Mesmo longe dos grandes centros de moda, Manaus abriga estilistas que mantêm um público cativo e fiel, sempre em busca de novidades e modelos exclusivos. Entretanto, a renda obtida por meio do trabalho ainda não é suficiente para que esses profissionais abandonem seus empregos ‘oficiais’ e se dediquem exclusivamente ao ofício.
Milena Desterro, proprietária do ateliê Senhorita Delicada, começou a desenhar roupas para a sua filha, e com o diferencial nas roupas das filhas, acabou chamando a atenção das amigas e então, passou a atender outras pessoas, trabalhando exclusivamente com modelitos para crianças. A procura pelas peças resultou na abertura do seu ateliê.
Segundo ela, seu objetivo é de apresentar ao público uma mercadoria exclusiva, ao contrário das que são vendidas nas grandes lojas de varejo, produzidas em larga escala. “Não repetimos os modelos, nossa produção é bastante limitada”, afirmou. Por coleção, a estilista chega a produzir em torno de 50 a 60 peças, dependendo da demanda observada. Os tecidos utilizados na produção são em sua maioria, adquiridos fora da cidade. “Mas, por exemplo, se for uma estampa lisa, como algodão branco, compro aqui em Manaus mesmo. Mas isso depende da qualidade do produto”, afirmou.
De acordo com Milena, o ateliê é auto-suficiente, mas ela mantém sua atividade principal como advogada, pois ainda não dá para prover seu sustento exclusivamente do trabalho alternativo. Milena afirmou já ter recebido ofertas de disponibilizar as suas produções em uma loja, mas teme descaracterizar a proposta original da Senhorita Delicada. “Acredito que desvirtua o objetivo do ateliê. Aqui recebemos as pessoas pessoalmente, tiramos as medidas, conversamos,” disse.
De boca em boca
Milena não tem uma idéia do percentual de crescimentos nos dois anos de trabalho, mas acredita estar obtendo sucesso na empreitada. “Hoje, cada vez mais pessoas desconhecidas vem ao meu ateliê, não são apenas as amigas que vem encomendar para os filhos”, declarou.
Ela se prepara para lançar a coleção de outono/inverno, inspirada no ano da França no Brasil. “Minha coleção é francesa, inspirada em Maria Antonieta e Brigitte Bardot, por exemplo”, disse. Formada em direito, Milena fez cursos de estilismo e desenho de moda nas viagens que fazia durante as férias.
Letras e figurinos se misturam todo dia
A jornalista Cristiane Batista, dona da marca Santa Cris, começou seu trabalho como estilista há três anos e hoje mantêm um ateliê em casa. Autodidata, sempre se interessou por moda e nunca gostou de comprar roupas em grandes redes varejistas, por conta da produção em larga escala e do risco de encontrar alguém na rua usando a mesma peça. “Comecei a fazer algumas peças, as minhas amigas gostavam e pediam para que eu fizesse também para elas”, contou.
Nas coleções preparadas por Cristiane, há variação nas peças, como vestidos e blusas. Geralmente, os tecidos são oriundos dos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo ela, do que é investido, consegue um retorno de cerca de 50%. Quando o produto é feito para revenda em lojas, esse percentual diminui.
Sem repetições
As peças produzidas são exclusivas, e mesmo que sejam encomendadas, elas não são repetidas, sob a alegação de saírem da proposta da marca. As peças são pensadas e adequadas ao clima da cidade. Assim, tecidos como algodão e cetim são valorizados e dependendo da coleção, o número de peças fica entre 30 e 150 criações.
Cristiane divide o seu dia com os trabalhos como jornalista e estilista. Para conseguir dar contar das duas atividades sem prejuízos a nenhuma, ela cria grupos de trabalho para atender as demandas que vão surgindo, usando o tempo a seu favor. “Geralmente eu trabalho a noite e aos sábados e domingos”. Segundo ela, após o dia de trabalho como jornalista, ela segue para o ateliê no intuito de preparar os moldes para a equipe trabalhar no dia seguinte. Ela afirmou que consegue conciliar muito bem as duas atividades, e ainda não pensa na possibilidade de abandonar uma das carreiras em razão da outra.







