Especialistas apontam cuidados no uso do cheque no Amazonas

Em: 29 de abril de 2009
Consumidores do Amazonas são os melhores representantes da região Norte quando o assunto é cheque devolvido por insuficiência de fundos
Consumidores do Amazonas são os melhores representantes da região Norte quando o assunto é cheque devolvido por insuficiência de fundos

Consumidores do Amazonas são os melhores representantes da região Norte quando o assunto é cheque devolvido por insuficiência de fundos. A cada mil cheques compensados no Estado, 34,1 foram devolvidos nos primeiros três meses desse ano. Apesar de o número ainda estar acima da média nacional de inadimplência, o indicativo é mais “confortável” se comparado com a devolução que ocorre nos Estados do Acre e Roraima, 98,4 e 96,9, respectivamente.
Em todo o país, 23,6 cheques voltaram por falta de fundos, a cada mil compensações, nos primeiros três meses de 2009, conforme dados da Serasa Experian. Além do Amazonas, outros 18 Estados e o Distrito Federal tiveram índice de devolução acima do indicativo brasileiro. Pernambuco foi o que mais se aproximou do índice (23,1). Por outro lado, São Paulo é o último do ranking, com 18,4 folhas em mil, no período.
Para o economista Paulo André Bacelar, o cheque sem fundo, muitas vezes, tem sido usado de “má fé”. “Alguns consumidores locais o tem utilizado [o cheque] para compra mesmo sabendo da insuficiência de saldo”. Segundo ele, a prática pode ser tornar um risco para o cliente e para o empresário. “Falta mais rigor no controle e recebimento do cheque por parte dos empreendedores, para que se evitem riscos no negócio”, disse.
“Já em relação ao consumidor, falta mais cuidado no uso do papel”, ressaltou. Ele ensinou ainda os cuidados a serem adotados no ato da compra com cheque, além do fato da suficiência de fundos. “É preciso saber se o local onde se compra é de confiança, principalmente quando se trata de cheque pré-datado; preencher corretamente o papel, sobretudo o espaço destinado aos valores, para que não seja adulterado; bem como, prezar pelo fator segurança”, explicou.
O economista Rodemarck Castello Branco afirmou, entretanto, que o cheque é uma modalidade de pagamento usada cada vez menos no comércio local. “Ele [papel] é uma figura que mais se utiliza menos e cuja aceitação é menor entre os empresários. Por isso, o uso de cartões de débito ou crédito tem crescido nos últimos anos”, argumentou.

Por regiões

Ainda considerando os primeiros três meses do ano, a região Norte é aquela onde há maior índice de não-compensação de folhas por insuficiência de fundos: 54,1 a cada mil. Na sequência aparecem Nordeste e Centro-Oeste, com 38,2 e 31,8, respectivamente. Nas últimas posições do ranking de devoluções estão as regiões Sul, com 23,0, e Sudeste, cujo índice fica em 19,5.
O número de cheques devolvidos no país foi histórico considerando somente dados de março, segundo acompanhamento da Serasa. Para os 112,12 milhões de cheques compensados no mês passado no país, foram devolvidos 2,75 milhões. A razão de é 24,6 cheques devolvidos para mil compensados.
Conforme a empresa, a inadimplência com cheques aumentou 6% na comparação com fevereiro e foi ainda maior considerando março do ano passado (18,3%). O quadro não melhora se comparado trimestre contra trimestre: o atraso nos pagamentos com cheques aumentou 19,2%.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar