Estratégia & Ação – Política Econômica, Fundo Soberano de Riqueza Brasil (parte 2)

Em: 6 de junho de 2008
O governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda concretiza a vontade de implementar o Fundo Soberano de Riqueza Brasil.
O governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda concretiza a vontade de implementar o Fundo Soberano de Riqueza Brasil.

Nilson Pimentel
O governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda concretiza a vontade de implementar o Fundo Soberano de Riqueza Brasil, haja vista todas as outras prioridades hierarquizadas existentes na economia brasileira. Dentre elas o aumento de investimentos em Educação, sobre esse processo continuado de geração de conhecimentos repousa o único caminho a trilhar para suplantar o ‘gap’ tecnológico que o país atravessa.
Visto pela justificativa do Governo sobre a criação desse Fundo Soberano, passamos às explicações sobre o que se trata, haja vista, muitos entre nós, ainda não sabermos ou poucos entendem.
Sabe-se que os Fundos, atualmente, possuem patrimônio por volta dos US$ 3,1 trilhões ao redor do mundo, mas deve triplicar em alguns anos. Estimativas indicam algo em torno de US$ 5 trilhões em 2012 e US$ 10 trilhões em 2017. Cerca de 40 países contam com este tipo de Fundo, entre os quais a China e a Rússia, mas os mais importantes em volume de ativos são: Emirados Árabes Unidos, Noruega, Arábia Saudita e Kuwait. Em boa parte são países exportadores de commodities, os quais conseguem manter grandes volumes de superávits cambiais, como petróleo, com destaque para aqueles do Oriente Médio.
Como Surgiram?
Pesquisas indicam que os primeiros Fundos criados foram por países exportadores de petróleo nos anos 50. Assim, em 1953, o governo do Kuwait, criou o Kuwait Investment Autorithy (KIA), visando aplicar as receitas com a venda de petróleo, objetivando aplicações desses recursos em fontes alternativas de elevados retornos financeiros. Atualmente, 10% das receitas com petróleo são aplicadas no KIA.
Atualmente, os Fundos Soberanos de país, passam de 40, movimentando patrimônios financeiros de cerca de US$ 3.1 trilhões.
Uma, dentre as principais justificativas para criação desses Fundos, surgiu da necessidade dos países emergentes em fortalecer suas posições internas, ter maior autonomia nas Políticas Econômicas, se resguardar contra a voraz globalização financeira dos mercados, maior mobilidade de recursos de curto prazo, riscos de crises externas e, até então, a predominância do dólar.
Como os mercados emergentes não podem criar uma moeda conversível, a exemplo do euro e do dólar, começaram a fortalecer suas posições, com o acúmulo de suas reservas cambiais, amortecendo possíveis ataques financeiros especulativos. Com as taxas crescentes da economia chinesa, os mercados emergentes acabaram incorrendo em consideráveis superávits externos e no acúmulo de reservas, decorrentes, principalmente de exportação de commodities. Estima-se, que essas reservas mundiais, cresceram de um total de US$ 2 trilhões em 1998, para volumes estimados de US$ 7 trilhões em 2007.
Nesse campo, somente a China possui reservas de US$ 1.3 trilhão, e lidera o ranking desses Fundos, seguida pelo Japão (US$ 1 trilhão), Rússia (US$ 416 bilhões), Coréia do Sul (US$ 255 bilhões) e Índia (R$ 230 bilhões).
Para o Governo brasileiro, que possui um nível razoável de reservas, e que essas reservas são, na sua maioria, compostas por moeda norte-americana, 60% do total, entende que esse acúmulo seja uma alternativa de aplicação global diante da maior volatilidade e mobilidade de capitais, na sua maioria, de curto prazo. E, que as reservas podem trazer para o Brasil ganhos consideráveis, em função da aplicação e da segurança com alta liquidez em papéis rentáveis, como os T-bond’s do governo americano, assim como, ‘socorrer’, os problemas financeiros da economia interna brasileira, em termos de liquidez.

Fase inédita da globalização
Com essa decisão governamental, com a obtenção do ‘investment grade’ e com o acumulo de cerca de reservas cambiais de US$ 180 bilhões, montante suficiente para honrar a dívida externa brasileira, a economia brasileira ingressa nessa fase inédita da globalização financeira, em que países emergentes tornam-se, por meios desses Fundos Soberanos, principais acionistas de grandes e importantes companhias mundiais.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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