O imbróglio entre a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e a Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas) sobre o convênio para a instalação da primeira fábrica modular de fécula no Amazonas, que já vem se arrastando há mais de 10 anos, parece estar próximo do final. Porém, a resolução para a instalação da fábrica no município de Manacapuru, ainda depende da autorização da Suframa que avaliará o convênio firmado com a Sepror para a mudança de local, que antes seria no município de Manaquiri, mas, por conta da inadequação dos terrenos da região, passou a ser de interesse dos empresários do município de Manacapuru.
O impasse, segundo o secretário Executivo da Sepror, Alexandre Araújo, consiste em salvar o convênio firmado com a Suframa em 2007, que também avaliará os equipamentos agrícolas adquiridos pela Sepror comprados com recursos federais. “Ainda estamos aguardando uma visita técnica da Suframa nas terras que serão utilizadas. Só assim, iremos entrar em contato com os produtores que estão dispostos a ceder parte de seus terrenos para a produção dos tubérculos”, disse.
Caso a utilização dos equipamentos não seja autorizada pela Suframa, o secretário disse que a Sepror pretende buscar parceria com a Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) para a compra de novos equipamentos e assim dar início a um novo processo de implantação da fábrica. “Com uma dessas parcerias firmadas, será possível plantar mais de 25 mil toneladas por dia em mais de 500 hectares, gerando assim mais de 250 ocupações econômicas, ou empregos indiretos para os pequenos agricultores daquele município”, explicou.
Com a produção modular da mandioca é possível fabricar a cola de papelão que atende algumas fábricas do PIM (Polo Industrial de Manaus). “Só para atender as empresas do PIM é preciso ter de 40 a 50 mil hectares mecanizados de mandioca para a produção da cola”, ressaltou Araújo. Atualmente a matéria-prima da fécula da mandioca está sendo importada do Paraná pelo Estado do Amazonas.
Ao acompanhar o projeto desde o início, o engenheiro mecânico da Seapaf (Secretaria Adjunta de Políticas Agropecuárias e Florestais do Estado do Amazonas), Benjamim Mafra, afirmou que a fábrica precisava de um local com terra firme e de profundidade, o que não foi encontrado em Manaquiri, para onde a fábrica foi destinada no projeto inicial. “Ela estava num local que não era adequado. E aí pensamos em Manacapuru, onde encontramos um lugar ideal”, afirmou.
Apoio
Para o secretário da Sepror, Aparecido dos Santos, todo apoio para firmar a parceria com a finalidade de implantar a fábrica, que será pioneira e servirá de exemplo para iniciativas similares, será bem-vindo. “O setor primário é a melhor alternativa para o Amazonas, por isso, da nossa parte, temos disposição para fazer”, garantiu.
O mais interessado pela implantação da fábrica, o prefeito de Manacapuru, Beto D’ângelo, disse que o setor primário é uma saída para o município que abraça o projeto para a geração de emprego e renda. “Acredito muito na parceria público-privada e também acredito muito no setor primário como uma saída para o município de Manacapuru, que abraça esse projeto de geração de emprego e renda”, concluiu.
Pesquisa e Tecnologia
O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, defendeu a instalação da fecularia desde que ela responda aos requisitos exigidos pelos órgãos competentes para o seu funcionamento. “Acredito que essa fábrica irá alavancar a economia daquele município, até mesmo do Amazonas, por conta da compra de sua matéria-prima pelas empresas do PIM. E isso vai agregar valor ao nosso Estado”, salientou.
Outro entusiasta na luta pela implantação da fábrica no município de Manacapuru, o secretário da Seapaf, Fernando Vieira, disse que os empresários do município de Manacapuru querem investir, mas com o incentivo do governo, da prefeitura. “Agora temos que ter plantação. Precisamos incentivar o plantio de mandioca naquela região”, afirmou
De acordo com o supervisor do setor de Implantação de Tecnologias da Embrapa, Raimundo Rocha, existe uma demanda reprimida de fécula no Estado. “Existe viabilidade econômica, o que é muito importante para que o produtor tenha garantia de negócio, mas é importante o papel da Embrapa para aumentar a produtividade e reduzir o esforço do produtor por hectare”, garantiu Rocha.
Assim que entrar em funcionamento, a fábrica vai demandar 500 hectares de plantio de mandioca mecanizados, segundo o empresário Carlos Kimak, que saiu da reunião otimista. “Esta reunião foi ótima, nunca vi tanta gente envolvida com o projeto. Assim que implantada, a fábrica terá capacidade de produzir 25 toneladas por dia, mas ela é modular, poderá aumentar a capacidade e assim, em escala, temos preço para comercialização”,
garantiu Kimak.







