A elevação da taxa básica de juros (Selic) será anunciada hoje pelo Banco Central, mas os analistas de mercado já preveem um aumento de 0,50 pontos porcentuais –menor que os dois últimos aumentos de 0,75 pontos porcentuais– elevando a taxa de 10,25% para 10,75% ao ano. Isso se deve, segundo os especialistas, ao fato de a inflação estar regredindo, ao contrário do que era esperado pelas instituições financeiras e consultorias. O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho, por exemplo, revelou uma queda de 0,09%, quando a expectativa do mercado variava entre baixa de 0,03% e alta de 0,10%.
Para o economista, consultor empresarial e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Assis Mourão, o Brasil não tem conseguido aumentar a capacidade de produção na mesma proporção do consumo. Por isso precisa utilizar mecanismos para desestimular o consumo e um deles é aumentar a taxa de juros.
O economista destaca que, do ponto de vista técnico, pode-se esperar diminuição nos investimentos, pois se a expectativa é de vendas declinantes não haverá compra de máquinas, por exemplo.
Mourão defende que seria melhor estimular a produção do que retraí-la com o aumento da Selic “Esse princípio de queda de preço com aumento de juros dá uma abundância espúria na ponta do varejo. O estoque fica preso e a indústria não produz, pois não recebe pedidos. Já o aumento da produção industrial gera uma abundância positiva e os preços caem dado o aumento da oferta”, avaliou, acrescentando que a menor expectativa de consumo impacta de imediato as indústrias de bens finais pela diminuição dos pedidos do varejo.
Para o diretor executivo do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, a elevação de 0,5 pontos porcentuais não causará grandes reflexos na indústria do Estado. “A retração na produção será pequena até porque o Brasil não está preparado para crescer a patamares chineses. A estrutura logística e energética do país não permite. Por isso, o Governo Federal segura o consumo e a produção industrial”, ressaltou.
Vantagem comparativa
Já o economista e consultor empresarial, José Laredo, considera que os investimentos na indústria amazonense não devem sofrer com o aumento da taxa básica de juros, pois a vantagem comparativa do PIM (Polo Industrial de Manaus) é extremamente benéfica para as indústrias do Estado. Para ele, o atual momento econômico ainda gera muitos estímulos à produção e ao consumo, apesar do aperto monetário do Copom (Comitê de Política Monetéria). “O aumento dos juros é um jogo de equilíbrio do Governo Federal para controlar os preços e segurar a produção industrial”, declarou Laredo.
No comércio, a alta de juros reflete diretamente nas compras a prazo. Quanto maior o número de prestações maior será o valor final do produto. Se uma TV custa R$ 2.000 à vista, parcelada em 24 vezes irá custar R$ 2.430 com os juros a 10,75% ao ano. O presidente da Fecomercio/AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, lembra que as vendas a prazo são as mais utilizadas nas compras de eletroeletrônicos e vestuários. “O aumento da Selic implica diretamente na diminuição do consumo no Estado”, finalizou.
Empréstimo e cheque especial ficam mais caros
As taxas médias de juros do empréstimo pessoal e cheque especial subiram em julho pela terceira vez consecutiva, segundo a pesquisa mensal de taxas de juros do Procon-SP. Três instituições elevaram taxas no empréstimo pessoal e quatro, no cheque especial.
No empréstimo pessoal, a taxa média praticada pelos bancos pesquisados foi de 5,42% ao mês, alta de 0,14 ponto percentual acima de junho, cuja taxa foi de 5,28%.
No empréstimo pessoal, elevaram as taxas os seguintes bancos: Banco do Brasil (de 4,68% para 5,28%, elevação de 0,60%); o Bradesco (de 5,40% para 5,46%, acréscimo de 0,06%) e HSBC (de 4,83% para 4,87%, alta de 0,04%). Os demais bancos mantiveram suas taxas.
No cheque especial, a taxa média dos bancos pesquisados foi de 9,06%, superior à do mês anterior (8,90%), um acréscimo de 0,16%.
As altas verificadas nas taxas de cheque especial foram: Banco do Brasil (de 7,69% para 7,75%, alta de 0,06%); Bradesco (de 8,30% para 8,36%, acréscimo de 0,06%); Banco Itaú (de 8,59% para 8,65%, elevação de 0,06%); Unibanco (de 8,59% para 8,65%, alta de 0,06%).







