A proposta do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de instalar unidades do Exército nas unidades de conservação ambiental com o propósito de proteger a Amazônia e as áreas de reserva, pode ser o fato novo no momento em que velhos fantasmas reaparecem rondando a mais cobiçada região do planeta. “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”, é a pergunta que faz o jornal New York Times, conhecido porta-voz não oficial do governo norte-americano, em sua edição de domingo.
Carlos Minc é um ambientalista com bom trânsito no primeiro mundo e, por isso mesmo, um homem bem informado a partir de fontes fidedignas em sua área de atuação. Tanto, que logo ao chegar de Paris, no domingo mesmo, cuidou de se contrapor à insinuação do respeitado diário americano, considerando um “disparate” os questionamentos sobre a legitimidade para o Brasil administrar a Amazônia.
No mesmo momento, lançou sua proposta inovadora de chamar os militares para guarnecer e proteger as reservas ambientais, de modo a garantir guarda e soberania ao imenso território amazônico do Brasil. Para ele, a Amazônia será brasileira se o país tiver a capacidade de protegê-la e impedir que vire carvão. E definiu a posição dos países interessados na região: “A ajuda internacional é bem-vinda desde que ocorra em bases duráveis”.
Efetivamente, a presença do Exército brasileiro, onde despontam homens como o general Augusto Heleno, atual comandante militar da Amazônia, pode significar a proteção que a região precisa para se manter sob absoluto controle da nação brasileira, tanto no âmbito geopolítico internacional quanto no tocante à ocupação doméstica por meio de projetos de desenvolvimento econômico sustentável.
É de senso comum que a soberania se consolida com a efetiva ocupação territorial e no caso amazônico, os imensos vazios de fronteira e das reservas ambientais pode contribuir para incentivar propósitos atentatórios à soberania nacional sobre a Amazônia. Por isso, mais do que nunca o governo precisa definir e determinar as condições em que essa ocupação será feita, a fim de calar de imediato vozes alheias à nacionalidade e aos interesses do Brasil nessa questão.
E se for preciso, que se imponha regime de restrições ao acesso à floresta amazônica, da mesma forma que o primeiro mundo impõe os green cards de acesso aos seus territórios.
Exército pode ser fato novo na política de proteção e soberania da Amazônia
Em: 19 de maio de 2008
A proposta do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de instalar unidades do Exército nas unidades de conservação ambiental.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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