Estado é o segundo que mais demite

Em: 24 de fevereiro de 2012
A previsão tanto da indústria quanto do comércio de efetivar mais de 50% da mão de obra temporária parece não ter se concretizado e refletiu em um início de ano não muito agradável na geração de empregos formais no Amazonas
A previsão tanto da indústria quanto do comércio de efetivar mais de 50% da mão de obra temporária parece não ter se concretizado e refletiu em um início de ano não muito agradável na geração de empregos formais no Amazonas

A previsão tanto da indústria quanto do comércio de efetivar mais de 50% da mão de obra temporária parece não ter se concretizado e refletiu em um início de ano não muito agradável na geração de empregos formais no Amazonas.
O Estado foi o segundo que mais demitiu em janeiro com 1.344 desligamentos, contra o saldo de 3.118 contratações no mesmo período do ano passado, ficando à frente apenas do Estado do Ceará que registrou saldo negativo de 2.644 demissões. Dessa forma, registrou o pior desempenho da região norte e a segunda pior performance da série histórica para o mês, perdendo apenas para janeiro de 2009, período que, em função da crise, anotou 6.302 empregos a menos.
“Para nós foi uma surpresa. Apesar de as eventuais demissões de início de ano sempre refletirem o término de contratos de trabalhos temporários, nós esperávamos um início de ano mais aquecido.”, afirmou o titular da SRTE-AM (Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas), Dermilson Chagas.
O comércio, que em dezembro do ano passado já havia demitido 231 funcionários, desligou mais 858 trabalhadores em janeiro.
Apesar de o presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), Aderson Frota, defender que o desempenho negativo do setor tenha sido causado por questões sazonais de chuva e falta de sustentação econômica do primeiro mês do ano, o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, afirma que as demissões foram inesperadas.
“Embora ainda não tenhamos fechado o balanço, podemos adiantar que a previsão do comércio de contratar metade dos temporários realmente não se realizou. Acreditamos que o mercado ainda passa por um resguardo da crise mundial”, avaliou.
Seguindo a mesma tendência, a indústria fechou janeiro com saldo negativo de 156 postos de trabalho enquanto que em janeiro de 2011 havia criado 3.408 novos postos formais.
Junto com a sazonalidade do período, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, diz que o desaquecimento da economia contribuiu para as menores contratações e que o resultado é ligado ao alinhamento dos estoques e a demanda de mercado. “Se o mercado consumidor se recolhe, mesmo que pouco, a ação reflete nos nossos resultados”.
O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Ailson Rezende, acrescenta que o crescimento de 4% da produção industrial até o final de 2011, mesmo muito acima da média nacional de 0,3%, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), não segurou um bom nível de aproveitamento da mão de obra na indústria e por consequência no comércio.
Enquanto isso, a construção civil desligou 241 trabalhadores contra a admissão de 172 em igual período do ano anterior.
Para Ailson Rezende, as demissões na indústria da construção civil foram atípicas para o período. “Mas nesse caso, o setor enfrenta o diferencial da falta de qualificação. O segmento precisa de profissionais com o mínimo de conhecimentos técnicos para a efetivação de contratos e não é o que tem ocorrido”, analisou.
O setor de serviços terminou com o menor saldo negativo. Foram 24 postos de trabalho a menos. No entanto, em janeiro de 2011, o mesmo setor foi responsável pela contratação de 725 trabalhadores.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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