Um dos materiais mais importantes nas construções, o tijolo, agora, pode ser feito de papel. É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da FAU/UnB (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília) Márcio Buson. O especialista criou um bloco compactado feito a partir da mistura de terra com as fibras das embalagens de cimento, o papel kraft. “Basicamente, eu pego o solo e incorporo essas fibras para formar o composto. Depois, estabilizo com um pouco de cimento para melhorar as propriedades finais do material”, explica o professor.
Apelidado de kraftterra, o tijolo é apontado por pesquisadores da UnB como uma alternativa viável para a construção civil e uma boa maneira de reaproveitar os sacos de cimento, considerados altamente poluentes. “O saco de cimento é um resíduo que não é absorvido em nenhum processo de produção. Agregado à fabricação do kraftterra, ele é muito bem-vindo”, aponta Raquel Naves Blumenschein, professora da FAU/UnB e coordenadora do Lacis (Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade).
A fabricação do kraftterra é realizada a partir da reciclagem das embalagens de cimento e é composta por seis etapas (veja ao lado). Segundo o arquiteto, a grande característica das fibras do papel kraft, depois da reciclagem, é que elas são longas e, com isso, dão mais liga ao composto. “O material ligante faz com que a retração da terra depois da secagem do material diminua. Se a retração for grande, o tijolo trinca, e isso não é bom”, explica Buson.
Nos ensaios feitos em laboratório, durante o mestrado na Universidade de Aveiros, em Portugal, o professor da UnB realizou diversos testes para avaliar a resistência do kraftterra a impactos. O novo produto se mostrou vantajoso quando comparado ao tijolo comum – bloco de terra compactado (BTC), composto pela mistura de terra crua com cimento. “Observamos que o kraftterra melhora as propriedades físicas e mecânicas, tornando-se mais resistente à compressão, o que é importante para sustentar uma construção”, diz o pesquisador. Além da resistência, a produção do kraftterra traz economia. Na pesquisa, Buson conseguiu diminuir pela metade o uso de cimento para a fabricação dos blocos.
A maior vantagem do kraftterra, no entanto, tanto na opinião do autor do estudo como na de outros pesquisadores da UnB, é o fato de ele ajudar na preservação do meio ambiente. Isso porque evita que a embalagem de cimento seja jogada no lixo. “Não há um descarte correto para esses sacos, que acabam indo para aterros e lixões, comprometendo a qualidade do solo e da água e até obstruindo bueiros”, explica Raquel Blumenschein.
Estudo confirma que fibras de sacos de cimentos podem virar tijolos
Em: 16 de abril de 2010
Um dos materiais mais importantes nas construções, o tijolo, agora, pode ser feito de papel. É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da FAU/UnB (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília) Márcio Buson.
Redação
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