Estudantes e bispo protestam contra aumento

Em: 22 de dezembro de 2010
O aumento de 61% para os parlamentares e de mais de 100% para a presidente eleita, seu vice e os ministros de Estado causou mais protestos no Congresso nesta terça-feira (21)
O aumento de 61% para os parlamentares e de mais de 100% para a presidente eleita, seu vice e os ministros de Estado causou mais protestos no Congresso nesta terça-feira (21)

O aumento de 61% para os parlamentares e de mais de 100% para a presidente eleita, seu vice e os ministros de Estado causou mais protestos no Congresso nesta terça-feira (21). Um grupo de cerca de 100 estudantes universitários foi barrado ao tentar entrar na chapelaria do Legislativo com cartazes criticando o aumento para R$ 26.700 para deputados, senadores, Dilma Rousseff, Michel Temer e futuros ministros de Estado. Ainda ontem, o bispo Manoel Edmilson da Cruz rejeitou, em meio a uma sessão no plenário do Senado, receber uma homenagem, a comenda Dom Hélder Câmara.
O bispo disse agir sem ressentimentos ao não aceitar a premiação. “Sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la”, afirmou Cruz, sendo aplaudido em seguida pelos presentes. “Ela [a comenda] é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”.
O bispo lembrou do efeito cascata do aumento e ainda exemplificou algumas categorias profissionais que não conseguem aumentos salariais dignou. “O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera parlamentares?”, disse Cruz. Ele afirmou que os motoristas de ônibus de Fortaleza, por exemplo, buscaram um aumento de 26% este ano, mas, com esforço, só obtiveram 6%.
Os estudantes tentaram entrar no Congresso, mas foram impedidos pela Polícia Legislativa e pela Polícia Militar. Acusaram os policiais de darem um choque em um garoto de 14 anos. O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo, afirmou que os homens da Casa portavam armas elétricas, mas não as utilizaram nesta ocasião.
A manifestação continuou no gramado do Congresso. Os estudantes se posicionaram para compor um cifrão ($) em frente à Câmara e ao Senado. “Qualquer aumento é abusivo em relação ao aumento do salário mínimo, que foi de apenas 5%”, disse o estudante de letras Pedro Lucas Grace, de 18 anos. Cartazes diziam “Chega de fazer o povo de palhaço”.
Ele afirmou que o grupo até tentou entrar em fila indiana nas dependências do Legislativo, mas foi impedido. Araújo disse que as visitas ao Senado – que acontecem todos os dias – foram suspensas. “Aqui não é lugar de manifestação”, disse o diretor da Polícia Legislativa.

Sarney “joga” problema para deputados

O presidente do Congresso e do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP), responsabilizou a Câmara pela aprovação de um aumento de mais 60% para os próprios parlamentares e de mais de 100% para a presidente da República, seu vice e os ministros de Estado, que passarão a ganhar R$ 26.700 a partir de fevereiro.
“Foi toda a Casa que veio. Veio da Câmara dos Deputados pra cá. Não quero fazer nenhum comentário sobre isso”, disse Sarney, nesta terça-feira, ao comentar o protesto de estudantes em frente ao Congresso.
“A Constituição diz que uma legislatura deve indicar o vencimento da próxima legislatura. E… a Câmara dos Deputados organizou daquela maneira e o Senado aprovou. Eu não vejo como a gente possa…”, insistiu Sarney.
Na verdade, o aumento foi aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado. E agora vai à promulgação. No plenário do Senado, sequer houve discussão dos parlamentares, ao contrário do que fizeram alguns deputados. Tudo foi aprovado em cinco minutos pelos senadores.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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