Anunciada como a fábrica de automóveis mais moderna do país, a unidade da sul-coreana Hyundai em Piracicaba, a 164 km de São Paulo, que deve entrar em operação até o final do ano, acumula conflitos na relação com os trabalhadores. Alojamentos das construtoras terceirizadas foram interditados seis vezes por irregularidades como falta de higiene e água potável ao longo do ano passado.
Há duas semanas, a Hyundai e sua contratadas foram obrigadas a firmar TAC (Termos de Ajuste de CondutaC) com o MP (Ministério Público do Trabalho) que preveem multa de até R$ 50 mil por descumprimento dos acordos. Na terça-feira, um operário morreu em acidente na fábrica por suposta falha nos equipamentos de segurança.
Ao lado da agenda positiva, como a criação de 4 mil empregos diretos e a expectativa de alavancar o desenvolvimento da região, a chegada da primeira montadora de automóveis de Piracicaba preocupa pelo impacto que está produzindo no mercado de trabalho local. De acordo com o técnico em segurança Marco Hister, do Cerest (Centro de Referência da Saúde do Trabalhadort), a maior parte dos 1,5 mil operários que trabalham na obra foi trazida de outras regiões. “Há risco de que, com o término da construção, essa mão de obra não seja absorvida e fique excluída na cidade.” Segundo ele, já houve aumento de demanda por serviço público. “Unidades de saúde próximas de alojamentos estão superlotadas.”
A chegada da montadora também elevou o preço do aluguel e os trabalhadores podem ter dificuldade para obter moradia. “Tememos que o pessoal vá para a periferia, engrossando favelas.”
Para o tesoureiro do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Edson Batista dos Santos, os problemas trabalhistas decorrem de uma filosofia da empresa de repassar mão de obra. “A construtora que opera para a Hyundai foi desleixada. Flagramos alojamentos superlotados, sem higiene, sem água potável, com colchões no chão ou camas feitas de chapas de madeira.”
Houve ainda casos de atraso de pagamento e de trabalhadores que passaram mal. “Como a Hyundai alegava não ter condições de fiscalizar as terceirizadas, optamos pela interdição dos alojamentos até a solução do problema.”
A situação culminou com a intervenção do Ministério Público do Trabalho. Em TACs assinados nos dias 4 e 5 com a Hyundai Motor Brasil, Hyundai Amco do Brasil e empresas terceirizadas, a montadora assumiu a responsabilidade pelas relações de coligadas e terceirizadas com os trabalhadores. “Os empregados contratados por meio de empresas terceirizadas devem receber o mesmo tratamento dispensado pelas empresas aos seus próprios funcionários no que se refere às normas de segurança, conforme dita o TAC”, informou o MPT. Caso descumpram o acordo, as empresas estão sujeitas ao pagamento de multa de R$ 10 mil, até dezembro deste ano, e de R$ 50 mil no ano seguinte, além de multa diária até a regularização.
Fábrica da Hyundai acumula problemas trabalhistas
Em: 21 de janeiro de 2012
Anunciada como a fábrica de automóveis mais moderna do país, a unidade da sul-coreana Hyundai em Piracicaba, a 164 km de São Paulo…
Redação
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