A fabricação, por empresas brasileiras, de conversores para TV digital poderá contribuir para a consolidação de uma nova produção industrial no país e para a abertura de postos de trabalho. A afirmação é do presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Amazonas), Wilson Périco.
Para ele, a opção pela produção brasileira e pelo aumento da demanda por mão-de-obra não são fatores analisados pelo governo. Segundo Périco, no início deste mês, o ministro ameaçou importar conversores caso os fabricantes não reduzissem seus preços.
Nos parece que o ministro das Comunicações não está preocupado com a geração de empregos no país e está pensando apenas que importando esse produto poderá chegar ao mercado mais barato. Porém, ele estará gerando emprego fora do país. Quem vai estar perdendo é a sociedade brasileira por conta da falta de geração de emprego e renda”, declarou, afirmando que acredita na possibilidade de um melhor entendimento entre o governo e a classe empresarial.
O superintendente adjunto de Projetos da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Oldemar Ianck, também concorda com o argumento de que a fabricação do produto no Brasil irá gerar mais empregos.
Como toda coisa nova, os investidores vão um pouco mais devagar do que a gente imagina, mas certamente o set-top box [conversor] é um produto que vem agregar mais valor e volume produção do PIM (Pólo Industrial de Manaus), gerando mais emprego, renda e agregando mais tecnologia ao pólo”, avaliou.
Alto padrão
O conversor é o aparelho necessário para receber o sinal digital em televisões que funcionam no sistema analógico. As transmissões da TV digital começam no próximo dia 2 de dezembro, em São Paulo. O presidente do Sinaees credita o preço do aparelho, que está acima da expectativa inicial do governo, aos custos da produção.
“Num primeiro momento esse produto vai chegar ao mercado a um preço relativamente alto porque, além do custo da matéria-prima, temos o custo da transformação, do frete, tanto para importar a matéria-prima quanto para tirar o produto daqui da zona franca, e ainda a carga tributária que, apesar dos incentivos, não isentam as empresas de todos os tributos. É por isso que nesse primeiro momento o produto sairá com preço fora do que era esperado, sobretudo pelo governo”, avaliou Périco.
Para o superintendente, os preços também estão relacionados às funcionalidades do conversor. Ele defende a existência de uma especificação técnica para garantir preços justos, aliando as variáveis custo e benefício.“Seria interessante que houvesse uma especificação técnica do produto e, com base nisso, teríamos um pouco mais de condições de verificar esses preços. É claro que alguém que comprar esse modelo mais simples e barato para melhorar o sinal, não terá outras vantagens, como a interatividade e portabilidade, por exemplo. O preço-base desse produto, ou seja, seu preço de fábrica, é em média R$ 121. Mas é nesse espectro das funcionalidades oferecidas que está a variação do preço que deverá ser cobrado do consumidor”, afirmou Ianck.
No Amazonas, segundo a Suframa, apesar de a produção já ter começado, ainda não existem dados significativos sobre a saída dos conversores para o mercado brasileiro, o que deve acontecer de forma gradativa.
Desde o início das discussões sobre a TV digital, o ministro Hélio Costa defende a venda dos aparelhos a preços acessíveis população. Em abril de 2007, o ministro previa que os conversores chegariam ao mercado com preços na casa dos R$ 100. A estimativa do Sinaees é que os preços dos conversores variem de R$ 500 a R$ 1.100.







