Estimativa para safra de grãos no Amazonas é mantida

Em: 14 de julho de 2020
Conab mantém sua projeção para a safra de grãos 2019/2020 do Amazonas, em sua revisão de julho
Estimativa para safra de grãos no Amazonas é mantida

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) manteve sua projeção para a safra de grãos 2019/2020 do Amazonas, em sua revisão de julho – a última antes do começo dos efetivos trabalhos no campo, neste ano. Somadas, as culturas de arroz, feijão, milho e soja devem render uma produção global de 41,7 mil toneladas para o Estado. O incremento em relação à safra 2018/2019 (38,7 mil) ainda é de 7,8%. Os dados foram extraídos do site da estatal.

A área de plantio total e seus ganhos de produtividade também permaneceram inalterados. No primeiro caso houve incremento de 4,5%, de 17,9 mil hectares (2018/2019) para 18,7 mil hectares (2019/2020), entre uma safra e outra. No segundo, o avanço aguardado segue sendo de 3,1% em relação ao período anterior, ao passar de 2.162 kg/ha para 2.230 kg/ha, na mesma comparação de períodos.

Entre as quatro culturas que compõem a cesta amazonense de grãos, três ainda contam com projeção positiva e apenas uma sinaliza ser menor. Diferente do ocorrido no levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – que considera a produção dos 12 meses do ano –, a sondagem da estatal federal leva em conta o calendário de safra, que começa em julho e termina junho do ano seguinte. Daí as possíveis discrepâncias entre um e outro.

Produto que embala grandes expectativas para o setor rural do Estado, a soja tem estimativa de repetir a safra anterior, de 5.300 toneladas. O arroz sequeiro (5.400) ainda é o produto com o melhor índice de crescimento da lista (+100%). As expectativas para a única safra amazonense de milho (28,4 mil) ainda são de aumento de 3,3%. O único dado negativo segue vindo do feijão (2.600), que apresenta retração de 18,8% no confronto com o ano passador. 

Área e produtividade

A despeito da projeção de safra da soja se manter na mesma, a estimativa para a área de plantio (2.300 hectares) é 4,5% maior. A manutenção nas apostas negativas para o feijão foi acompanhada pela confirmação do corte de 20% em suas áreas de plantio (2.800) em relação a 2018/2019 (3.500). Em contrapartida, arroz (+100%) e milho (+1,8%) seguem ganhando terreno, com 2.400 e 11,2 mil hectares, respectivamente. 

O mesmo pode ser dito sobre a produtividade. No caso da soja, a razão quilograma hectare esperada para a safra 2019/2020 é de 2.300 kg/ha, entre uma revisão e outra, apontando para uma retração de 4,2% sobre 2018/2019 (2.400 kg/ha). Feijão (+2,3%) e milho (+1,4%) alcançaram índices positivos – com 921 kg/ha e 2.535 kg/ha, respectivamente. Arroz (2.239 kg/ha), por outro lado, ainda está negativo em 0,5%.  

A produção de milho do Amazonas se concentra principalmente em Manacapuru e Boca do Acre, onde está o maior plantel animal, já que entre 60% e 70% da produção é destinada à ração. A soja vem de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), na Fazenda Santa Rita. O arroz tem destaque nos municípios do rio Juruá, principalmente Eirunepé e Envira. O feijão, por outro lado, é cultivado na calha do rio Purus – em especial, Lábrea e Boca do Acre.

Modo de produção

Diante da disparidade entre os números das culturas do arroz e do feijão no Estado, o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, explica que, embora complementares no prato dos brasileiros, os produtos contam com modo de produção muito diferente. Segundo o dirigente enquanto a produção de arroz é baseada em mecanização agrícola – facilitando a produção em maior escala –, o mesmo não pode ser dito do feijão, que tem na agricultura familiar a sua maior fonte.

Muni Lourenço avalia, contudo, que a confirmação dos números da Conab mostram o crescimento da itens importantes para a economia primária do Amazonas, a despeito dos entraves logísticos e de mercado proporcionados pela pandemia e pelo isolamento social. Para o presidente da Faea, o levantamento da estatal sinaliza também tendência de ampliação das culturas de soja, arroz e milho no Sul do  Amazonas, principalmente em Humaitá.

Indagado sobre o porquê da primazia do município em detrimento de outros e se o Estado não estaria concentrando muitos ovos na mesma cesta, o dirigente explicou que Humaitá conta com uma confluência de vantagens comparativas. “A questão é que nos outros não há uma disponibilidade de áreas planas de campos naturais, vocacionadas para grãos. Além disso, há a infraestrutura logística, uma vez que Humaitá conta com acesso pela rodovia BR-319 e também com um porto graneleiro exportador, do Grupo Mazzuti”, explicou.

“Caminho certo”

O titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, considera que o décimo levantamento da Conab para a safra 2019/2020 confirma o crescimento na produção de milho, arroz e mantém a previsão de soja na comparação à safra passada. Para o secretário estadual, o fato de a produção de arroz dar um salto de 100% mostra que a agricultura amazonense está no caminho certo e ainda tem espaço para crescer.

“Ainda acredito que, no próximo levantamento da Conab, poderá haver ajustes na produção de soja no Sul do Amazonas, pois as informações que tenho são de crescimento contínuo. Quanto ao futuro, com o maior uso da tecnologia em favor do homem do campo, e se elas forem capazes de agilizar a regularização fundiária e o licenciamento ambiental reduziremos significativamente a dependência na importação de alguns alimentos básicos”, arrematou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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