Expectativas do comércio no terceiro ciclo de reabertura

Em: 30 de junho de 2020
Lojistas se dividem quanto às expectativas para terceiro ciclo de reabertura de comércio e serviços de Manaus, que se iniciou nesta segunda (29)
Expectativas divididas no terceiro ciclo de reabertura do comércio

Os lojistas se dividem quanto às expectativas para esse terceiro ciclo de reabertura de comércio e serviços de Manaus, que se iniciou nesta segunda (29). Alguns acreditam que o forte da demanda – fortalecida por estímulos governamentais – já se esvaiu nos dois primeiros ciclos. Outros, avaliam que será um período de consolidação das vendas dos setores, graças à abertura do leque de segmentos e outros incentivos no calendário.  

Estão inclusos nesta nova fase os segmentos varejistas de artesanato suvenires; de doces e chocolates; de artigos de caça, pesca e camping; de fogos de artifício; de objetos de arte; e de armas e munições. Salões de beleza e academias de ginástica, assim como parques públicos, também voltaram a abrir suas portas ontem. 

No entendimento do presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Souza Lima, o setor não está vendo essa nova fase com tanto otimismo assim e alguns empresários estão até sentindo retração nas vendas. O dirigente atribui essa perda de fôlego ao esgotamento do alcance inicial das liberações de FGTS, auxílio emergencial e das duas parcelas do 13º salário. O dirigente pondera, no entanto, que alguns segmentos podem ter desempenho melhor, por estarem voltados para públicos de maior renda.

“Muitos empresários que falam comigo dizem que o pessoal já deve ter gastado o dinheiro todo. O amazonense é muito consumista e o que mais se viu nesse mês foram filas na porta de quinquilharias importadas. O problema é que muita gente já fechou as portas antes e talvez os que abriram agora não tenham como se segurar mais tempo. Nos shoppings, já se vê muitos pontos que já foram devolvidos. Talvez as coisas sejam melhores para academias e salões de beleza, pois ainda há muita demanda reprimida aí”, ponderou. 

“Prova de fogo”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, diz que o terceiro ciclo vai ser a prova de fogo para o comércio e os serviços de Manaus. Isso porque será um momento em que ambos estarão mais próximos “do normal” e com locais de maior potencial contato físico – e potencial para contaminação – recebendo clientes. Para o dirigente, o primeiro e o segundo ciclos foram positivos para os setores, na medida do possível, mas ainda muito focados nas compras de poder aquisitivo mais baixo. 

“A irrigação de dinheiro que o governo federal fez com o auxílio emergencial funcionou muito bem e muitas lojas de bairro e do Centro estão tendo vendas acima do esperado nesse primeiro mês de reabertura. Vamos aguardar para ver como vai ser em julho. Meu sentimento é que, enquanto fluírem recursos a fundo perdido, é possível que o comércio reaja mais rápido. O problema todo vai ser quando acabar esse dinheiro: como vai ficar o varejo e os empregos?”, questionou.

“Alma nova”

Já o presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Amazonas), Aderson Frota, avalia que os dois primeiros ciclos serviram para trazer alívio aos empresários e serviram como ensaio de retomada para as lojas. O dirigente destaca que, embora as vendas não tenham encostado nos números projetados no período pré-pandemia – quando o varejo comemorava altas de vendas e de contratações –, as perspectivas seguem positivas para os próximos meses, embora a recuperação deva vir em passos lentos.

“Conversei com mais de 20 empresários e as impressões foram as melhores. Os segmentos de calçados e confecções, por exemplo, festejaram. É claro que muita gente foi para a rua simplesmente para fugir do tédio de ficar em casa, e não para comprar. Mas, estamos entrando neste terceiro ciclo com alma nova. Especialmente porque segmentos fortes do setor de serviços voltam a funcionar. A construção civil está se recuperando lentamente e o governo estadual está injetando R$ 230 milhões na economia, por meio do pagamento da primeira parcela do 13º do funcionalismo, o que deve ajudar na demanda”, afiançou.

Otimismo cauteloso

Na mesma linha, o proprietário do salão de beleza Miro Coiffeur Casimiro de Oliveira, também concorda que a simples possibilidade de voltar a receber clientes, após amargar três meses seguidos de portas fechadas e contas chegando, não deixa de ser um alívio. O empresário, contudo, manifesta alguma cautela em seu otimismo em relação à capacidade de reação da demanda, e não deixa de lamentar a suspensão temporária e involuntária de suas atividades, a partir do final de março. 

Expectativas do comércio no terceiro ciclo de reabertura - cASIMIRO

“Vamos esperar que dê tudo certo e começar a melhorar. Estamos começando agora, pois até sábado [27] estava tudo fechado. Acho que não precisava ficar todo esse tempo parado. Quem estava doente deveria ficar em casa e deixar quem tivesse saúde trabalhar. Tive muito prejuízo nesse tempo parado e 90% do que a gente ganhava foi embora. Tomara que melhore e dê tudo certo. Vamos torcer para o pessoal vir cortar o cabelo e ajeitar tudo”, disse o empresário Casimiro de Oliveira.    

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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