O Dia do Trabalho já não tem mais a importância e o glamour dos tempos da guerra fria, onde, de um lado, o capitalismo realizava grandes festejos para ostentar a força de sua riqueza, e de outro, o socialismo exibia seu poderio militar para mostrar que do outro lado da cortina o trabalhador estava muito bem protegido contra o vírus da ganância capitalista. Nos tempos globais, as preocupações de trabalhadores, patrões e governos estão voltadas para as estatísticas das crises econômicas e suas influências negativas nos índices de empregabilidade ou de desemprego.
Remetendo essa preocupação à realidade local, encontramos o Amazonas diante de um quadro estável de geração de emprego. De acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), o Estado obteve no primeiro trimestre de 2008 um total de 43.246 admissões, contra 39.855 demissões de trabalhadores. Saldo de 3.391 empregos.
Grande parte desse saldo positivo ficou por conta do setor da indústria de transformação, que admitiu 13.780 trabalhadores e demitiu 11.133, ficando com 2.647. Por outro lado, o setor de serviços foi o que mais admitiu, com 16.678 contratações, porém foi também o que demitiu, 16.725 trabalhadores, ficando com saldo negativo de 47 empregos.
Na evolução do emprego por setores da economia no Amazonas, o setor de serviços fechou o primeiro trimestre com 38% do total, seguido da indústria de transformação com 32%, o comércio com 18% e a construção civil com 10%. A agropecuária e os serviços de utilidade pública ficaram com 1% cada, completando o quadro.
No quadro da evolução do emprego no Amazonas, o Pólo Industrial de Manaus assume a condição de maior empregador no Estado, com 99 mil trabalhadores, seguido pelo governo estadual com 66 mil funcionários, quase todos concentrados na capital. O interior, porém, permanece em estado de estagnação, onde os 11 maiores municípios contribuíram com irrisórios 1.107 empregados admitidos contra 1.704 demitidos. O saldo negativo do trimestre é de 597.
Um fato que merece reflexão das autoridades neste Dia do Trabalho, pois revela a dicotomia do modelo Zona Franca na relação de desenvolvimento capital/interior, e expõe o desacerto de políticas de governo implantadas ao longo dos últimos 41 anos, período durante o qual Manaus tem sido beneficiária única de crescimento e progresso econômico.
Evolução do emprego no Amazonas não reflete realidade do interior
Em: 30 de abril de 2008
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Petrobras batiza primeiro navio a navegar com tripulação 100% feminina
19 de setembro de 2026


Apostas em bets avançam entre jovens e ampliam risco de dependência
19 de setembro de 2026

Durigan: depois da eleição, a questão da tarifa dos EUA tem de se resolver
19 de setembro de 2026

Flávio: Lula colocou tropa de choque para defender Alexandre de Moraes
19 de setembro de 2026


BNDES já recebeu R$ 8,2 bilhões em pedidos de crédito do Brasil Soberano em dois dias
19 de setembro de 2026

Missão comercial leva empresas brasileiras ao Paraguai e à Argentina
18 de setembro de 2026