EXPOSIÇÃO

Em: 16 de janeiro de 2014
O Amazonas nas cores de Falabella – Artista plástico mostra por meio dos pincéis seu lado afetivo aos hábitos e costumes do ribeirinho
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O Amazonas nas cores de Falabella - Artista plástico mostra por meio dos pincéis seu lado afetivo aos hábitos e costumes do ribeirinho

Michelangelo, da Vinci, Boticelli, Rafael, Ticiano, Tintoretto são alguns dos maiores nomes da pintura italiana de todos os tempos. Filho legítimo de italianos, Pedro Falabella nasceu na cidade de Urucará, aqui mesmo no Amazonas. Cedo, começou a rabiscar e desenhar, mas a cada dia descobre mais e mais a plenitude da arte das cores, e pretende chegar perto do talento destes grandes mestres!
“Ainda garoto, na escola, em Urucará e depois em Manaus, comecei a rabiscar. Gostava de desenhar com nanquim. Naquela época as coisas regionais já me atraiam. Os barcos, as canoas, as casas ribeirinhas, aquelas imagens que só vemos nas pequenas localidades do interior”, recordou.
Mas Falabella cresceu, se tornou homem, começou a trabalhar e o artista que surgia junto com o menino, adormeceu. “Fiquei cerca de 40 anos sem pintar. Não sei porque, talvez porque me dedicasse demais ao trabalho. Esqueci completamente daquele prazer iniciado ainda na infância. Um dia, ia num avião, em viagem de negócios, lendo uma revista, quando me deparei com o artigo de um psicólogo sobre a necessidade de o ser humano ter uma atividade prazerosa, além do trabalho, que funcionasse como válvula de escape. Fiquei pensando naquilo. Eu trabalhava demais”, contou.
A primeira providência tomada por Falabella foi jogar fora uma pasta na qual ele costumava levar documentos do trabalho para ler em casa. “A partir daquele momento decidi que só trabalharia na empresa, mas ainda faltava realizar a atividade prazerosa. Uma tarde de 2003, passava ali pelo Dom Pedro quando vi o ateliê de pintura do artista Edson Queiroz. Resolvi entrar. Ao ver os quadros dele pendurados na parede, foi como se o artista acordasse novamente dentro de mim. A atividade prazerosa estivera comigo esse tempo todo e eu nem percebera, tão envolvido que estava com o trabalho nas últimas quatro décadas”, recordou.

SEM PRESSA PARA PINTAR
Pedro Falabella passou a ter aulas com Edson Queiroz e do academicismo inicial, sua pintura foi amadurecendo. “Passei a ler livros para saber mais e mais sobre as técnicas da pintura, sobre os grandes mestres e suas obras. Agora pesquiso muito na internet. É um instrumento valioso para quem quer aprender”, ensinou.
A característica das pinturas de Falabella são as figuras regionais, principalmente as casas dos ribeirinhos, as canoas, o homem do interior, “prioriza as paisagens pictóricas e cotidianas do seu dia a dia expressando o seu lado afetivo aos hábitos e costumes do ribeirinho. Explora com originalidade toda a simplicidade vivenciada por ele mesmo às margens desses grandes rios, lagos, igapós e vilas do nosso Amazonas”, falou Jander Reis, curador da mais recente exposição de Falabella, que acontecerá no Centro Cultural Palácio da Justiça, de 4 de fevereiro a 4 de março, com 60 quadros.
“Nesses dez anos já expus em vários locais, na Assembleia Legislativa, na Pinacoteca, no Correio de Brasília, no Forte de Copacabana, no Rio. Hoje quero produzir e exibir meu trabalho. Gosto de ver fotos em jornais e revistas e delas tirar detalhes para os meus quadros”, revelou.
Falabella montou um ateliê em casa. “Lá é meu mundo particular. Quando entro no ateliê, para pintar, esqueço de tudo. Dependendo do que estiver pintando, posso fazer um quadro num final de semana, mas atualmente, não tenho mais pressa em acabá-los, em vê-los logo prontos. Hoje primo pela qualidade dos meus trabalhos”, explicou. “É um artista que tem personalidade, que pinta o que quer. Mesmo quando estava aprendendo, comigo, no meu ateliê, ele já dizia o que queria pintar. Diria que seu estilo é o regionalista com um quê de fauvismo, apenas nas cores”, falou o mestre Edson Queiroz sobre o ex-pupilo.
Mesmo ainda trabalhando muito (Pedro Falabella é o diretor-presidente da Afeam), o artista que ficou adormecido por 40 anos, se impôs em dez. Os quadros de sua próxima exposição mostram isso. É esperar, para conferir!

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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