‘Estado passa por apagão de mão de obra profissional’, diz ABRH-AM

Em: 1 de novembro de 2012
Faltam engenheiros no Amazonas. É o que aponta a ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Amazonas).
Faltam engenheiros no Amazonas. É o que aponta a ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Amazonas).

Faltam engenheiros no Amazonas. É o que aponta a ABRH-AM (Associação Brasileira de Recursos Humanos Seccional Amazonas). Entretanto, a presidente da entidade, Elaine Jinkings, fala que na verdade o Estado passa por um apagão de mão de obra profissional que também é sentido nos mais variados tipos de organizações: nas públicas e nas privadas, nas pequenas, médias e grandes empresas, da indústria ao setor de serviços.
“E isso causa diversos problemas dentro de uma organização, entre eles, dificuldade para gerir novos projetos e baixa produtividade”, apontou Jinkings, que em entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio conta os motivos dessa deficiência e de que forma os empresários podem atenuar ou minimizar este cenário.

Jornal do Commércio – Está ocorrendo realmente um apagão de mão de obra profissional no Amazonas?
Elaine Jinkings – O apagão de profissionais está configurado muito fortemente em Manaus e isso há cerca de uns cinco anos. Este fato também é presente em todo o país, até em São Paulo, onde teoricamente haveria mais pessoas qualificadas. Este é um problema que atinge a todos, desde empresas, que não tem o número suficiente de profissionais para executarem os seus serviços e produtos atuais e principalmente os de futuro; as escolas e universidades, que não alcançam ou entregam ao aluno egresso um grau de empregabilidade adequado; e sobretudo ao profissional, que assume a desagradável posição de tornar-se um analfabeto funcional.

JC – A ABRH-AM estima ou prevê que hoje no Estado deve haver em média quantas vagas em aberto por conta disso?
Elaine – As vagas são localizadas para os cargos mais complexos ou mesmo para onde existem poucos profissionais que se formam. O cargo que está sendo mais procurado e faltam profissionais é o de engenheiro. Citando um caso concreto: a empresa Honda precisaria para o ano de 2012, para desenvolver um novo projeto na área da engenharia, contratar cerca de 200 engenheiros. A própria Honda fez uma pesquisa em todas as faculdades/universidades e no ano de 2012, todas as turmas dos cursos de engenharia somadas, entregarão ao mercado somente 80 engenheiros.
Este exemplo mostra que não só existe um descompasso entre o número de profissionais demandados e a escassa oferta do mercado local. Soma-se a isso o descompasso existente entre a grade curricular dos cursos de graduação e as necessidades atuais do mercado. É necessária uma adequação à realidade contemporânea.

JC – E isso se dá devido a que motivo? À falta de qualificação ou à desvalorização de algumas profissões?
Elaine – Entendemos que as vagas não são preenchidas efetivamente pela baixa qualificação ao perfil estabelecido pelas empresas, que só têm duas alternativas: ou baixam o nível de sua régua de exigências, admitindo profissionais que não estão prontos e assumem a responsabilidade pelo seu desenvolvimento profissional e pessoal também, ou definem como política de contratação a busca por profissionais mais qualificados e assumem o ônus em ter que pagar salários mais elevados, maior tempo para preenchimento da vaga e, sobretudo, fazerem a prática de hunting, que é contratar pessoas que estão trabalhando em outra empresa.

JC – Quais carreiras estão sofrendo esse apagão aqui no Estado?
Elaine – Essa carência pode ser sentida principalmente nas profissões de engenheiro e de técnicos, em suas mais variadas formações, como de solda, eletrônico, elétrico, mecânico etc. Não podemos deixar de mencionar também a questão da necessidade do desenvolvimento de lideranças. Essa questão já é um fato inegável. As empresas precisam de lideranças preparadas para gerir as pessoas, levando em conta as questões tão presentes e atuais como inovação e sustentabilidade.

JC – E por causa desse apagão qual será a tendência? O que vai acontecer com essas profissões?
Elaine – É necessário um movimento de incentivo às pessoas para que escolham as formações que as empresas necessitam. Um trabalho de conscientização feito nas escolas, desde o nível de ensino fundamental e ensino médio. Se não houver este movimento, corre-se o risco de continuar formando profissionais em profissões que não têm demanda no mercado de trabalho local.

JC – A senhora tem ouvido empresários comentarem sobre isso? E como eles têm contornado essa situação?
Elaine – A situação está tão preocupante que a Federação da Indústria e o Centro da Indústria formaram uma Comissão de Trabalho e Emprego, composta por empresários, gestores da área da educação, profissionais de RH e a ABRH-AM, para discutir, pensar nas estratégias a serem desenvolvidas para resolver ou minimizar essa questão e, sobretudo, que possa colocar em ação as soluções encontradas. É hora de ação. Não dá mais para aguardar uma solução que ninguém está efetivamente trabalhando para solucionar.

JC – O que a senhora indicaria para os empresários?
Elaine – Que busquem formar um Banco de Talentos em sua organização, principalmente com a contratação de estagiários e trainees e estabeleçam um Programa Permanente de Desenvolvimento dessas pessoas, adequado às suas necessidades operacionais e de gestão.

JC – E quais profissionais podem ganhar destaque no Amazonas nos próximos anos?
Elaine – Todos os que forem necessários aos diversos polos de desenvolvimento do nosso Estado, notadamente o de petróleo, o naval, o de construção e o de biocosméticos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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