Exportações caem 35,64% em outubro

Em: 22 de novembro de 2009
As empresas localizadas no Estado do Amazonas exportaram 35,64% menos de janeiro a outubro deste ano que no mesmo período no ano passado
As empresas localizadas no Estado do Amazonas exportaram 35,64% menos de janeiro a outubro deste ano que no mesmo período no ano passado

As empresas localizadas no Estado do Amazonas exportaram 35,64% menos de janeiro a outubro deste ano que no mesmo período no ano passado. Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e mostram que até a o mês passado, a receita gerada pela venda de produtos para outros países chegou a US$ 688.63 milhões, contra os US$ 1.07 bilhão do ano passado. A quantidade de carga também diminuiu significativamente, passando de pouco mais de 125,25 mil toneladas para 99,27 mil toneladas, redução de 20,74%.
De acordo o diretor-executivo da Aceam (Associação de Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, o “fator crise” foi o responsável pela diminuição das exportações locais. “A crise financeira internacional nós pegou em cheio, porque os principais mercados que são Estados Unidos e Europa foram duramente atingidos pela crise e pararam de comprar”, explicou.
Bittencourt disse também que as empresas locais contam com o apoio do Pextam (Programa de Exportação da Amazônia), que oferece incentivos financeiros em que, por exemplo, uma empresa consegue descontos para importar um insumo que integrará um produto a ser fabricado e depois exportado. “As fábricas do PIM [Polo Industrial de Manaus] respondem por quase a totalidade de exportações do Estado, mas as pequenas e médias empresas estão começando a expandir os horizontes e buscam novos mercados para investir, apesar de ser uma expansão lenta”, salientou o diretor-executivo da Aceam.
A empresa Bombons Finos é um exemplo de pequena empresa local que investiu no desenvolvimento tecnológico dos produtos e ganhou mercados além das barreiras continentais. O gerente de marketing da firma, Jorge Alberto, comemora os resultados de 2008 e projeta novas ações para os próximos meses. “Fechamos 2008 com faturamento de R$ 2,5 milhões e a meta deste ano é de R$ 3 milhões, além de levar nossos produtos para mercados orientais como Japão e China”, declarou.
Alberto afirmou que esteve neste ano no Japão, onde participou de feira de produtos alimentícios e conta que a empresa já adequou seus produtos ao gosto daqueles consumidores. “Tivemos que produzir geléias e bombons com sabores menos adocicados para agradar o paladar dos orientais”, explicou o gerente de marketing. Ele falou ainda que, no mercado europeu, a firma mudou embalagens, passando a apresentar os produtos de forma mais luxuosa.
A empresa possui cinco lojas em Manaus e uma franqueada em Belo Horizonte (MG), contabilizando 52 funcionários. Os produtos comercializados são bombons (ou balas, como são conhecidos em algumas regiões do Brasil) e barras de chocolate com recheio de frutas regionais, além de geléias a base de frutas da Amazônia.

Dificuldade de logística

O diretor-executivo do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, avaliou que a principal dificuldade para os exportadores estaduais está na logística. “A quase inexistência de estradas no Amazonas dificulta o escoamento dos produtos das empresas locais, além da maioria dos compradores estarem a um oceano de distância, encarecendo a mercadoria com o preço do transporte e reduzindo a competitividade com outros países”, ponderou.
A Guaramazon, pequena empresa que utiliza o fruto do guaraná para produzir bebidas energéticas, é um dos empreendimentos que recebem consultoria da Fucapi (Fundação Centro de Análise de Pesquisa e Inovação Tecnológica) e Sebrae/AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) e têm planos para alcançar o mercado internacional.
“A previsão de faturamento da empresa em 2010 é de R$ 1 milhão, indo muito além dos R$ 100 mil deste ano, devido aos acordos fechados com grandes redes de supermercados que disponibilizarão nossos produtos”, animou-se o diretor da Guaramazon, Silvio Proença. O empresário explicou que, só neste final de ano, comprará 50 mil toneladas de guaraná de cooperativas extrativistas de Maués (260 km de distância de Manaus) e está alinhado as mercadorias ao perfil dos consumidores norte-americanos, europeus e asiáticos.

Empresa vai expandir instalações

Atualmente, a Guaramazon é uma das empresas incubadas do Cide (Centro de Incubadora e Desenvolvimento de Empresas) e até janeiro de 2010, segundo Silvio Proença, a firma vai expandir as instalações e mudar para uma sede própria. “A partir do próximo ano, esperamos ter concluído todas as orientações recebidas do Sebrae e Fucapi para encarar o mercado internacional e levar as nossas bebidas para outros países”, garantiu.

Principais exportadores

Dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) revelam as dez fábricas que mais exportam atualmente. Liderando a lista está a Nokia, com produção de telefone celulares, seguida pela Recofarma, que vende concentrados para bebidas não alcoólicas e, na terceira posição, está a fabricante de motocicletas Moto Honda. O ranking é completado por Procter & Gamble, Thomson, Coimpa, Yamaha Motor, Bic, Pepsi Cola e Kodak.
A assessoria de imprensa da Suframa informou que a quinta edição da Fiam (Feira Internacional da Amazônia), marcada para os dias 25, 26, 27 e 28 deste mês, contará com rodadas de negócios específicas para empresas interessadas em exportar seus produtos, independente do porte do empreendimento.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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