A estagnação econômica e o enfraquecimento do governo conservador de Silvio Berlusconi elevam as preocupações sobre a situação fiscal da Itália. Até então relativamente isolado da crise de dívida da zona do euro, o país agora caiu no escrutínio dos mercados, assim como Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha.
O alerta foi disparado pela Standard and Poor’s, que cortou a perspectiva do rating A+ de estável para negativa, indicando a possibilidade de rebaixamento. Enquanto outros países já tiveram suas notas derrubadas, essa foi a primeira ameaça à Itália.
Os analistas continuam acreditando que o país está em melhor posição que os demais para enfrentar o déficit público. Não há problemas com os bancos e o setor privado tem endividamento considerado baixo. Além disso, durante a crise financeira global, o governo ampliou os gastos de forma comedida, permitindo um quadro fiscal mais favorável neste momento. Embora a dívida pública represente 120% do Produto Interno Bruto, o déficit em relação ao PIB ficou em 4,6% no ano passado, abaixo da marca de 6% da zona do euro. Entretanto, a economia está patinando e ficou praticamente estagnada no primeiro trimestre deste ano, com alta de apenas 0,1%, bem abaixo da média do bloco, de 0,8%. O economista Luigi Speranza, do BNP Paribas, destaca que o PIB continua 5 pontos porcentuais abaixo do nível pré-crise. “Fraquezas estruturais e baixa competitividade no mercado exterior estão tendo um papel importante”, avalia.
Mesmo envolvido em diversos escândalos, o governo conservador de Berlusconi já implantou estratégia de austeridade fiscal. Mas vem perdendo força e levanta questionamentos sobre a capacidade de aprovação de novas medidas e de reformas estruturais consideradas necessárias. “A situação política pode ser uma fonte de preocupação porque o governo tem somente uma pequena maioria no parlamento”, diz Fabio Fois, economista do Barclays Capital.
As eleições municipais, realizadas em meados do mês, representaram duro golpe para o governo. A esquerda avançou e inclusive levou para o segundo turno a disputa pela prefeitura de Milão, cidade considerada a “fortaleza” de Berlusconi. Os analistas do UniCredit não acreditam que o rating da Itália será rebaixado. Segundo eles, o alerta da S&P veio mais como uma “chamada de despertar” para o governo italiano, assim como ocorreu com os Estados Unidos. Ou seja, um sinal de que a agência de rating quer ser mais pró-ativa nas suas avaliações e não ficar atrás da curva.
Estagnação e fraqueza do governo ampliam temor
Em: 24 de maio de 2011
A estagnação econômica e o enfraquecimento do governo conservador de Silvio Berlusconi elevam as preocupações sobre a situação fiscal da Itália
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Ipsos-Ipec: 33% avaliam governo Lula como ótimo ou bom; ruim ou péssimo sobe a 43%
16 de setembro de 2026

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano
16 de setembro de 2026
Projeção de IPCA em 12 meses no 1º tri de 2028, segue em 3,2%, diz Copom
16 de setembro de 2026

TCU alerta governo sobre risco de superestimação com receita para compensar isenção do IR
16 de setembro de 2026

Petrobras tem maior margem de lucro entre grandes petroleiras mundiais
16 de setembro de 2026

Aposentadoria aos 60 é sonho de 59% dos brasileiros; um terço acha que não conseguirá
16 de setembro de 2026

Sancionada lei de incentivo à instalação de data centers
16 de setembro de 2026

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Ana Castela são artistas brasileiras indicadas
16 de setembro de 2026