Falta de estrutura compromete formação

Em: 8 de fevereiro de 2011
Entre buracos e lama, alunos de autoescola se viram como podem com a falta de infraestrutura na área de treinamento e de exames do Detran/AM (Departamento Estadual de Trânsito), localizado no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus
Entre buracos e lama, alunos de autoescola se viram como podem com a falta de infraestrutura na área de treinamento e de exames do Detran/AM (Departamento Estadual de Trânsito), localizado no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus

Entre buracos e lama, alunos de autoescola se viram como podem com a falta de infraestrutura na área de treinamento e de exames do Detran/AM (Departamento Estadual de Trânsito), localizado no bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus. Segundo os instrutores, que não quiseram se identificar com receio de represálias, as crateras que estão no local estão dificultando o aprendizado dos candidatos, inclusive aquele que não tem nenhuma familiaridade ao volante, no momento de realizar algumas manobras, como entrada e saída de garagem e estacionamento. “Aqui ensinamos o aluno a fazer rali”, brincou com a situação um dos instrutores.
Eles contam que é necessário que os alunos se juntem e reclamem no Detran. “Porque nós estamos comprando uma briga que não é nossa, fizemos uma manifestação na semana passada para denunciar à imprensa as péssimas condições das pistas e no dia seguinte vieram e instalaram quase 20 placas de proibido estacionar”, disse um instrutor, que vê o excesso de placas de regulamentação no local, o aperto na fiscalização sobre os instrutores e veículos das autoescolas, como reação da direção do Detran/AM à insatisfação deles.
Para os instrutores, que convivem diariamente com a situação local, a área de treinamento está esquecida e eles vão se virando como podem. “Para se ter uma ideia, a gente colocava pedra para diminuir a profundidade dos buracos”, conta.
Enquanto para outros os problemas vão mais além, a falta de espaço na área de treinamento, onde cerca de 300 pessoas realizam aula por hora, e os protótipos de madeira que imitam a traseira de um carro em um estacionamento, também contribuem para a insatisfação dos que utilizam o local. “Era para eu estar agora treinando a minha baliza, mas desse jeito não tem como, colocaram a gente em um local com mais buracos ainda, imagina se nós não pagássemos”, disse a publicitária, Carla Miranda, 27.
Já a enfermeira Maria Almeida, acredita que a precariedade do local deve influenciar no índice de reprovações no exame prático de direção para aquisição da CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
No ano passado, 52% dos 72.535 candidatos que realizaram o teste foram reprovados no exame para tirar CNH. E esse baixo desempenho dos CFC (Centros de Formação de Condutores) de Manaus força os alunos a pagarem novas taxas e diárias de veículos para realização de testes. “O problema é o Detran oferecer uma área de treino que não é igual a do exame, por isso o alto índice de reprovação, mas o órgão só culpa o instrutor”, disse um dos instrutores.
Segundo o presidente do Sindinstran (Sindicato dos Instrutores de Autoescolas), Jucinaldo Mota, eles estão tentando resolver uma situação que não os compete. “Mas nos prometeram que a solução para o problema já está em andamento, só falta o material e a Seinf (Secretaria de Estado de Infraestrutura), que irá cuidar do recapeamento”, informou após uma reunião na manhã de ontem, 7, com a diretora-presidente do Detran, Mônica Melo, para reivindicar a manutenção da área de treinamento.
Segundo a assessoria de comunicação do Departamento de Trânsito, o órgão fará várias mudanças no Complexo de Treinamento de Direção Veicular para melhorar a infraestrutura do local, entre elas, a ampliação e o asfaltamento da área. E uma das que já está sendo colocada em prática é a proibição do acesso de carros particulares na área de treinamento.
O Complexo de Treinamento de Direção Veicular Clevanir Tundis foi inaugurado em março do ano passado e tem uma área total de 33 mil metros quadrados. Segundo estimativa do Detran-AM aproximadamente, 2,2 mil pessoas são atendidas diariamente, no local.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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