Estudo identifica DSTs no Alto Solimões

Em: 18 de dezembro de 2009
Os moradores de três cidades do Alto Solimões – Tabatinga (a 1.105 km de Manaus), Benjamim Constant (a 1.118 km) e Atalaia do Norte (a 1.138 km)–, no interior, vão ganhar maior atenção das autoridades de saúde no combate às DSTs
Os moradores de três cidades do Alto Solimões – Tabatinga (a 1.105 km de Manaus), Benjamim Constant (a 1.118 km) e Atalaia do Norte (a 1.138 km)–, no interior, vão ganhar maior atenção das autoridades de saúde no combate às DSTs

Os moradores de três cidades do Alto Solimões – Tabatinga (a 1.105 km de Manaus), Benjamim Constant (a 1.118 km) e Atalaia do Norte (a 1.138 km)–, no interior, vão ganhar maior atenção das autoridades de saúde no combate às DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).
O anúncio foi feito após a conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), com financiamento da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), por meio do Poppe (Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Políticas Públicas em Áreas Estratégicas).
Realizada num período de três anos, a pesquisa intitulada: “Análise Situacional da Saúde Sexual do Alto Solimões”, conseguiu identificar por meio de mapas temáticos construídos a partir de georreferenciamento, os locais vulneráveis à contaminação das DSTs nas três cidades estudadas e ainda o índice de prevalência (casos) entre a população que fez parte do estudo. O estudo recebeu recursos do Poppe de R$ 300 mil para auxílio-pesquisa e ainda cerca de  R$ 40 mil para bolsas.
Segundo a coordenadora da pesquisa e diretora da Fuam (Fundação Alfredo da Matta), Adele Benzaken, a última parte da pesquisa, que foi apresentada durante uma oficina em Tabatinga, reunindo os maiores interessados no assunto – autoridades, agentes de saúde, enfermeiros, médicos e até representantes da ONU (Organização da Nações Unidas) – demonstrou as DSTs mais comuns entre a população.

Análise laboratorial

No total, foram realizados mais de 4.800 exames de última geração com uso de biologia molecular em 600 amostras colhidas para análise laboratorial a fim de identificar doenças como sífilis, HIV, hepatites B e C, HPV, herpes, entre outras.
“Entre os resultados, chamaram a atenção a quantidade de pessoas contaminadas pelo vírus do herpes, cerca de 360 pessoas, o que corresponde a 60% dos participantes da pesquisa, as ocorrências de contaminação pelo HPV (papiloma vírus humano), mais de cem pessoas, o que representa 20% e os casos de hepatite B que deu positivos para quase 7% das amostras analisadas”, destacou a pesquisadora.
Algumas doenças, como a clamídia, apresentaram ocorrência menor, 3% das amostras, mas chamaram a atenção quando comparadas ao número de casos em outros lugares mais desenvolvidos no Brasil e no mundo com base em dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o que preocupou as autoridades de saúde do Estado do Amazonas.
“No caso da aids, a situação é ainda mais preocupante, pois apesar de haver tratamento na região, a discriminação e a falta de cuidados especiais com as pessoas soropositivas ocasionou, só em 2009, o registro de quatro mortes em Tabatinga, além de um problema sério de complicações e morte por conta de depressão, vergonha e auto-isolamento das pessoas infectadas pelo HIV”, revelou Benzaken.

Resultados vão ser apresentados em Brasília, em janeiro

Os resultados da pesquisa, levantamento social, identificação georreferencial (mapas) e o levantamento epidemiológico e clínico das DSTs foram considerados tão importantes que serão apresentados em Brasília, em janeiro de 2010, pelos pesquisadores envolvidos no estudo, durante uma reunião da ONU no Ministério da Saúde.
No Amazonas, serão utilizados como base para implementação de ações de acompanhamento, controle e tratamento dos casos detectados nas três cidades, que ficam localizadas numa área de fronteira e concentram uma grande população indígena, que também sofre com problemas das DSTs.
Outro resultado indireto do estudo foi a elaboração de novos projetos, que devem utilizar a mesma metodologia, submetidos a outros programas da Fapeam e aguardam aprovação para serem implantados em outras cidades do interior do Amazonas como Coari (a 368 km), Codajás (a 237 km) e Iranduba (a 34 km), o que tornará possível um diagnóstico mais preciso sobre as DSTs em cidades vulneráveis no interior do Estado.
 
Sobre o POPPE

O Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Políticas Públicas em Áreas Estratégicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas consiste em apoiar, com recursos financeiros, atividades de pesquisa induzida que possam beneficiar a formulação e a implementação de produtos, processos e inovações tecnológicas vinculados às políticas públicas do  Estado. Os projetos são coordenados por pesquisadores vinculados às instituições de pesquisa e ensino superior públicas sediadas no Amazonas.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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