Estimativa da safra de grãos do Amazonas 2022/2023 voltou a ser revisada para baixo pela Conab

Em: 10 de maio de 2023

Um mês após trocar de sinal, a estimativa da safra de grãos do Amazonas 2022/2023 voltou a ser revisada para baixo pela Conab. Mas, a projeção ainda é de crescimento. A expectativa é de uma alta de 6,9% em relação à safra de 2021/2022, com a produção passando de 47.800 toneladas para 51.100 toneladas. Em março, a Companhia de Abastecimento Nacional calculava que o resultado seria 16,9% melhor (55.900 toneladas). Entre as quatro culturas listadas, os destaques positivos são o arroz e a soja, em detrimento do milho e do feijão. Houve também O novo prognóstico aponta também para redução de plantio e elevação de índices de produtividade no Estado.

O sétimo levantamento para a atual safra foi apenas o segundo em que a produção de grãos do Amazonas aparece em ritmo crescente. Mas, confirmou também que os números estaduais ainda estão abaixo das médias de todo o Brasil (+14,7% e 312,53 milhões) e da região Norte (+13,1% e 16,18 milhões). O Estado aparece com o 19º maior crescimento proporcional nas 26 unidades federativas sondadas pela estatal, em uma lista liderada por Alagoas (+44,8%) e encerrada por Rio de Janeiro e Distrito Federal (ambos com +2,1%).

O levantamento informa que o Estado deve usar uma área menor para o cultivo da atual safra de grãos, que se encerra em setembro de 2023. Ela deve passar de 19.600 para 18.500 hectares, na comparação com o período de 2021/2022, gerando um declínio de 5,6%. A projeção, entretanto, foi corrigida para cima, em relação às taxas apuradas em março (-6,1%) e fevereiro (-18,9%). Milho (-40% e 5.700 hectares) e feijão (-14,8% e 2.300 ha) puxam os números para baixo. O mesmo não ocorre com arroz (+24,1% e 3.600 ha) e soja (+53.300 e 6.900 ha).

Em todo o país, apenas mais seis unidades federativas acompanharam o Amazonas com estimativa de projeção de queda para a área de plantio: Distrito Federal (-4,6%), São Paulo (-3%), Sergipe (-1,9%), Pernambuco (-1,8%), Paraná (-1,5%) e Santa Catarina (-0,7%). Na outra ponta, o maior acréscimo da lista ainda vem de Roraima (+20%). A Conab aguarda incremento de 3,3% para a média nacional, com a área semeada no país devendo chegar a mais de 77 milhões de hectares, contra os 74,51 milhões de hectares cultivados em 2021/2022. A taxa de elevação da região Norte foi novamente majorada e já está em 9,1%, com a área encostando nos 4,54 milhões de hectares. 

Produtividade maior

Já a produtividade amazonense para a safra de 2022/2023, foi novamente corrigida para baixo, saindo do aumento de 24,6% (3.038 quilogramas por hectare) calculados em março, para uma alta mais contida e ainda expressiva de 13,3% (2.762 kg/ha). Na safra de 2021/2022, o indicador estadual marcou 2.439 quilogramas por hectare. Arroz (+19,1% e 3.334 kg/ha), milho (+19% e 2.975 kg/ha) e feijão (+5,2% e 947 kg/ha) avançaram nesse quesito, mas não a soja (-4% e 2.890 kg/ha). As médias do Brasil (+16,6%) e da região Norte (+3%) seguem positivas, em uma lista que incluiu mais três retrações. O Amazonas aparece com o pior desempenho de um ranking liderado pelo Paraná (+77,6%).

A Conab informa que o arroz produzido na “safrinha” do Amazonas está todo semeado e lembra que a atividade “requer investimentos em maquinário pesado e adaptado ao deslocamento em áreas de solo encharcado, o que eleva consideravelmente os custos de produção”. E acrescenta que a produção das áreas de prevalência do ecossistema de várzea já foi quase toda colhida, em meio a um cenário de “pequenas variações no ritmo de subida dos rios” e “de enchentes”. Mas, reforça que não há relatos sobre ocorrências que comprometam as condições do cultivo.

No caso do milho, a estatal destaca que o sistema de produção do Amazonas é caracterizado pela agricultura familiar, com adoção de “baixo nível tecnológico” e prioritariamente para autoconsumo e vendas de excedentes. “As áreas cultivadas nesse sistema já foram colhidas, e as produtividades alcançadas superaram a estimativa inicial. Neste levantamento foram identificadas áreas de milho safrinha, semeadas após a colheita da soja, e serão melhor descritas no próximo levantamento”, explanou a Conab, no texto do levantamento.

Segundo a Conab, o início da colheita da soja no Amazonas não ocorreu de forma uniforme, sendo que o primeiro relato de início de colheita ocorreu no início de janeiro. “Durante nossa visita em campo, apenas uma pequena área ainda estava para ser colhida, em Humaitá, muito em razão do excesso de chuvas. Não houve nenhum relato de ocorrência significativa de problemas que comprometam a qualidade do produto. Porém, com a intensificação da quadra invernosa, os dias propícios para a entrada das máquinas para colheita estão bem reduzidos, o que vem atrasando a conclusão e depreciando um pouco a qualidade dos grãos, com incidência de grãos ardidos e apodrecidos”, analisou.

A Conab não se pronunciou sobre a involução do plantio do feijão caupi. No Amazonas, a cultura se destaca por vir exclusivamente de agricultura familiar, sendo cultivado principalmente em Lábrea e Boca do Acre. 

Valorização e sustentabilidade

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, lembrou que a produção de grãos ainda é considerada pequena no Estado, quando comparada à média nacional. Mas, salientou que já é possível perceber progressos de produção e área plantada, em função principalmente dos planos do setor privado. “Os resultados já eram esperados. Os fatores que contribuem são as condições produtivas favoráveis das áreas de campos naturais, localizados principalmente em Humaitá. A valorização dos grãos no mercado internacional também é um fator positivo”, listou.

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, diz que os números de abril deram uma boa sinalização para a atividade, em âmbito estadual. “Aumentamos no arroz e na soja, e já buscamos alternativas para fomentar sementes de milho e feijão para nossos agricultores. Nosso Plano Safra 2023/2024 vai nessa direção. Contudo, é urgente resolvermos a questão fundiária para separar o produtor de quem comete ilícitos ambientais. O Estado já está empenhado em fazer o Zoneamento Econômico Ecológico, para nortear políticas públicas de desenvolvimento sustentável e garantir segurança jurídica”, frisou.

O ex-superintendente da Conab e administrador com especialização na gestão de informação ao agronegócio familiar e empresarial, Thomaz Meirelles, concorda. “Espero que venha a existir uma parceria entre o Estado e o governo federal voltado para a produção de milho nas áreas de várzea e terra firme. No passado, houve uma parceria entre o Sistema Sepror e a Conab, que viabilizou a distribuição de sementes. Vejo o cenário positivo para a volta dessa parceria. Contudo, sem avanços no ZEE, licenciamento ambiental e regularização fundiárias os avanços serão pontuais”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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