino superior da Amazônia vêm realizando diversas pesquisas com peixes comerciais da Amazônia para avaliar a erosão genética em algumas espécies. Algumas delas, como o Tambaqui e o Pirarucu, podem não ser tão afetadas, por pertencerem a uma população com o mesmo fluxo gênico. Outras, como o Tucunaré, que apresentam menor variabilidade genética, são mais suscetíveis. “Já há evidências de que a população do Tucunaré está diminuindo, e tudo indica que a causa está relacionada à erosão genética”, ressaltou.
A palestra “Erosão genética na Amazônia: causas e consequências”, a ser proferida pela bióloga Vera Maria Almeida Val, será realizada no dia 19 de março, às 10 horas e 30 minutos.
Mais informações e inscrições no site: http://www.sbpcnet.org.br/tabatinga/.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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