A mão-de-obra escassa, baixa capacitação e concentração da demanda estão entre os gargalos para o crescimento da atividade hoteleira. A afirmação é do autor do livro “Gestão Estratégica de Negócios”, Mauro Caon. De acordo com o especialista, o gerenciamento da capacidade e dos custos são os principais desafios na administração estratégica. No entanto, cada segmento do turismo influencia de uma maneira diferente a gestão dos empreendimentos. “Os diferenciais dependem da demanda”, afirmou Caon.
“Os entraves para o crescimento decorrem de características estruturais da própria realidade econômica”, comentou o escritor. Em relação ao turismo contemplativo, é a mão-de-obra o entrave, gerando por vezes um grau de satisfação muito baixo em relação a outros países. “Já em relação ao turismo de negócios, a dificuldade é mesmo a demanda concentrada, seja geograficamente, seja temporalmente”, assinalou.
Ação
estratégica
Para o especialista, a gestão da capacidade e dos custos são os principais desafios na gerência geral de um hotel do ponto de vista estratégico. Em relação à capacidade, a dificuldade é decorrente da própria característica das atividades de serviço, como é a hotelaria. “Isso diz respeito a não estocabilidade dos serviços prestados, o que gera uma enorme dificuldade na tentativa de ajustar a oferta e a demanda por hospedagem”, explicou Mauro Caon.
A questão da relação entre a oferta e a demanda está relacionada a variação delas no decorrer do tempo. Enquanto que a primeira é praticamente fixa no curto prazo, a procura varia nesse mesmo intervalo de tempo. “Isso leva o hotel a ter, obrigatoriamente, num certo período, capacidade ociosa e, portanto, custos fixos elevados, enquanto que em um período seguinte pode não conseguir atender a toda a demanda por falta de capacidade disponível”, afirmou.
Em relação aos custos, o autor observou que o principal componente é a depreciação dos ativos (instalações). “Trata-se, assim, de um custo fixo por excelência, pois independe da maior ou menor ocupação”, ressaltou. Resta ao gerente, dessa maneira, a gestão dos custos variáveis, sempre de menor relevância no custo total. Outros grandes desafios, como a definição das tarifas e estratégia de marketing, são decididas pela gestão corporativa da rede.







