Está cada vez mais difícil escolher um assunto inédito para comentar no âmbito político, social ou econômico no que se refere ao nosso país. Esta dificuldade se dá em função da quantidade absurda e inusitada de crimes repetitivos que acontecem e explodem a cada dia na mídia e que acabam por sua quantidade se tornando para o próprio povo menos importante do que deveria ser.
Após a deflagração da operação Lava Jato, os brasileiros se acostumaram a esperar por algo inédito em sua cultura que é a esperança de uma justiça que funcione e principalmente que consiga punir os culpados quando os mesmos são do “colarinho branco”. Logicamente ainda está longe de chegar ao ideal mas há algum tempo atrás jamais um político do porte do Cunha estaria atrás das grades, sem contar o Cabral, um empresário do porte do Marcelo Odebretch. Nem mesmo um político do porte do Lula estaria tão apavorado e falando tanta besteira com medo de um simples juiz de primeira instância, pagando fortunas para um advogado que se diz o melhor do país para questionar a integridade do mesmo no julgamento.
Agora acabamos de ver um grupo ser preso por roubar dinheiro da merenda do sistema prisional, envolvendo uma complicada rede de ladrões que faziam jogadas com pessoas do governo que pagava pelo trigo e pela máquina de fazer o pão da merenda dos presídios, duas vezes e com valores superfaturados. Vejam a que ponto chegamos: roubar a merenda dos criminosos em uma rede onde me parece que o pensamento foi: “ladrão que rouba ladrão……”
Outro fato diferente na rede de mesmice de ilegalidades e que me chamou a atenção foi quando o ministério público divulgou a utilização das criptomoedas, o Bitcoin em especial para a lavagem de dinheiro por parte de uma das quadrilhas. É a tecnologia e a evolução chegando cada vez mais ao crime, só que desta vez não apenas na logística, porém na forma de esconder os resultados. Temos por um lado um grupo de juristas e policiais se contorcendo para buscar derrubar estas quadrilhas e mostrar estes esquemas criminosos. Por outro lado o velho Brasil tem seus representantes que se apoiam em uma constituição mal feita e viciada para garantir direitos de criminosos, principalmente os que podem pagar por sua liberdade e sua impunidade.
Fica bem claro que os criminosos não estão dispostos a abrir mão do dinheiro fácil com o qual se acostumaram a viver nas ultimas décadas e, pior ainda, quando nossos delegados e promotores, junto aos juízes honestos que ainda temos descobrem as formas de lavagem de dinheiro que são utilizadas e que ainda estão por serem descobertas, torna-se necessário repensar nosso país. Esta necessidade mostra-se mais urgente neste momento histórico em que se aproximam as eleições para presidente, mais uma, onde nosso povo mais uma vez tem de comparecer às urnas pois o voto é obrigatório e não tem a menor noção do candidato em que vai ou deve votar.
Temos um sistema político onde o número absurdo de partidos foge a qualquer parâmetro digno de ser chamado de democracia, parecendo muito mais uma feira malcheirosa de votos e de quotas do fundo partidário. Temos um povo que até hoje não aprendeu o que significa a votação e o seu papel na mesma, não sabendo mesmo se vota em pessoas ou partidos, sem se interessar por ideais ou ideologias, se é que existem neste Brasil exótico.
Enquanto isso, os ladrões de todos os níveis se aproveitam das brechas da lei e da inércia das autoridades mal constituídas e vão seguindo nos diversos tipos de assaltos à uma população que já não tem mais do que ser roubada. Não faço diferença entre o ladrão de galinhas e o deputado ou senador ladrão que desvia dinheiro ou aprova projetos para ganhar propina. Todos são criminosos e todos eles estão buscando formas cada vez mais modernas e difíceis de rastrear para enganar o povo e a lei. É infelizmente uma maneira de constituir uma EVOLUÇÃO NEGATIVA.







