Atletas em busca de mais força e resistência nos músculos têm aderido ao uso de esteróides anabolizantes para obter corpo perfeito. Mas, não são apenas os atletas. Jovens de aparência saudável em busca de corpos esculpidos à base de remédios caminham em direção a um vício muitas vezes sem volta.
Devido ao crescente uso inadequado das substâncias por jovens estudantes em pleno desenvolvimento psicofísico, alunos do ensino fundamental da Escola Municipal Vicente de Paula, na zona sul de Manaus, desenvolveram o projeto de pesquisa “Esteróides anabolizantes: dos atletas olímpicos aos jovens equivocados”.
Sob a coordenação do professor Manuel Porto Galvão, as pesquisas foram desenvolvidas a partir de um projeto realizado em 2003 no âmbito do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) na Ufam (Universidade Federal do Amazonas).
Escassez de literatura
Galvão explicou que o interesse pelo tema surgiu ainda na graduação, quando cursou a disciplina “Atividade física na adolescência”. “Deparei-me com uma escassez de literatura sobre o uso de esteóides por adolescentes. Assim, idealizei um projeto com recursos do Pibic e foi esse projeto que adequei à realidade da escola municipal para trabalhar com os alunos por meio do Programa Ciência na Escola, financiado pela Fapeam [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas]”, explicou o professor.
Os resultados do trabalho foram apresentados na Mostra Pública do PCE, que se encerra hoje, na Arena Amadeu Teixeira, na avenida Constantino Nery, Chapada, zona centro-sul. No total, 151 projetos foram apresentados, tratando de meio ambiente, saúde e políticas públicas, entre outros.
Nas pesquisas, os alunos elaboraram e aplicaram 400 questionários anônimos aos alunos do 6º ao 9º ano da escola com intuito de saber quais estudantes já tinham tido algum contato ou feito o uso de anabolizantes e se conheciam os possíveis perigos à saúde.
“Na amostra, nós encontramos 17 alunos que já tiveram contato com anabolizantes, totalizando 4,25%. Quando perguntamos aos alunos se eles conhecem os efeitos colaterais, 54% dos 400 questionados, afirmaram desconhecer os efeitos colaterais que podem acometer os jovens com o uso dos esteróides”, salientou.
De acordo com Galvão, para os “super-homens” do esporte, as penas são morais, sociais e econômicas, isso quando flagrados no exame antidopping. No outro extremo, estão os jovens, que são meros expectadores influenciados e os que de fato mais perdem.
“Influenciados no mito do corpo esteticamente perfeito, os jovens chegam a associar anabolizantes de consumo humano e animal, encontrados em farmácias e clínicas veterinárias”, lamentou.
Estudantes menos tímidos e leitores
Questionado sobre as melhoras no desempenho escolar dos alunos, Galvão disse que eles se tornaram leitores mais assíduos por conta das pesquisas bibliográficas e perderam a timidez em expor trabalhos quando solicitados.
“Os bolsistas sentiram como é ser um pesquisador, já que tiveram que pesquisar e ir atrás de informações que não eram mostradas e debatidas em sala de aula”, enfatizou Galvão.
O professor salientou também a importância da Fundação no fomento de pesquisas para estudantes ainda do ensino fundamental. “Algo que em 2003 era inimaginável, a Fapeam fez ser real e palpável. Além de pesquisas de mestrado e doutorado, temos uma instituição que apoia pesquisas no ensino fundamental, dando a oportunidade aos jovens de entrarem em contato com o universo científico. Só tenho a agradecer, por mim e pelos alunos”, concluiu.






