“Espumantes não podem faltar”

Em: 29 de dezembro de 2025
Espumantes se tornaram sinônimos de celebração, então, Réveillon sem espumante, não é Réveillon.
Moscatéis fazem um casamento perfeito com as sobremesas.
Moscatéis fazem um casamento perfeito com as sobremesas.

Nas festas de Réveillon, as comilanças continuam, com os vinhos e os espumantes (que também são vinhos) tendo papeis importantes nas comemorações. Mais do que acompanhar os pratos, essas bebidas ajudam a realçar sabores, equilibrar aromas e tornar os momentos à mesa ainda mais marcantes. Entre receitas tradicionais, preparos regionais e sobremesas clássicas, algumas harmonizações fazem toda a diferença. É o que explicou, ao Jornal do Commercio, o sommelier Alexsander de Oliveira, na entrevista, a seguir.

De acordo com Alexsander, que é consultor do Pátio Gourmet, os espumantes continuam sendo os grandes aliados das celebrações de fim de ano, “a principal bebida das festas sempre foi a de celebração. E, nesse período, Champagne e espumantes seguem imbatíveis”.

Alexsander lembrou, ainda, que a mesa regional cada vez mais ganha espaço nas festas de Fim de Ano, e que é essencial a harmonização dos pratos com as bebidas. Peixes amazônicos, como o pirarucu e o tambaqui, combinam com vinhos brancos, rosés e laranjas. Os vinhos laranja, elaborados com contato prolongado com as cascas, têm ganhado cada vez mais atenção e harmonizam especialmente bem com peixes assados. “Indico o Juan Carrau Chardonnay, Sottano Torrontés e Maria Bonita Loureiro, além dos rosés Casal Mendes, Santa Ema e Rio Andino”.

Vinhos laranja são um resgate do passado.
Vinhos laranja são um resgate do passado.

Para acompanhar as sobremesas, rótulos nacionais como Salton e Casa Perini oferecem boas opções tanto de moscatel quanto de demi-sec, ideais para encerrar a ceia.

“O brut agrada quem prefere vinhos secos; o demi-sec faz a transição entre o seco e o doce; e o moscatel costuma ser a porta de entrada para quem está começando a explorar o universo dos vinhos”, ensinou.

Para quem se preocupa com preços, Alexsander avisou, “hoje, é possível encontrar excelentes vinhos com ótima relação custo-benefício, principalmente entre rótulos chilenos, argentinos e brasileiros”.

 

Jornal do Commercio: Com tantos rótulos de vinhos, como escolher ‘o melhor’, para saborear nas festas de Fim de Ano?

Alexsander de Oliveira: Em momentos festivos, agitação e altas temperaturas os leves e refrescantes são meus preferidos, mas o que não pode faltar é o nosso tradicional espumante, reconhecidamente um sinônimo de celebração.

 

JC: O espumante é um tipo de vinho, mas convencionou-se ‘estourá-lo’ nas confraternizações. Os espumantes brasileiros continuam sendo os melhores do mundo?

AO: Podemos nos orgulhar de hoje estarmos entre os melhores produtores de espumantes do mundo e com certeza só temos a crescer por ainda sermos um país com regiões que vêm se desenvolvendo nas descobertas de suas vocações. Certamente somos os melhores das Américas na produção de espumantes. O Brasil ainda consome pouco esse tipo de vinho em relação ao consumo de cervejas, que está acima de 60 litros per capita/ano. Certamente que o aumento do consumo vai estimular o crescimento da produção.

 

JC: Inclusive, os espumantes tomaram o lugar dos champanhes, bem mais caros. É isso mesmo:

AO: Todo Champagne é um espumante, mas nem todo espumante é um Champagne. Realmente existem espumantes que facilmente poderiam nos confundir em uma degustação às cegas se estivessem ao lado de Champagnes.

 

JC: É certo tomar vinho tinto com carnes vermelhas, e vinho branco com carnes brancas?

AO: A cor sempre vai ser um auxílio na escolha de vinhos, não somente a cor da proteína como também as cores dos molhos nos casos de risotos e massas, mas o fator determinante não é a cor quando falamos de peixes com vinhos tintos e sim a composição, no caso de tudo que vem do mar é rico em iodo e essa substância é incompatível com os taninos, que vamos encontrar em abundância nos vinhos tintos.

 

JC: Há algum tempo o pirarucu tomou conta das ceias. Qual vinho combina bem com esse peixe amazônico?

AO: Harmonização eu sempre considero a forma de preparo. No caso do pirarucu podemos considerar várias formas, mas vamos pensar em ventrecha assada em brasa com muita gordura. Vão bem vinhos brancos mais ácidos e refrescantes como Sauvignon Blanc e Pinot Grigio. No caso de moquecas ou escabeche eu prefiro Chardonnay jovens, e se for pirarucu seco com batatas, regado em azeite, lembrando um bacalhau, eu harmonizo com um tinto leve de Pinot Noir.

 

JC: Fale sobre os vinhos laranja. São uma novidade?

AO: Vinhos laranja são um resgate do passado quando não havia vinhos brancos como temos hoje. Eram todos vinhos de uvas brancas maceradas com as cascas das uvas (peles) o que dava essa coloração âmbar alaranjada. Esse processo foi se perdendo e as ‘peles’ foram saindo do processo, dando lugar a vinhos cada vez mais límpidos e translúcidos.

 

JC: Sobremesas devem ser acompanhadas com vinhos?

AO: Nas ceias de Fim de Ano não dá para escapar dos doces e cremes. Com certeza espumantes moscatéis, espumantes doces que o Brasil sabe fazer muito bem, são um casamento perfeito com as sobremesas.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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