Exército pode ser fato novo na política de proteção e soberania da Amazônia

Em: 19 de maio de 2008
A proposta do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de instalar unidades do Exército nas unidades de conservação ambiental.
A proposta do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de instalar unidades do Exército nas unidades de conservação ambiental.

A proposta do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de instalar unidades do Exército nas unidades de conservação ambiental com o propósito de proteger a Amazônia e as áreas de reserva, pode ser o fato novo no momento em que velhos fantasmas reaparecem rondando a mais cobiçada região do planeta. “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”, é a pergunta que faz o jornal New York Times, conhecido porta-voz não oficial do governo norte-americano, em sua edição de domingo.
Carlos Minc é um ambientalista com bom trânsito no primeiro mundo e, por isso mesmo, um homem bem informado a partir de fontes fidedignas em sua área de atuação. Tanto, que logo ao chegar de Paris, no domingo mesmo, cuidou de se contrapor à insinuação do respeitado diário americano, considerando um “disparate” os questionamentos sobre a legitimidade para o Brasil administrar a Amazônia.
No mesmo momento, lançou sua proposta inovadora de chamar os militares para guarnecer e proteger as reservas ambientais, de modo a garantir guarda e soberania ao imenso território amazônico do Brasil. Para ele, a Amazônia será brasileira se o país tiver a capacidade de protegê-la e impedir que vire carvão. E definiu a posição dos países interessados na região: “A ajuda internacional é bem-vinda desde que ocorra em bases duráveis”.
Efetivamente, a presença do Exército brasileiro, onde despontam homens como o general Augusto Heleno, atual comandante militar da Amazônia, pode significar a proteção que a região precisa para se manter sob absoluto controle da nação brasileira, tanto no âmbito geopolítico internacional quanto no tocante à ocupação doméstica por meio de projetos de desenvolvimento econômico sustentável.
É de senso comum que a soberania se consolida com a efetiva ocupação territorial e no caso amazônico, os imensos vazios de fronteira e das reservas ambientais pode contribuir para incentivar propósitos atentatórios à soberania nacional sobre a Amazônia. Por isso, mais do que nunca o governo precisa definir e determinar as condições em que essa ocupação será feita, a fim de calar de imediato vozes alheias à nacionalidade e aos interesses do Brasil nessa questão.
E se for preciso, que se imponha regime de restrições ao acesso à floresta amazônica, da mesma forma que o primeiro mundo impõe os green cards de acesso aos seus territórios.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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