A previsão tanto da indústria quanto do comércio de efetivar mais de 50% da mão de obra temporária parece não ter se concretizado e refletiu em um início de ano não muito agradável na geração de empregos formais no Amazonas.
O Estado foi o segundo que mais demitiu em janeiro com 1.344 desligamentos, contra o saldo de 3.118 contratações no mesmo período do ano passado, ficando à frente apenas do Estado do Ceará que registrou saldo negativo de 2.644 demissões. Dessa forma, registrou o pior desempenho da região norte e a segunda pior performance da série histórica para o mês, perdendo apenas para janeiro de 2009, período que, em função da crise, anotou 6.302 empregos a menos.
“Para nós foi uma surpresa. Apesar de as eventuais demissões de início de ano sempre refletirem o término de contratos de trabalhos temporários, nós esperávamos um início de ano mais aquecido.”, afirmou o titular da SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas), Dermilson Chagas.
O comércio, que em dezembro do ano passado já havia demitido 231 funcionários, desligou mais 858 trabalhadores em janeiro.
Apesar de o presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), Aderson Frota, defender que o desempenho negativo do setor tenha sido causado por questões sazonais de chuva e falta de sustentação econômica do primeiro mês do ano, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, afirma que as demissões foram inesperadas.
“Embora ainda não tenhamos fechado o balanço, podemos adiantar que a previsão do comércio de contratar metade dos temporários realmente não se realizou. Acreditamos que o mercado ainda passa por um resguardo da crise mundial”, avaliou.
Seguindo a mesma tendência, a indústria fechou janeiro com saldo negativo de 156 postos de trabalho enquanto que em janeiro de 2011 havia criado 3.408 novos postos formais.
Junto com a sazonalidade do período, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, diz que o desaquecimento da economia contribuiu para as menores contratações e que o resultado é ligado ao alinhamento dos estoques e a demanda de mercado. “Se o mercado consumidor se recolhe, mesmo que pouco, a ação reflete nos nossos resultados”.
O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, acrescenta que o crescimento de 4% da produção industrial até o final de 2011, mesmo muito acima da média nacional de 0,3%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não segurou um bom nível de aproveitamento da mão de obra na indústria e por consequência no comércio.
Enquanto isso, a construção civil desligou 241 trabalhadores contra a admissão de 172 em igual período do ano anterior.
Para Ailson Rezende, as demissões na indústria da construção civil foram atípicas para o período. “Mas nesse caso, o setor enfrenta o diferencial da falta de qualificação. O segmento precisa de profissionais com o mínimo de conhecimentos técnicos para a efetivação de contratos e não é o que tem ocorrido”, analisou.
O setor de serviços terminou com o menor saldo negativo. Foram 24 postos de trabalho a menos. No entanto, em janeiro de 2011, o mesmo setor foi responsável pela contratação de 725 trabalhadores.
Estado é o segundo que mais demite
Em: 24 de fevereiro de 2012
A previsão tanto da indústria quanto do comércio de efetivar mais de 50% da mão de obra temporária parece não ter se concretizado e refletiu em um início de ano não muito agradável na geração de empregos formais no Amazonas
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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