As empresas localizadas no Estado do Amazonas exportaram 35,64% menos de janeiro a outubro deste ano que no mesmo período no ano passado. Os números são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e mostram que até a o mês passado, a receita gerada pela venda de produtos para outros países chegou a US$ 688.63 milhões, contra os US$ 1.07 bilhão do ano passado. A quantidade de carga também diminuiu significativamente, passando de pouco mais de 125,25 mil toneladas para 99,27 mil toneladas, redução de 20,74%.
De acordo o diretor-executivo da Aceam (Associação de Comércio Exterior da Amazônia), Moacyr Bittencourt, o “fator crise” foi o responsável pela diminuição das exportações locais. “A crise financeira internacional nós pegou em cheio, porque os principais mercados que são Estados Unidos e Europa foram duramente atingidos pela crise e pararam de comprar”, explicou.
Bittencourt disse também que as empresas locais contam com o apoio do Pextam (Programa de Exportação da Amazônia), que oferece incentivos financeiros em que, por exemplo, uma empresa consegue descontos para importar um insumo que integrará um produto a ser fabricado e depois exportado. “As fábricas do PIM [Polo Industrial de Manaus] respondem por quase a totalidade de exportações do Estado, mas as pequenas e médias empresas estão começando a expandir os horizontes e buscam novos mercados para investir, apesar de ser uma expansão lenta”, salientou o diretor-executivo da Aceam.
A empresa Bombons Finos é um exemplo de pequena empresa local que investiu no desenvolvimento tecnológico dos produtos e ganhou mercados além das barreiras continentais. O gerente de marketing da firma, Jorge Alberto, comemora os resultados de 2008 e projeta novas ações para os próximos meses. “Fechamos 2008 com faturamento de R$ 2,5 milhões e a meta deste ano é de R$ 3 milhões, além de levar nossos produtos para mercados orientais como Japão e China”, declarou.
Alberto afirmou que esteve neste ano no Japão, onde participou de feira de produtos alimentícios e conta que a empresa já adequou seus produtos ao gosto daqueles consumidores. “Tivemos que produzir geléias e bombons com sabores menos adocicados para agradar o paladar dos orientais”, explicou o gerente de marketing. Ele falou ainda que, no mercado europeu, a firma mudou embalagens, passando a apresentar os produtos de forma mais luxuosa.
A empresa possui cinco lojas em Manaus e uma franqueada em Belo Horizonte (MG), contabilizando 52 funcionários. Os produtos comercializados são bombons (ou balas, como são conhecidos em algumas regiões do Brasil) e barras de chocolate com recheio de frutas regionais, além de geléias a base de frutas da Amazônia.
Dificuldade de logística
O diretor-executivo do Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), Ronaldo Mota, avaliou que a principal dificuldade para os exportadores estaduais está na logística. “A quase inexistência de estradas no Amazonas dificulta o escoamento dos produtos das empresas locais, além da maioria dos compradores estarem a um oceano de distância, encarecendo a mercadoria com o preço do transporte e reduzindo a competitividade com outros países”, ponderou.
A Guaramazon, pequena empresa que utiliza o fruto do guaraná para produzir bebidas energéticas, é um dos empreendimentos que recebem consultoria da Fucapi (Fundação Centro de Análise de Pesquisa e Inovação Tecnológica) e Sebrae/AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) e têm planos para alcançar o mercado internacional.
“A previsão de faturamento da empresa em 2010 é de R$ 1 milhão, indo muito além dos R$ 100 mil deste ano, devido aos acordos fechados com grandes redes de supermercados que disponibilizarão nossos produtos”, animou-se o diretor da Guaramazon, Silvio Proença. O empresário explicou que, só neste final de ano, comprará 50 mil toneladas de guaraná de cooperativas extrativistas de Maués (260 km de distância de Manaus) e está alinhado as mercadorias ao perfil dos consumidores norte-americanos, europeus e asiáticos.
Empresa vai expandir instalações
Atualmente, a Guaramazon é uma das empresas incubadas do Cide (Centro de Incubadora e Desenvolvimento de Empresas) e até janeiro de 2010, segundo Silvio Proença, a firma vai expandir as instalações e mudar para uma sede própria. “A partir do próximo ano, esperamos ter concluído todas as orientações recebidas do Sebrae e Fucapi para encarar o mercado internacional e levar as nossas bebidas para outros países”, garantiu.
Principais exportadores
Dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) revelam as dez fábricas que mais exportam atualmente. Liderando a lista está a Nokia, com produção de telefone celulares, seguida pela Recofarma, que vende concentrados para bebidas não alcoólicas e, na terceira posição, está a fabricante de motocicletas Moto Honda. O ranking é completado por Procter & Gamble, Thomson, Coimpa, Yamaha Motor, Bic, Pepsi Cola e Kodak.
A assessoria de imprensa da Suframa informou que a quinta edição da Fiam (Feira Internacional da Amazônia), marcada para os dias 25, 26, 27 e 28 deste mês, contará com rodadas de negócios específicas para empresas interessadas em exportar seus produtos, independente do porte do empreendimento.







