Com um orçamento de R$ 77 milhões aprovado para 2008, superior em 28,33% ante os R$ 60 milhões do exercício corrente, a Sepror (Secretaria de Estado da Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural Integrado), anunciou investimentos em infra-estrutura de áreas importantes para o desenvolvimento do setor primário, responsável por 8% do PIB (Produto Interno Bruto) do Amazonas.
Apesar de importar 70% da carne, 90% do leite, além de tantos outros gêneros alimentícios, o Estado projeta a auto-suficiência em alimentos nos próximos três anos. A informação é do titular da pasta, o deputado estadual (PCdoB) Eron Bezerra.
“Nossa meta é aumentar a produção de alimento 30% ao ano, para em três anos chegarmos à auto-suficiência daquilo que é principal”, explicou. O objetivo é suprir o consumo de arroz, feijão, milho, mandioca, café, açúcar mascavo, frango, pequenos animais e peixe. “Vamos implementar o programa de avicultura com frango caipira, não para comercialização, mas apenas para garantir comida à população”, assegurou.
Produção de carne
O Amazonas não tem necessidade de importar carne, pois o Estado é auto-suficiente em proteína animal, com a produção anual de 200 mil toneladas de pescado. “Precisamos suprir a necessidade protéica das pessoas, não necessariamente com o que elas querem comer”, assinalou.
Até o fim do primeiro bimestre, está prevista a conclusão das obras da primeira sementeira em Manacapuru, município fornecedor de 70% da juta e malva consumida no país. “Nós somos o maior produtor mundial desse produto, mas importávamos semente. Não nos pergunte como, pois irracionalidades não se explicam”, afirmou.
No primeiro semestre serão construídas duas salgas para transformar o pirarucu em bacalhau. Uma indústria será instalada em Fonte Boa, outra em Mamirauá. Estão sendo construídos dois frigoríficos, um em Tabatinga e outro em Santo Antonio do Içá, 12 flutuantes no Alto Solimões para receber o pescado e dois barcos para fazer a coleta dos peixes e levá-los aos frigoríficos.
Estão previstas para 2008 as ampliações dos abatedouros no interior do Estado. Atualmente, apenas 16 dos 62 municípios possuem abatedouro. “No entanto, devemos observar que apenas 25 deles tem algum rebanho significativo, acima de 20 mil cabeças de gado”, afirmou o secretário. Serão dez novos empreendimentos no próximo ano. “Conseguiremos, com isso, atender a maior parcela da nossa produção”, completou.
De acordo com dados do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas), a safra de juta e malva no Estado, do qual Manacapuru responde por 70% da safra, que atingiu a cifra de 12 mil toneladas em 2007. A produção agrícola ocorre no primeiro quadrimestre do ano.
“Hoje, estamos com a perspectiva de duas novas indústrias em Manacapuru, cuja implantação será viabilizada em 2008”, comentou o presidente do instituto, Edson Barcellos. A produção local atende às quatro indústrias do país, sendo uma no Pará, duas em São Paulo e uma no próprio Amazonas (que consome 10% do que produz). A receita do segmento foi de R$ 14 milhões em 2007.
Projeto abrange o biodiesel
Orçado em R$ 360 milhões, Sepror, Idam e MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário) projetam a produção de biodiesel a partir do dendê no Amazonas, em um programa de 30 mil hectares, gerando uma ocupação para 6.000 famílias. A estimativa é produzir na fase adulta (após seis anos) entre cem e 150 mil toneladas de óleo, proporcionando uma receita de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões por ano. Para discutir o assunto, as instituições realizaram ontem uma oficina para tratar a questão da produção do biodiesel no Estado com foco na agricultura familiar.
“A proposta é inserir o Amazonas no programa brasileiro de biodiesel, o que representará uma oportunidade de geração de renda e inclusão social para nós”, afirmou Edson Barcellos. Hoje o combustível é produzido a partir da soja.
A partir do próximo ano serão beneficia







