Falta de competitividade pesa na balança do AM

Em: 18 de abril de 2012
Exportações caíram 8,8% no trimestre, enquanto as importações registraram alta de 12,31%, segundo o Ministério do Desenvolvimento
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Exportações caíram 8,8% no trimestre, enquanto as importações registraram alta de 12,31%, segundo o Ministério do Desenvolvimento

A política de baixos preços praticada pelos países asiáticos e a falta de competitividade da indústria brasileira, ainda não corrigida pelos planos do governo federal refletiram na balança comercial do Amazonas em março, que mais uma vez registrou o segundo pior desempenho do país, atrás apenas do Estado de São Paulo.
Embora o Estado tenha exportado o equivalente a US$ 77,864 milhões no mês passado, registrando leve alta de 4,35% frente ao mesmo período de 2011, as importações cresceram 15,44% no mesmo mês analisado, quando foram gastos 1,170 bilhão em aquisição de insumos vindos do exterior.
Os números do trimestre também não foram favoráveis. Com ganhos de US$ 205,01 milhões, as exportações caíram 8,8% enquanto os US$ 3,169 bilhões empregados entre janeiro e março deste ano garantiram alta de 12,31% nas importações.
Dessa forma, segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), o saldo da indústria amazonense foi negativo em US$ 1,092 bilhão em março. No acumulado do ano, o déficit foi de US$ 2,964 bilhões.
“Os componentes vindos de fora –do país– continuam mais acessíveis. Às vezes, chegam a ser 30% mais baratos em relação ao que é produzido aqui. Mesmo que os países exportadores diminuam os lucros, para eles é importante esvaziar os estoques devido à crise europeia e o mercado da América Latina está aproveitando”, avaliou o presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Wilson Périco.
A ‘liquidação’ parece ter se intensificado este ano. O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, explica que a forma de custeio da indústria chinesa e a redução do consumo do mercado europeu fazem com que os produtos continuem chegando subsidiados e subfaturados ao Brasil. Ele admite que ainda existe uma dificuldade iminente em atender o mercado interno. “Diante desse quadro, me estranha a demora do governo para tomar medidas mais enérgicas que de fato preservem a indústria e o emprego.
Um exemplo, de acordo com o levantamento do Mdic, é a importação de acessórios e partes para motocicletas que até março deste ano somaram US$ 117,42 milhões. No ano passado, esses produtos não eram trazidos do exterior.
“O importante é que as empresas cumpram o PPB (Processo Produtivo Básico), que estabelece uma quantia mínima de consumo de insumos fabricados na região. Fora isso, nada impede a importação de alguns componentes mais acessíveis”, justificou Gilmar Freitas.
No entanto, ele avalia que embora seja momentaneamente vantajosa, essa prática não deve se sustentar por muito tempo. “Medidas protecionistas de mercados como o brasileiro trabalham para barrar essa entrada desenfreada. Fora as que já foram criadas, outras ainda virão até termos um resultado mais favorável para a indústria de forma a não afetar os empregos e o mercado consumidor interno, que é quem sustenta a economia do país, hoje”, enfatizou.

Produtos

Entre janeiro e março, a exportação de preparo para bebidas e de aparelhos de barbear caíram 6,56% e 9,10%. No entanto, a exportação de motocicletas cresceu 65,58% somando US$ 34,068 milhões à balança do Estado.
Argentina e Venezuela, dois dos principais destinos dos produtos do PIM registraram queda de 23,87% e 4,95%, respectivamente.
Apenas a Colômbia, aumentou a sua participação para 12,95% do total, gerando ao Amazonas ganhos de US$ 26,54 milhões, o equivalente a um crescimento de 14,85% frente a igual período do ano passado.
Os principais insumos importados durante o trimestre foram os componentes para aparelhos receptores de TV e rádio (US$ 637,177 milhões), crescimento de 13,38% frente a igual intervalo de 2011 e os conjuntos cabeça-disco para disco rígido (US$ 126,38 milhões), 134,57% a mais na comparação com o ano anterior.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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