Primeiro imaginar um evento, depois escolher um local onde o mesmo deverá acontecer, aí providenciar som, iluminação, ingressos, ah, e o principal, os artistas (sempre é bom alguns e quanto mais, melhor). Isso tudo, e mais alguma coisa, faz parte da rotina de um produtor musical. Ao menos é o que ensina Filipe Moreira, proprietário da FM Produções, há apenas dois anos no meio artístico, mas já sabendo o que deve e o que não deve fazer.
“Era técnico em informática, mas sempre gostei de música. Tinha um irmão que era DJ, então resolvi promover um evento com música eletrônica, uma rave, no final de 2012”. Mas, ainda sem experiência, Filipe errou na hora de calcular custos e acabou tendo prejuízo. “Mas não desisti. Vi que havia errado e fiquei aguardando um novo momento pra levar meu projeto adiante”, lembrou. E não demorou para esse momento acontecer.
Em maio de 2013 a Ícone Produções convidou Filipe para coproduzir um show em homenagem à banda carioca Los Hermanos. “Entrei de cabeça na coprodução, além das atividades normais de uma produção, ainda financiei parte dos custos do evento, mas valeu a pena. Conseguimos ter retorno financeiro e por quase todo o ano continuei produzindo eventos na boate Casablanca, no centro de Manaus, com rock, reggae, música eletrônica, às vezes com bandas, outras vezes com DJs”, disse.
Em outubro daquele ano, cada vez mais seguro de si como produtor, Filipe idealizou a primeira edição do Metal Manaus. “Foi no Almirante, coloquei nove bandas no palco, e deu o dobro do público que nós havíamos imaginado. Fiquei impressionado e com a certeza de que, fazendo um trabalho bem feito, os bons resultados aparecem”, ensinou.
Respeito ao público
E no ano seguinte o bom trabalho desenvolvido por Filipe continuou surtindo efeito. “Logo em fevereiro, as bandas que haviam feito a homenagem ao Los Hermanos, me chamaram, agora, para produzir um nov especial sobre a banda. Novo sucesso de público”, exultou.
Empolgado, em julho de 2014, Filipe promoveu a segunda edição do Metal Manaus, na quadra da escola de samba A Grande Família, na zona Leste, um evento ainda maior que o primeiro, mas cometeu um erro grave. Misturou estilos, metal pesado com white metal (metal branco), estes, seguem a linha gospel, e o público não compareceu. “Errei feio e poderia ter me ‘queimado’ porque o público precisa ser respeitado, e eles viram isso como uma falta de respeito. Mas me redimi. Em outubro, idealizei a primeira edição do Aliança Metal Festival, na quadra da escola de samba Acadêmicos de Petrópolis. Trouxe uma banda de fora, foram os primeiros artistas de outro Estado contratados pela FM, a banda Nervochaos. Novamente me surpreendi. O público lotou o espaço”, recordou. E fechou o ano com a produção de uma segunda homenagem, em dezembro, à banda Los Hermanos. “Com o tempo, aprendemos qual o caminho das pedras. Esse show foi fraco. Empatei dinheiro. Errei ao fazer um show de rock no centro da cidade. O público não vai”, lamentou.
Permanentemente antenado com seus shows, a segunda edição do Aliança Metal Festival já está marcada para o dia 18 de abril. “E agora vou trazer duas bandas de fora. Já fechamos contrato com a Mystifier, da Bahia, e estamos em vias de fechar com a segunda, conhecida em nível nacional, mas que prefiro ainda não dizer o nome até concluirmos a contratação”, adiantou.
“Falando assim, parece fácil organizar esses shows, um atrás do outro, mas dá uma trabalheira, até porque, em Manaus, o rock (do pop ao metal) parece não ser visto com bons olhos pelos patrocinadores, ainda que shows aqui levem 10, 20 e até 50 mil pessoas, como os acontecidos na Ponta Negra. Com patrocinadores ficaríamos mais tranquilos em não ter que depender única e exclusivamente da bilheteria para bancar os custos”, reclamou.
E atenção artistas que querem mostrar seu trabalho para o público, mas não têm quem os ajude na produção. “Falei só de rock, mas estou aberto a produzir shows em qualquer estilo musical. Pra mim interessa que o evento tenha retorno financeiro e que o público saia satisfeito”, finalizou. Contatos com o produtor podem ser feitos pelo (92) 9 8165-0356.
Evaldo Ferreira
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